Os novos motores: o som da nova era, mas que já não é o que era.


Muita tinta ainda vai escorrendo sobre os novos motores e as novas regras da F1.
As opiniões sobre as mudanças:
Muitos dizem que os motores deviam ser maiores. Pessoalmente não acho. Devem ser muito potentes, isso sim, agora o tamanho não deve ser relevante, desde que permitam as velocidades que estamos habituados ou até mais.

Outros dizem que não devia haver restrições de combustível. Concordo, o piloto não deveria levantar o pé para poupar combustível. Mas isso acontece agora, porque os motores não estão ainda afinados. Não se pode pedir que se faça uma mudança tão drástica e que se façam apenas 12 testes, de forma que esteja tudo bem já. Ainda vai demorar algum tempo, mas por certo o combustível deixará de ser um problema. 

Os testes poderiam ser uma forma de ganhar mais dinheiro e permitir que países que não recebem a F1, pudessem ter contacto com a modalidade. Não seria bom termos uma semana de testes no Estoril? Assim Portugal também tinha contacto com a F1, o histórico circuito do Estoril voltaria a receber os monolugares e a publicidade faria com que tudo isso se pagasse. Quanto mais os carros aparecerem, mais valiosos se tornam. E os carros estariam nesta altura 100% preparados para este novo ano, evitando este falatório todo.
Mas o assunto que está muito na moda é o som dos motores.  E se a primeira amostra em Jerez até nos deixou contentes, com as notas do turbo bem presentes, em Melbourne, pela tv, pouco disso se ouviu. Obviamente que o som não é tão dramático como o dos V8, o que era esperado. Isso desiludiu muita gente. Mas o mesmo aconteceu com a passagem dos V12 para os V10. E dos V10 para os V8. As mudanças são sempre aceites de forma lenta.

Foi mau mudar?
Mais uma vez defendo que esta mudança da F1 pode ser benéfica e muito interessante. Não vou repetir os argumentos. Vou apenas acrescentar mais um. A Renault estava decidida a largar a F1, se a filosofia da modalidade não mudasse. Resultado da mudança? A Renault ficou, a Honda voltou e espera-se que mais um construtor volte ( há rumores que a Cosworth poderá estar de regresso, outros dizem que a Ford poderá estar interessada). Como o bom senso levou à mudança, a mudança poderá trazer uma F1 de volta aos velhos tempos, com mais competição.
Mas há algo que está acima do bom senso. A emoção. E um motor poderoso no red line é algo que todos os amantes de automobilismo adoram. Tirem o som a um motor e a emoção… desvanece. E a F1 vive também muito da emoção que a potência do motor provoca. E este ano pela tv a emoção é um pouco menor.

Depois de ver muitos relatos de pessoas que foram ver na pista, parece-me que infelizmente não temos pela tv a verdadeira noção do som das unidades motrizes deste ano. Ou seja a Tv anda-nos a enganar um pouco. Ao vivo os motores soam melhor (diz quem ouviu).

O que achar disto tudo?

O que concluir? A minha opinião é simples. Sim a estes novos motores, sim a esta nova tecnologia, mas não se esqueçam que nós, os fãs, queremos sentir arrepios quando os carros vão a chegar ao limite. Queremos sentir o poder a cada redução.

A cada mudança de motores e de sistemas, haverá a inerente mudança na sonoridade. A maioria entende isso. Só pedimos para voltar a sentir o arrepio nos onboards, e na pista . É só aumentar um pouco o volume do motor e do turbo. Os fãs agradecem. Há outras formas de tornar o som dos motores agradável para os fãs.
O R18 e-tron é também um híbrido, tal como um F1, mas quem já o ouviu passar, não ficou nada desiludido com o “falar” do bicho. Muito pelo contrário. Como tal não é a evolução técnica que vai tirar a emoção ao desporto. Não se assustem. É só afinar um pouco os instrumentos. Talvez subir um pouco mais as rotações. A verdade é que poucos os motores foram ainda “esticados” ao máximo, porque há muita coisa a afinar. Mas quando chegarem ao limite, pode ser que nos surpreendam.
É engraçado ouvir o tio Bernie dizer que este novo som dos motores vai matar a modalidade, quando ele é um dos responsáveis pela crise que a F1 atravessou e que ainda atravessa. Criticar é simples, mas ideias para melhorar o desporto não aparecem com frequência. Para alguns dos ofendidos que agora se ouvem, parece que  a F1 devia ser como nos anos 60. Nada de novo que se faz é de valor. “Antigamente é que era”. Velhos do Restelo dirão alguns.
Claro que para um fã de automóveis, pouco haverá que possa bater o som dos V12 de antigamente. Eu também prefiro mil vezes os V12, do que o som da nova era. Claro que prefiro o som dos V12 ou V10 ou V8. Mas deveremos parar de evoluir por causa deles? Deveria o grande circo manter-se na mesma, só porque as mudanças não agradam a todos? Avançar é um processo que pode ser penoso, mas nem por isso se deve parar de avançar.
E ainda temos o som dos V12 e V10 por aì pela estrada. Lamborghini, Ferrari, Aston Martin, Pagani… Obras de arte sobre rodas, com um cantar belíssimo, que poderão percorrer as estradas por mais tempo, graças a evolução tecnológica que a F1 lidera.
A evolução do som da F1:
Que estes sons se mantenham por muito tempo:
 Já agora este híbrido soa mal? Acho que não:
Fábio Mendes

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