Na primeira pessoa. Qual o futuro do WRC?

 

Foto: @world
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É de controvérsia e de incógnita o momento que se vive em alguns dos mais mediáticos campeonatos múndias geridos pela FIA, como por exemplo a F1, a viver uma “crise” de identidade, onde deixou de se dar lugar aos bons pilotos, passando a sentar no “cockpit” os mais abonados em euros, bem como a realização de provas em países que, perdoem-me o termo não lembra nem ao diabo. O interesse desportivo perdeu a corrida contra o interesse económico.

No WRC os tempos também são de “esquisitices”, e com várias dúvidas a assombrar o mundial de ralis, e se nada for feito a tempo para inverter esta situação, poderemos estar a assistir ao “princípio do fim” do campeonato do mundo de ralis, pois a falta de um bom promotor do campeonato, que aproxime mais os adeptos do que se passa durante a prova, está a tornar este campeonato monótono, onde quase só podemos assistir em “live timing”. Não chega pois os fãs querem ver a acção, querem ver o que se passa em tempo real, em imagens, querem sentir-se dentro da prova e isso não acontece. As transmissões são escassas e só praticamente nos dão o “miminho” final de ver a “power stage”, onde praticamente já nada se decide, pois no fim ganha sempre um Volkswagen, outro dos problemas.

É certo que a marca alemã não tem culpa de ser a melhor de todas, de ter o melhor carro e os melhores pilotos, e de nos últimos dos anos ter dominado por completo o WRC, vencendo o campeonato de construtores e de pilotos. Mas também nada parece estar a ser feito, muito menos pensado para tentar equilibrar mais as contas. É claro que isto é um “ faca de dois gumes”, pois não se deve penalizar quem faz bem o seu trabalho de casa e a Volkswagen faz. Mas por outro é mais um factor que afasta os adeptos do campeonato, que já teve melhores dias, e o panorama apresentado não é de todo o mais entusiasmante. Senão vejamos:

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Temos a Volkswagen que domina a seu belo prazer e só uma hecatombe, como a do rally da Alemanha, faz com que não seja um piloto da marca alemã a vencer uma prova e consequentemente o campeonato. A Ford deixou de apoiar o projecto da M-Sport, deixou de haver evolução do Fiesta e os resultados estão à vista… Pois, que resultados?  Um “line up” fraco, um carro a precisar de um “refresh”, faz com que só preencha a lista de inscritos, enquanto esperam pelos azares dos demais para conseguir aqui e ali um pódio. A Citroen que construiu um carro para Loeb, viu este “fugir” para o WTCC, e nem Meeke nem Ostberg têm estofo e para ombrear com Latvala ou Ogier, se bem que o britânico poderá ainda, quem sabe no futuro, chatear os homens da Volkswagen, faltando saber se a Citroen irá ficar no WRC a tempo de isso acontecer. Mas para já, resultados práticos, zero. A Hyundai continua o seu processo de evolução do I20 WRC, que esta temporada até já venceu, mas precisou que os três Polo WRC ficassem pelo caminho.

Ora bem, temos um campeonato monomarca a três, e temos todo o resto de um pelotão do WRC a festejar os pódios que às vezes conseguem. Para quem gosta de ralis isto não chega.

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A verdade é que as soluções podem não ser muitas. Não podemos agora pôr lastro num carro de ralis, nem Ogier e Latvala podem partir para cada prova com 2 minutos de atraso, para equilibrar as coisas. Jost Capito, o homem forte da Volkswagen, sugeriu uma mudança no formato da prova para a próxima temporada, de forma a dar maior visibilidade ao campeonato, pois as marcas investem, logo querem ter retorno. Não havendo publico, não existe retorno. É uma matemática simples. A ideia do “boss” da Volkswagen era aplicar o molde americano do “shoot out”, onde os três pilotos mais rápidos de todo o rally, iriam disputar a última especial e decidir aí o vencedor do mesmo, fazendo com que até a derradeira PEC tudo ficasse por decidir, e que essa ultima PEC fosse uma autentica final, prendendo desta forma os fãs e as atenções até ao último metro da prova. Conclusão? Proposta chumbada, e tudo na mesma! O que deve mudar é somente a ordem de partida nos dois primeiros dias de prova, sendo a classificação do campeonato a delinear a mesma. Ou seja, o líder do campeonato abrirá a estrada nos dois primeiros dias, sendo que no último dia do rally inverte a classificação dos pilotos prioritários. Até que nem nos parece mal, mas a verdade é que ainda muito há para discutir acerca disto, e muita tinta para rolar.

Certo é que Capito já deixou o alerta, afirmando estar pessimista em relação ao futuro do WRC, dizendo mesmo, e passo a citar, “no final de 2015, olharemos para os números. Veremos como eles melhoram desde 2014 e depois tomamos a decisão de ficar no WRC ou sair no final de 2016”. Tocou a alarme para queles lados, e se isso acontecer, mesmo aliado ao “desinteresse” da Citroen, ao não apoio da Ford no projecto M-Sport e às dúvidas acerca da Toyota entrar ou não do mundial de ralis, esta seria mais uma facada num campeonato que já viveu melhores dias. A verdade é que as coisas não estão fáceis, e um tal de WRX começa a ganhar fãs, visibilidade, pilotos conceituados e as marcas começam a parecer. Que sirva de exemplo.

Há, enquanto isso para a próxima temporada, os pilotos usaram patilhas nos volantes, em vez da tradicional “manete” de mudanças manual…sem mais comentários!

Na primeira pessoa, Carlos Mota.

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