Nico Hulkenberg: Para quando o salto merecido?

Esta época tem sido recheada de surpresas. Pilotos que se mostram agora ao mais alto nível, pilotos de topo que não conseguem mostrar o seu talento, equipas que ressurgem… Temos tido de tudo um pouco. Mas no meio de tanta mudança, ainda há coisas que se mantêm. Uma delas, são as prestações de Nico Hulkenberg. O germânico continua num nível excelente, nível este que vem mantendo de há 2 anos a esta parte. “Hulk” tem sido, quanto a nós, um dos melhores e mais regulares pilotos do grid.
Nascido em 1987 e a competir desde 1997, o seu talento tornou-se óbvio bem cedo na sua carreira, tendo vencido em 2005 a Formula BMW ADAC, em 06/07 a A1 Gran Prix, ganhando 9 corridas logo no seu primeiro ano, fazendo dele o piloto mais bem-sucedido da categoria. Venceu ainda o Master de Formula 3 em 2007, a Formula 3 Euro Series em 2008 e a GP2 Series em 2009, tendo vencido na sua época de estreia, algo que só Hamilton e Rosberg conseguiram.

Um currículo de luxo, que lhe permitiu subir a categoria rainha em 2009, sendo piloto de testes pela Williams. No ano seguinte passou a ser piloto principal, juntamente com Rubens Barrichello. A sua primeira época foi de altos e baixos e a equipa não teve paciência para esperar pelo melhor Hulkenberg. Antes do final da época, os rumores eram fortes de que o alemão seria substituído pelo campeão da GP2 Series… Um tal de Pastor Maldonado, que trazia com ele muito dinheiro (uma decisão que certamente ainda é muito lamentada). Antes de sair, foi ainda a tempo de conseguir a Pole Position no GP do Brasil, a mais de um segundo à frente de Vettel, acabando em 8º. Uma forma de dizer “ vocês vão sentir saudades minhas”.

Em 2011, seria piloto de reserva da Force India, e em 2012 finalmente voltaria a ser piloto principal, também na Force India, ao lado de Paul di Resta. Começou finalmente a dar nas vistas, com uma condução rápida, regular e que permitiu marcar 63 pontos e acabar em 11º.
Em 2013 mudou-se para a Sauber, depois da mudança de Sérgio Perez para a McLaren. A qualidade de Hulkenberg pedia outros voos, mas a equipa da Sauber vinha de um excelente campeonato e como tal abria perspectivas positivas para um crescimento sustentado do piloto. Foi considerado por muitos, um passo “ao lado”, mas ainda assim poderia ter hipóteses de lutar por algo mais. Mas ao contrário do que esperaria, o ano começou de forma péssima, com o monolugar da Sauber a ser muito fraco. A equipa foi no entanto evoluindo o carro e como isso Hulkenberg pode voltar a brilhar, essencialmente na 2ª parte da época, onde fez uma sequência de excelentes resultados. Acabou em 10º com 51 pontos, mas o que ele conseguiu fazer com o Sauber, merecia muito mais. Merecia um pódio no mínimo, alog que esteve próximo de acontecer em Monza e na Coreia do Sul. A sorte não lhe sorriu, mas só um cego não viu o talento de Hulk.
Em 2014 regressa à Force India, uma casa que conhece bem e que montou uma equipa ambiciosa. Faz dupla com Perez, uma das duplas mais interessantes do grid.  Mas até agora só tem dado Hulkenberg. Tem pontuado em todas as provas realizadas, é 4º no campeonato e está a aproveitar como ninguém o chassis muito bom da Force India. Perez já conseguiu um pódio é certo, mas não tem estado a altura de desafiar o seu companheiro de equipa.
A história de Hulkenberg merecer uma equipa de topo, já é repetitiva. Martin Brundle, cuja opinião respeitamos muito, disse que era Hulkeneberg que merecia o lugar na McLaren. Na altura achamos o contrário e na comparação entre os 2 pilotos, Perez saia ligeiramente por cima e como tal compreendemos e apoiamos a decisão da McLaren. Mas o passar do tempo mostra que Hulkenberg é neste momento, melhor piloto que Perez (continuamos a achar que Perez pode fazer muito mais do que tem feito até aqui).
Hulkenberg tem tido manifestamente pouca sorte para o talento que tem. No ano em que a McLaren procurava um piloto, Perez destacou-se logo no início da época e ficou com o brilho dos holofotes para ele. No ano a seguir, quando se pensava que a Ferrari ia apostar em Hulk, Raikkonen ficou “livre” para assinar com a Scuderia. É algo dificil de explicar. Toda a gente aprecia o talento de Hulkenberg, mas na hora de assinar contratos parece que fica sempre para 2º plano ou que é esquecido. Além disso Hulkenberg é um dos pilotos mais altos do grid e como tal isso torna-o mais pesado. E hoje em dia, todas as gramas são ponderadas e até a fisionomia do piloto é tida em conta antes de assinar um contrato.
A tudo isto, Hulkenberg tem respondido com classe dentro de pista. Nunca desanimando, nunca desacreditando no seu valor. As suas prestações têm sido excelentes. Ainda não brilhou como Perez, que já teve momentos brilhantes e já tem 4 pódios no seu curriculo, mas é a regularidade que ganha campeonatos. É um dos pilotos que queremos ver no pódio em breve e quando isso acontecer haverá festa entre os membros do Chicane. Finalmente tem um carro que, embora algo longe ainda, o poderá fazer subir ao lugar mais ambicionado por todos os pilotos. Um lugar que merece.

Esperemos ver Nico Hulkenberg, numa equipa que lute pelo título no futuro e ver do que é de facto capaz. E não nos venham com histórias que o homem é pesado. Mesmo este ano, com as restrições todas e com as dietas loucas, Hulkenberg continua a ser, rápido regular e competitivo. A F1 não é uma questão de fisionomia. É uma questão de talento. E Hulkeneberg é de facto um talento.

Fontes:
wikipédia.com
statsf1.com

Fotos:
retiradas de google.pt


Fábio Mendes

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