Campeão do mundo… Uma questão de nacionalidade?

Cada país tem o seu desporto favorito. Cada cultura favorece uns desportos em detrimento de outros. Estes factos são conhecidos e amplamente aceites. Em Portugal por exemplo há uma hegemonia total (e muitas vezes exagerada) do futebol. Nesse sentido vale a pena questionarmos que países são mais propensos a formarem campeões de F1. O senso comum dirá logo Finlândia ou até Alemanha ou Brasil. Mas será que este senso comum tem como base os números reais?
Que nacionalidades se destacaram ou destacam? Quais os países que viram mais pilotos sagrarem-se campeões? Vamos tentar de forma breve fazer um apanhado geral desta realidade.

Das 39 nacionalidades já representadas na F1, apenas 14 países têm no seu historial campeões do mundo:
  • Argentina tem o mítico Juan Manuel Fangio, 5 vezes campeão do mundo (51, 54, 55, 56, 57).
  • Austrália tem 2 campeões do mundo: Jack Brabham ( 3 vezes campeão em 59, 60, 66) ) e Alan Jones ( uma vez em 80).
  • Áustria tem Jochen Rindt (1970) e Niki Lauda (75, 77, 84).
  • Brasil tem 3 campeões do mundo: Fittipaldi ( 72,74), Piquet ( 81, 83, 87)  e Senna (88, 90, 91).
  • Canadá tem 1 campeão: Jaques Villeneuve ( 97). Curiosamente apenas 2 pilotos canadianos subiram à F1. Gilles Villeneuve e Jaques Villeneuve.
  • Finlândia apresenta 3 campeões: Keke Rosberg ( 82), Mika Hakkinen( 98 e 99)  e Kimi Raikkonen (2007).
  • França tem apenas 1 campeão , Alain Prost (85, 86, 89, 93).
  • Alemanha tem 2, Schumacher( 94, 95, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004) e Vettel ( 2010, 2011, 2012).
  • Itália tem 2 campeões: Giuseppe Farina (50) e Alberto Ascari (52 e 53).
  • Nova Zelândia 1: Denny Hulme ( 67).
  • Africa do Sul 1: Jody Scheckter (79).
  • Espanha 1: Fernando Alonso ( 2005, 2006).
  • Grã Bretanha com 10 campeões do mundo: Mike Hawthorn (58),Graham Hill (68,68), Jim Clark (63, 65), John Surtees (64), Jackie Stewart (69,71,73) James Hunt (76), Nigel Mansell  (92), Damon Hill ( 96), Lewis Hamilton ( 2008), Jenson Button (2009).
  • Estados Unidos com 2 campeões: Phill Hill (61) e Mario Andretti (78).



No gráfico que apresentamos para resumir e facilitar a tarefa de análise, podemos ver com a barra azul o nº de pilotos de cada pais que foram campeões e na barra vermelha o nº de campeonatos conquistados por cada pais.


Como podemos ver, a Grã Bretanha tem um domínio claro, tendo o maior número de campeões e de campeonatos vencidos. Isso leva a que se pense sempre no piloto britânico como sinónimo de qualidade, o que nem sempre acontece. A Finlândia, com tradição nos desportos motorizados apenas colocou 9 pilotos num F1 até agora, embora conseguindo 4 campeonatos no que é provavelmente o melhor índice de aproveitamento “pilotos na F1 vs títulos conquistados”. Alemanha também ao contrário do que se poderia pensar apenas tem 2 campeões, mas que em conjunto venceram o campeonato por 10 vezes.
O Brasil aparece bem colocado também com 8 campeonatos vencidos por 3 pilotos diferentes.
A França que também tem muita tradição na F1 apenas tem um campeão mas que sozinho vale 4 campeonatos.
Os EUA deram mais pilotos que qualquer outro pais, com 233 pilotos contra os 164 da Grã Bretanha, 76 da França, 60 da Alemanha, 30 do Brasil e 9 da Finlândia.
Além disso, pode se observar que o domínio de certas nações ocorre pontualmente. A Argentina com Fangio, dominou nos anos 50, Brasil dominou entre os anos 70 e 80, assim como a França, a Finlândia teve mais sucesso a partir dos anos 90 e a Alemanha tem dominado de forma clara e quase absoluta desde 2000 até agora, com Schumacher e Vettel a serem campeões por 8 vezes em 12 anos.
A Grã Bretanha aparece de forma constante ao longo do tempo, tendo campeões que se destacaram em praticamente todas as “eras” da F1, produzindo com regularidade bons.

Podemos concluir então que a nacionalidade pouco tem  a ver com a probabilidade de vir a ser bem sucedido na F1. Exceptuando o caso dos UK onde a grande tradição na F1 e o facto de 9 equipas do grande circo terem a sua sede no território britânico, o que tem grande peso a nível cultural ( os britânicos sempre tiveram uma paixão enorme pelas corridas automóveis), a nacionalidade pouco influi na probabilidade de vir a ser bem sucedido. Tem mais a ver com a conjugação de vários factores. Essencialmente talento, que poderá levar o piloto a ser notado e sorte de entrar na equipa certa ou de ter financiamento que lhe permita subir à F1 e ficar até mostrar o seu valor. E como o automobilismo exige um investimento algo avultado nem todos são aqueles que podem  tentar a sua sorte. A questão cultural de cada pais no caso da F1 não se coloca da mesma forma, também por ser um desporto muito diferente dos outros.

E como se pode ver, ser campeão não é para qualquer um. Da quantidade enorme de pilotos que ja passou pela F1,(cerca de 800) apenas 32 até agora souberam o que é estar no topo do mundo. Ser o melhor de todos.

Fábio Mendes

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