F1 – GP da Áustria. Os ares das montanhas fizeram bem à Williams mas não impediram mais uma vitória da Mercedes.

Não foi uma corrida tão emotiva como se esperava, no lindíssimo traçado do Red Bull Ring, uma pista que alia à simplicidade do traçado, a beleza da vista. Uma pista à antiga que foi reaproveitada e com grande sucesso. 100000 pessoas para ver a F1, numa das melhores assistências da época. Tempo para Bernie fazer contas e pensar se realmente não será melhor investir mais na Europa.
Mercedes:
Rosberg partiu para a corrida com um optimismo moderado. Se por um lado os Williams eram muito fortes em linha recta (mais fortes que os Mercedes), o que poderia dificultar a luta pela vitória, o alemão sabia que Hamilton partia de 9º, o que ao nível das contas do campeonato poderia ajudar e muito. Rosberg conseguiu chegar ao primeiro lugar fruto de uma estratégia mais apurada. Os Mercedes vieram para a box mais cedo e conseguiram assim passar os Williams, que demoraram a responder. A partir daí, foi gerir o carro que mais uma vez deu alguns problemas, mas que Rosberg conseguiu minimizar. Já Hamilton fez uma corrida excelente. A primeira volta vai ficar para a história deste campeonato. Subir de 9º para 4º e colocar logo pressão em Rosberg é a prova do talento do britânico. É verdade que foi penalizado por  um pit stop mais lento, o que o fez sair atrás de Bottas, mas para quem queria apenas minimizar o estrago de uma sessão de qualificação francamente má, não foi nada mau. Falou-se em favorecimento de Rosberg em detrimento de Hamilton mas hoje a estratégia foi bem montada e Lewis até teve a prioridade na segunda ida as boxes. O que provavelmente estará em causa na perda de 1.9 seg no total das paragens em relação a Rosberg é a colocação do carro de Hamilton na box e o seu tempo de reacção em relação à ordem de saída. 1.9 seg no dia a dia é mínimo, mas na F1 como se vê pode custar uma vitória.  A distância entre os dois aumentou mas não podemos esquecer que ainda há muitas corridas pela frente e que a última vale a dobrar. Em relação ao conflito Rosberg vs Hamilton tudo parece estar resolvido, embora seja claro que é uma paz podre.
Williams:
Muito se falou e escreveu sobre o potencial da Williams este ano. O carro é bom e era apenas necessário fazer pontuais melhorias e deixar o azar para trás. Finalmente esse passo foi dado. Bottas conseguiu o seu 1º pódio e a equipa voltou ao pódio depois da vitória em Valencia em 2012. O finlandês foi como sempre discreto e eficaz, fazendo uma corrida excelente e ficando a 8 segundos dos Mercedes, mostrando que a diferença entre as equipas está a diminuir gradualmente. Massa por seu lado prometeu muito mas ficou-se pelo 4º. Muitos esperariam que seria o regresso do brasileiro ao pódio, mas a estratégia pouco ambiciosa da Williams estragou meia corrida e a entrada em modo poupança estragou a outra metade. Massa esteve sempre demasiado longe do grupo da frente, pois o carro aqueceu muito e como tal o brasileiro teve de gerir o andamento para cruzar a linha de meta. Ainda assim não é um mau resultado. É bom ver depois da desilusão do Canadá, que a equipa soube ultrapassar e manter-se focada. É preciso ter em conta que há menos de 12 meses era uma equipa que lutava pelas últimas posições e este fim-de-semana fez pódio. Uma evolução notável, que com a entrada recente de novos investidores poderá continuar. Bem-vinda de volta Williams. Tínhamos saudades.
Ferrari:
Alonso considerou que esta foi a sua melhor corrida do ano. Não foi possível ver muito pois as atenções estavam voltadas para outras lutas mas Alonso continua a levar água ao moinho da Scuderia que vai dando passos em frente é certo, mas continua longe dos desempenhos que deveria ter. Problemas com os pneus na primeira parte da corrida do espanhol prejudicaram as hipóteses de Alonso fazer melhor. Raikkonen por seu lado continua em “serviços mínimos”.  Embora com problemas nos travões, o Iceman esteve mais uma vez a milhas do que pode e deve fazer.  Ver Alonso contente por ficar a 18 segundos dos Mercedes e Raikkonen acabar em 10º depois de uma corrida medíocre, faz doer o coração de qualquer fã de F1. A Ferrari continuar a esbanjar o potencial humano que possui. É certo que o carro tem evoluído mas é uma evolução tão lenta quanto o carro em pista. A McLaren falou esta semana em mudança de filosofia na equipa, algo que está a acontecer em Maranello mas cujos resultados ainda são poucos visíveis. Para quando a Ferrari de volta?
Force India:
Que grande corrida de Perez! Depois do acidente com Massa e da respectiva penalização que o fez cair para o 16º lugar da grelha de partida, o mexicano fez uso do seu talento para recuperar e até liderar a corrida. “Checo” continua a saber poupar como ninguém os pneus e isso valeu –lhe este excelente resultado. Nas corridas tem sido muito forte, mas continua a pecar na qualificação, o seu ponto fraco e que tem de melhorar para ser um piloto de top. Ontem foi inteligente para atacar quando devia e abdicar de lutas que não o beneficiariam. Não foi uma corrida vistosa, mas sim inteligente o que lhe valeu bons pontos. Hulknebergpor seu lado teve o pior desempenho do ano. Continua a pontuar mas ontem ficou a 16 segundos do seu colega de equipa. O alemão admitiu que não esteve bem. Mas o pior dia de Hulkenberg valeu ainda 2 pontos.
McLaren:
Magnussen confirmou a boa prestação da qualificação com um positivo 7º lugar. O jovem dinamarquês teve uma prestação positiva, sem problemas de maior e o 7º servirá para motivar “Kev” que bem precisa. Já Button em 11º teve problemas na primeira parte da corrida com os pneus, o que prejudicou o resto do seu desempenho, num fim-de-semana mau para o britânico. Não deverá ser julgado por esta corrida pois o que tem feito pela McLaren merce respeito mas foi uma corrida onde não se viu Jenson. Mais melhorias foram introduzidas pela equipa no carro, melhorias que foram positivas mas que ainda não deram provas na pista. No entanto a equipa parece optimista e isso é um excelente sinal.


