Kimi , o Ice Man.

Se há um piloto que tem dado que falar nos últimos tempos é Kimi Raikkonen. O piloto da Lotus é neste momento um dos pilotos que mais tem brilhado nas pistas, mostrando uma forma espantosa, sendo agora pretendido por Ferrari (supostamente) e Red Bull.
O finlandês nascido em Espoo a 17 de Outubro de 1979, é unanimemente aceite como um dos melhores e as suas performances em pista confirmam isso mesmo.
Ele que entrou na F1 pela Sauber em 2001, tendo em 2002 passado para a McLaren, que ficou maravilhada com o jovem finlandês que na primeira época da F1 já tinha marcado 9 pontos e juntamente com Nick Heidfeld conquistou um sólido 4 lugar no campeonato de construtores.
A vida na McLaren no entanto não foi fácil, onde nunca teve um carro que lhe permitisse lutar verdadeiramente pelo título, pois a fiabilidade dos motores Mercedes deixava muito a desejar. Ficou na equipa de Woking de 2002 a 2006
A Ferrari contratou o Ice Man em 2007 e logo nesse ano foi campeão do mundo, um título já há algum tempo merecido. A aventura na Ferrari acabou em 2009 com a Scuderia a rescindir contrato indo buscar Alonso a McLaren.
Sem equipas competitivas com lugares vagos, tirou uma pausa e juntou-se a Citroen Junior Team no WRC. Ainda foi a tempo de passar pelo NASCAR.
Mas em 2012 a Lotus chegava a acordo com Kimi, num namoro já com algum tempo. Kimi voltava para o grande circo. A questão colocava-se. Estaria Raikkonen enferrujado ou conseguiria manter o nível que tinha apresentado até então? Os resultados falam por si. Raikkonen não enferrujou nem um pouco e está cada vez melhor. A Lotus já vinha crescendo mas a contratação de Kimi permitiu a equipa dar um salto qualitativo e sonhar muito mais alto. Embora com armas diferentes o carro apresentava-se equilibrado mas Raikkonen fazia a diferença. Abu Dhabi seria o palco da primeira vitória de Kimi pela Lotus e a sua primeira desde o seu regresso. Fechava o ano em 3º lugar no campeonato, num regresso fantástico.
2013 trouxe mais do mesmo. Lotus com um carro melhorado mas ainda sem os argumentos dos “grandes”, não deslumbrando mas cumprindo os requisitos mínimos sendo até pontualmente mais rápido que a concorrência e Raikkonen numa forma soberba e com uma regularidade a toda a prova, vai conquistando pontos mantendo-se na luta pelo título. Com outro piloto a Lotus não poderia sonhar mas com Kimi a história é diferente. Consegue tirar mais do carro do que qualquer outro piloto. Talvez só mesmo Alonso e Hamilton num dia bom lhe façam frente neste capítulo. O piloto mais regular com uma serie impressionante de 27 GP seguidos a pontuar, batendo o record de Michael Schumacher. O piloto que, quanto a nós, melhor se defende, o mais difícil de ultrapassar (que o diga Vettel que no último GP não teve argumentos para passar o Finlandês mesmo com pneus 30 voltas mais novos).
Mas Kimi não é só um piloto com um talento enorme. É também o piloto mais carismático do Paddock. Com Kimi temos alguém que nos faz lembrar os gloriosos anos 70 em que os pilotos eram mais parecidos com estrelas de rock do que com atletas de competição. Hoje em dia um piloto de F1 é um atleta de topo, que treina exaustivamente, além de ser quase sempre politicamente correcto, não querendo confusões. Kimi é o oposto disso. Não tem problemas de participar numa corrida de moto de neve partindo o pulso, ou numa competição de motocross. Kimi é o único piloto que aparece nas fotos de equipa a seguir a um pódio com uma cerveja na mão. É dos poucos que não tem medo de dizer o que pensa, embora falando pouco, bem ao estilo finlandês (quem não se lembra das respostas telegráficas de Hakkinen). As suas frases já são míticas e vão ficar na história do desporto, como a resposta a Brundle no GP do Brasil, ou fantástico dialogo com o seu engenheiro em Abu Dhabi. É esta irreverencia que o diferencia de todos os outros e lhe vale uma legião de fãs por todo o mundo. Somando tudo isto é muito difícil não ter respeito pelo Ice Man. Não admirar o seu talento. Não rir com as suas respostas. É o piloto que a sua maneira traz outro colorido à F1. Por ser provavelmente o piloto mais sincero e genuíno.
Será muito difícil para Raikkonen ganhar o título este ano e se ficar na Lotus será sempre muito complicado. E ele terá aspirações a ganhar pelo menos mais um título, algo que se justifica, dada a sua qualidade e consistência. O que significa que a mudança para outra equipa pode ser o cenário mais provável.
Seja qual for o desfecho, Kimi será um dos nomes incontornáveis da F1 pela sua presença dentro e fora de pista. Conseguirá ele vencer mais um título? Muita gente deverá torcer por isso. Mas só o futuro o dirá. Até lá o melhor é apreciar as suas qualidades em pista e deixa-lo sossegado pois ele sabe o que faz.
Carreira de Raikkonen em números:

186 GP
20 vitorias
16 poles
75 podios
47711 Km corridos
5879 Km na liderança
2001 -10º
2002- 6º
2003-2º
2004-7º
2005-2º
2006-5º
2007-1º
2008-3º
2009-6º
2012-3º
Fábio Mendes 

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