Richard Burns

Hoje vou falar de Richard Burns. Tentarei pesar bem o que vou escrever pois recordar este tremendo piloto torna as emoções vivas e trás as lágrimas aos olhos. Foi sem dúvida um dos pilotos que me fez apaixonar por rally´s, e que me enche de saudades dos tempos em que ele fazia magia ao volante de todos os carros que pelas suas mãos passaram. Tu Burns, eras simplesmente fantástico.

Quanto a mim, Richard Burns foi um dos melhores e mais completos pilotos que a história dos rally´s viu. Burns unia irreverencia à calma, rapidez à espectacularidade. Do rosto fechado em prova ao sorriso fácil para todos os que o abordavam. Burns, deixou-nos em 2005 com apenas 34 anos, após ter sido detectado um tumor cerebral em 2002, infelizmente Richard perdeu esta etapa.

Richard Burns nasceu em Reading, arredores de Londres, em 1971.Seguindo a tradição inglesa, o jovem Burns também era um apaixonado pelos rally´s, e aos 15 anos de idade tirou a licença de piloto, num curso de pilotagem no Pais de Gales. As primeiras provas foram ao volante de um Talbot Sunbeam, mostrando desde então grande aptidão para a arte de pilotar um carro de rally, despertando a atenção de um empresário e antigo piloto, David Williams.

Williams encantado com as qualidades de Burns, financiou a sua participação no Peugeot Challange , ao volante do 205 GTI. O jovem Britânico bateu tudo e todos, vencendo nesse mesmo ano, repetindo a façanha no ano seguinte. Estreou-se numa prova do mundial de rally´s em 1993, no Rally RAC, ao volante de um Peugeot 309 GTI. Antes disso, disputou em 1991 e 1992 o campeonato Britânico, pela Peugeot, despertando o interesse do patrão da Subaru, David Richards que em 1993 lhe concedeu um Lagacy, onde se sagrou campeão Britânico e ao mesmo tempo conseguiu ser o 3º piloto da marca nipónica, ao lado dos gigantes McRae e Carlos Sainz.

Em 1994, tem um programa completo no Campeonato Asia-Pacifico, essencial para o crescimento da marca Asiática, conciliando com um programa parcial no mundial de ralis na equipa oficial.

Em 1996, após despertar o interesse de muitas marcas, Burns assina contrato com a Mitsubishi, fazendo equipa com o finlandês, Tommy Makinen. E foi na marca Japonesa que Bunrs conquista a sua primeira vitória numa prova do mundial de rally´s, na Nova Zelândia ao volante do Carisma GT. Voltando ainda a ganhar provas do mundial em 1998 no Quénia e em casa, na Grã-Bretanha, antes de voltar para a Subaru.

Em 1999 David Richards, patrão da Subaru, volta a resgatar o piloto para as suas fileiras, e nesse mesmo ano, Burns sagra-se vice-campeão do mundo de rally´s, repetindo a posição no ano seguinte, embora com um amargo na boca nas duas ocasiões, pois o piloto britânico venceu 14 provas nesses dois anos, 7 em cada época. Mas a pouca fiabilidade do seu Subaru Impreza, fizeram-no perder pontos importantes, que não permitiram a vitória no mundial.

Mas em 2001, essa vitória não fugiria a Burns. Sagrou-se pela primeira vez campeão do mundo, vencendo apenas um rally (Nova Zelândia), que seria infelizmente a sua última vitória.

Em 2002 assina com a Peugeot um contrato milionário, que obrigou a marca francesa a pagar uma quantia astronómica à Subaru pelos seus direitos. Mas as coisas não foram fáceis para Burns, pois o 206 WRC era um carro totalmente diferente de tudo que tinha conduzido até então. A primeira época consegue quatro segundos lugares, e o quinto lugar no mundial de pilotos. Na época de 2003, as coisas melhoraram para Burns, chegando a última prova da temporada, o RAC em boas condições para conquistar o seu segundo título mundial de pilotos, pois já havia ganho esta mesma prova em 1998, 1999 e 2000. Na mesma semana voltou a assinar contrato com a Subaru, a sua marca do coração, que prometia dar muita animação a época seguinte, pois também contava com o recém campeão Petter Solberg. Contudo Burns, não voltaria a sentar-se ao volante do mítico Impreza.

Na viagem para o local do rally RAC, Burns, acompanhado pelo seu amigo, também piloto, o estónio Markko Martin, desmaia ao volante da sua viatura, sendo levado para as urgências de imediato, sendo logo proibido de participar no Rally que o podia consagrar de novo como campeão do mundo.

Foi-lhe diagnosticado um tumor no cérebro. Richard Burns lutou durante 2 anos na mais dura “especial” da sua vida, submetendo-se a quimioterapia e radioterapia. Burns, perdeu esta etapa, a 25 de Novembro de 2005 num hospital em Londres, no mesmo dia em que se sagrara campeão do mundo 4 anos antes

O mundo dos ralis não estava preparado para esta notícia. Eu acabava de perder um dos meus grandes ídolos de sempre, um grande mentor para todos que amam esta modalidade. Alguém que me fez vibrar, apaixonar pelo rally, que me fez acreditar que é possível chegar aos nossos limites, com um sorriso na cara. Um vencedor, um campeão nato, que nasceu e viveu apenas para isto, para ser campeão…

Richard Burns passou e deixou a sua marca em Portugal também, vencendo o nosso Rally em 2000. Lameirinha, Arganil, Portugal, o mundo e desculpem-me o egoísmo, eu próprio, nunca vamos esquecer tudo o que este grande piloto e grande ser humano nos ensinou, que apesar de à distancia de uma “tela” me era tão próximo e tão familiar.

Obrigado Richard, pelas memórias e por tudo que me ensinaste, a mim e ao mundo.

Tributo do Top Gear:
Foto: Robert Reid
Carlos Mota

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