Red Bull:
Depois da vitória no Canadá um fim-de-semana fraco com um 8º para Ricciardo e mais uma desistência de Vettel. Mais uma vez o alemão a desistir, depois de uma falha no sistema eléctrico que o atirou para último lugar. Uma vez que não seria de esperar uma recuperação até aos pontos, a equipa optou por poupar a unidade motriz, sendo que esta que é a 3ª vez que “Seb” não vê a bandeira de xadrez este ano. A Red Bull voltou a bater o pé a Renault exigindo mais, o que é legítimo, mas a verdade é que a afinação do carro também não foi a melhor com Ricciardo a não conseguir extrair o habitual do RB10. Falou-se esta semana que a Red Bull poderá começar a fazer o seu próprio motor e fornecedoras de componentes de unidades motrizes foram vistas no paddock. Será este um sinal? Esta época tem sido de altos e baixos para a Red Bull mas em casa esperava-se melhor por parte da equipa campeã em título. Vettel não deve estar nada contente e ou as coisas mudam na equipa ou as mais que prováveis vagas na Ferrari poderão começar a ficar interessantes para o alemão.
Lotus:
Um mau fim de semana para a equipa que teve vários problemas com os carros. Grosjean foi o mais castigado com problemas de caixa. A equipa arriscou e trouxe o carro para as boxes para tentar um Set Up mais agressivo, risco que valia a pena pois largar de último ou das boxes é quase a mesma coisa. Ainda assim a estratégia não resultou e o francês apenas conseguiu o 14º, com problemas de motor, de falta de apoio aerodinâmico e de travões. Maldonado,em busca de confiança manteve-se longe dos problemas com adversários e fez 12º também ele com problemas nos travões. Um fim-de-semana mau para quem vinha a melhorar gradualmente.
Sauber:
Nada de novo na equipa de Peter Sauber. Sutil  13º e pouco mais a dizer e Gutierrez último devido a um incidente na box. Um pneu mal apertado fez o mexicano perder muito tempo e a consequente penalização de 10 segundos arruinou por completo uma corrida que já nada traria de positivo. Para piorar, Gutierrez terá uma penalização de 10 lugares. Deve se penalizar estas situações em que se facilita nas boxes mas penalizar duplamente parece excessivo.
Marussia/ Caterham:
Mais uma vez a Marussia a levar a melhor. Kobayashi ainda se manteve na frente deste grupo por algum tempo mas mesmo no final teve de regressar as boxes depois de 55 voltas com o mm conjunto de pneus, deixando o caminho livre para o inevitável Bianchi ficar na frente. A estratégia mal gizada da Caterham comprometeu aquele que podia ser um resultado que voltasse a motivar a equipa. Chiltone Ericsson a completar as últimas posições sem surpresas. Como diz o ditado popular, quem dá o que tem…


Toro Rosso:
Dupla desistência para a equipa satélite da Red Bull, numa corrida que até poderia trazer um ou dois pontos. Colapso da suspensão para Kvyat e problemas nos travões para Vergne tornaram este fim-de-semana num dos piores do ano. Mas a equipa está bem com bons pontos na tabela dos construtores e como tal deverão regressar às boas performances já em Silverstone.
Travões:
Este GP foi mais uma vez marcado por falhas nos travões. Não tiveram as consequências dramáticas do ultimo GP mas ainda assim as equipas tiveram necessidade de gerir e muito os travões. Algo que tem de ser revisto por toda a gente.
Tudo dito em relação a este Gp, o próximo encontro está marcado para dia 6 de Julho na Grã-Bretanha.

Fotos:

retiradas das páginas oficiais das equipas de F1

Fábio Mendes

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