As vítimas da revolução.

A história ensina que, cada vez que existe uma revolução, há uma mudança de paradigmas e que as revoluções são o “lugar ideal” para que novas caras surjam, novas ideias tomem lugar. Mas as revoluções trazem consigo um peso que não pode ser esquecido. O peso das vitimas que elas acarretam. Nesta revolução da F1, há duas vitimas que pela sua notoriedade e pela sua importância no grid, estão a sentir e de que maneira estas novas mudanças.Falamos de Sebastian Vettel e Kimi Raikkonen. O tetra campeão do mundo e campeão em titulo, tal como o campeão de 2007, estão na “mó de baixo” e passadas 4 corridas do calendário, pode se dizer que a pressão e o desânimo começam a apoderar-se dos dois pilotos.

Começando pelo caso “menos grave”, Vettel é neste momento 5º no campeonato, logo atrás de Hulkenberg e seguido de Ricciardo. Mas, embora na frente do seu companheiro de equipa, Vettel tem estado abaixo do que habituou os fãs. Ricciardo está em 6º porque perdeu os pontos da 1ª corrida em Melbourne, onde a Red Bull quis ser mais esperta que os outros e acabou por pagar, justamente, a factura pela insolência. Ou seja, oficialmente, apenas Vettel tem um pódio no seu activo em 2014 na Red Bull, tem 9 pontos de vantagem sobre o seu companheiro de equipa, mas os holofotes tem estado virados para Ricciardo. Porquê? Simples, ninguém esperava que o australiano mostrasse tanto em tão pouco tempo. Já é a 2ª vez que se ouve na rádio que Ricciardo é mais rápido que Vettel. 

Como tal não são os pontos que tem, ou os resultados que tem feito até agora que põem em causa “Seb”. Tendo em conta que no inicio do ano, pensar na Red Bull no pódio era conversa utópica ou de quem tinha passado a noite com o Sr Johnnie Walker (com os conhecidos efeitos que tal companhia provoca). Estes resultados de Vettel, vistos por esse prisma são muito bons.

O que coloca em causa a posição do germânico é algo que poderá ser considerado injusto… As expectativas. Ninguém esperava que Ricciardo fizesse tanto e como está a surpreender pela positiva, está nas bocas do mundo. Já de Vettel, espera-se sempre muito e como não tem correspondido, começa a desiludir. Mais, Vettel era acusado de ter beneficiado de um carro excelente para vencer. Para provar que é de facto bom, tinha de ter um carro menos bom e continuar mostrar serviço (como faz Alonso por exemplo). E se na tabela as coisas não estão más, na pista a historia é outra. Ricciardo sente-se melhor no carro, é mais rápido e como tal Vettel, que sempre foi o menino bonito da equipa, começa a sentir-se posto um pouco de lado. 

É essa a pressão que está sobre Vettel. Não aproveitar a “oportunidade” de mostrar o seu talento num carro inferior, e estar a perder para o seu companheiro de equipa. Pode dizer-se que Vettel está a pagar por ter tido um carro excelente durante 3 anos seguidos. Apanhar agora um carro com menos apoio aerodinâmico, faz com que o seu estilo de condução, altamente influenciado pelas características dos Red Bull´s antigos, seja agora colocado em causa, com uma máquina de comportamento muito diferente. E como tal precisa de tempo para se adaptar. 

Mas se Vettel não corresponder este ano, correrá sérios riscos de ver o nº de “desconfiados” em relação ao seu talento aumentar. É isso que o deve estar a assustar e é isso que o pressiona. Será ele capaz de dar a volta ao texto? Pela capacidade de trabalho que tem, acho que sim e deverá mostrar mais em breve. Mas uma coisa é certa. Quando Vettel não larga da pole, o seu rendimento cai muito. E isso é um defeito considerável.

O caso mais grave é o de Kimi Raikkonen. O Iceman tem estado a anos luz do que já fez em pista. Ninguém duvida que estamos perante um dos mais talentosos pilotos do grid, mas as suas prestações começam a deixar toda a gente perplexa. E a perplexidade aumenta exponencialmente quando vemos do outro lado da garagem, um senhor chamado Alonso que continua a brilhar, mesmo com um carro fraco. Prova disso é a posição de cada um na tabela classificativa. Alonso está em 3º com 41 pontos e Kimi está em 12º com 11 pontos.

A ida de Raikkonen para a Ferrari era um duplo desafio. Enfrentar Alonso em “sua casa” onde se sente confortável e onde a equipa está toda de volta dele, além de tentar voltar a ser campeão. Já se viu que a parte do campeão vai ser muito complicada. Mas o que deverá estar também a pesar neste momento, é que no confronto Alonso vs Kimi, o espanhol está a vencer por K.O. o finlandês. E deve ser isso que está a mexer com Kimi. Ver que com o mesmo material, Alonso consegue fazer mais do que Kimi. E já se sabe que quando as coisas começam a correr mal, tudo é questionado. 

Começa-se a falar de falta de motivação do finlandês. Quanto a nós isso é treta, pois um piloto na Ferrari e com oportunidade de escrever o seu nome na história da equipa e lutar com um dos melhores, não pode estar desmotivado. 

Falou-se também da falta de trabalho de Raikkonen em relação a Alonso. Ai somos obrigados a concordar que a falta de “empenho” do Iceman e a sua atitude o estão a prejudicar. Este ano há muitas variáveis novas e o trabalho de simulador pode ajudar a minimizar essas variáveis. Alonso trabalha no simulador, fala bastante com os engenheiros, trata de colocar tudo o melhor possível. Kimi já disse que não vai ao simulador e não é conhecido por falar muito,até com os engenheiros. E poderá estar a pagar a factura. Os engenheiros estavam habituados a outro tipo de comportamento. E quando se chega a uma casa nova, não se pode ficar pela fama. É preciso mostrar algo mais e tentar colocar a equipa em seu redor de forma a ter a vida facilitada. Foi assim que Button conseguiu ser melhor que Hamilton na McLaren, mesmo toda a gente sabendo que ao nivel do talento Hamilton era melhor. Mas Button chegou, soube conquistar a equipa com a sua atitude o seu trabalho e tudo isso levou a que tivesse melhores resultados que Hamilton. É se calhar essa parte que Raikkonen não conseguiu ainda. Talvez a falta de comunicação seja o cerne do problema.
Ninguém duvida do seu talento, mas a sua atitude poderá ditar lhe o destino, tal como aconteceu com um piloto que admira… James Hunt. Um piloto talentoso, mas que devido ao seu carácter, apenas venceu um campeonato. Será essa também a história de Kimi Raikkonen? Esperemos que não, pois faz falta o verdadeiro Kimi em pista. Mas só depende dele reencontrar-se. Estará ele disposto a lutar por isso?
São estas as duas vitimas das mudanças radicais da F1 este ano, que curiosamente são amigos fora de pista. Raikkonen não é efusivo com muitos pilotos mas nota-se muita afinidade com Vettel, que também nutre grande admiração pelo finlandês, algo assumido publicamente por ambos. Terão talento e capacidade para dar a volta ao texto? Acreditamos que sim, mas se esta situação se arrastar, o desafio mental poderá começar a ser demasiado complicado e os “fantasmas” poderão tornar-se de tal forma grandes que a confiança dos pilotos poderá ficar fatalmente comprometida para este ano. Não há nada pior que um piloto com falta de confiança, num desporto que não costuma ser complacente com quem fraqueja.

Fontes:
statsf1com

Fotos:
retiradas de google.pt
Foto de Alonso retirada da pagina de Facebook “In Pole Position F1”

Fábio Mendes

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