Button vs Magnussen : A escolha difícil da McLaren

foto: XPB Images
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A novela vem a arrastar-se desde o último terço da época, quando a McLaren iniciou conversações com Alonso que, ao que tudo indica, irá mesmo regressar a Woking para o seu assalto final ao título.

Mas há ainda um grande ponto de interrogação para 2015. Quem será o parceiro de Alonso (caso se confirme a ida do espanhol para a McLaren)? Button ou Magnussen?

A escolha é difícil e a McLaren fez questão de se dificultar a vida a si e aos pilotos. Estamos a 2 de Dezembro e praticamente todas as equipas têm os Line Up´s fechados. Ou seja quem receber uma má notícia, pode ficar irremediavelmente fora da F1, o que é claramente injusto quer para um, quer para outro piloto.

 

Foto: XPB Images
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Kevin Magnussen é um jovem, tem 22 e um potencial tremendo. Foi campeão da WSR 3.5 no ano passado e os seus desempenhos valeram-lhe a entrada para a equipa, para o lugar de Sérgio Pérez. Quanto a nós o primeiro erro da McLaren foi cometido aí. Pérez deveria ter ficado mais um ano na equipa. A sua qualidade e o seu potencial mereciam outra oportunidade. Magnussen teria sido inserido na equipa como piloto de reserva ou melhor ainda, numa equipa do meio da tabela, para começar a ganhar experiência. A McLaren resolveu antecipar o futuro do jovem dinamarquês. Mandou Pérez embora e colocou Kev ao lado de um campeão do mundo.

Com a equipa em clara fase de mudança a escolha tinha alguma lógica. Trazer um jovem para a equipa, enquanto a mudança para a Honda se dava, para ele começar a ganhar rotinas, sem a pressão da luta pelo título. Um passo que se entende mas, quanto a mim, não o mais correcto.

Magnussen não deslumbrou no seu ano de estreia. Acabou o ano em 11º (atrás de Pérez, curiosamente), com 55 pontos marcados e um 2º lugar na primeira corrida do ano (Melbourne). Não se pode considerar um mau ano para um rookie, mais ainda dadas as circunstâncias (uma equipa em reformulação e um carro francamente mau). Mas como termo de comparação, o jovem Magnussen tinha…Button. E para além de ser complicado para um jovem chegar e afirmar-se logo numa equipa, ver o seu rendimento comparado com um piloto de topo, pode dar origem a injustiças.

Com esta entrada em cena de Alonso, se vê claramente que a entrada de Magnussen foi precipitada e que agora o dinamarquês está numa situação difícil. Se a equipa ponderasse mais o futuro e desse mais tempo para amadurecer a entrada de Magnussen, o futuro do jovem piloto não estaria em causa. Até porque na altura que Magnussen entrou para a McLaren, os boatos diziam que Ron Dennis tinha sondado Alonso para um possível regresso à McLaren.

 

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Jenson Buttton é o mais experiente piloto do grid. 34 anos, 14 deles passados na F1. Button é garantia de pontos e experiência para qualquer equipa. Desde que entrou para a McLaren, em 2010, tem sido o melhor piloto da equipa. Mesmo com Hamilton ao lado, e ao contrário do que muitos pensaram, Button soube conquistar o seu espaço e ser melhor. Ninguém duvida que Hamilton é “mais piloto” que Button, mas Jenson soube tirar partido dos seus pontos fortes. A inteligência em pista e fora dela, a forma como gere os pneus e o andamento, foram trunfos que lhe valeram o devido reconhecimento, numa fase em que Hamilton estava de cabeça perdida e já procurava claramente outros desafios.

Com a chegada de Pérez pensou-se que o britânico levaria um abanão, mas isso não aconteceu. Pérez não mostrou o talento que realmente tem e Button voltou a fazer o que sempre fez… O melhor com o material à disposição.

Com a saída de Pérez e a entrada de Magnussen, mais uma vez o peso e a responsabilidade de levar a equipa a bom porto ficou nos ombros de JB. E ele não desiludiu. Tendo em conta a “carcaça” que pilotou durante o ano todo, ficar em 8º com 126 pontos não se pode considerar mau também. Mais ainda, foi graças a Button que a equipa conseguiu manter o 4º lugar no campeonato de construtores, poupando muito dinheiro à equipa. Mais uma vez Button foi o melhor piloto em Woking.

 

E agora com estes dados quem escolher? A escolha é claramente difícil e tem dividido as chefias da McLaren.

foto: XPB Images
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Por um lado há Magnussen, um jovem com um potencial enorme, tendo fibra de campeão e que apenas precisa de tempo para confirmar isso. Do outro há Button, um piloto com muita experiência, muito inteligente, que poderá ser uma mais-valia tremenda para a evolução do carro e do motor Honda. Um piloto significa uma aposta a médio prazo que, por certo, dará frutos, outro significa uma evolução mais rápida e eficiente da nova parceira McLaren/Honda. Além disso é escolher entre um piloto que mostrou que pode ser muito bom e um piloto que garantiu pontos preciosos à equipa.

Os rumores sugerem que há um diferendo grande entre Ron Dennis, que prefere Magnussen e o outro sócio maioritário da equipa, Mansour Ojjeh, que prefere Button.

Seja qual for a escolha, um dos pilotos vai ficar a “arder” pois a decisão foi tantas vezes adiada que agora nenhum deles poderá ter assento na F1. E se para Button as portas do WEC estão escancaradas, para Magnussen o futuro, no caso de dispensa, não parece tão claro. E seria criminoso deixar um jovem com tanta qualidade de fora da categoria rainha. Mas por outro lado, é também criminoso deixar um piloto como Button de fora, quando já demonstrou inúmeras vezes que ainda tem o que é preciso para vencer na F1.

foto: XPB images
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Seja qual for a escolha será sempre difícil ver um dos dois ficar de fora. Mas a McLaren mostrou um desnorte claro e mais ainda uma falta de respeito tremenda para com os pilotos. Nesta altura o futuro de cada um deles já devia estar definido. Assim estão à espera ainda de uma decisão que só na quinta será tomada. É uma situação ingrata.
A minha opinião pessoal é que Button deveria ser o escolhido, mas acredito que Magnussen será o piloto que a McLaren vai manter. Button teria ainda 2 anos em bom nível e faria crescer muito a McLaren/Honda. A colocação de Magnussen seria crítica, e só o papel de 3º piloto poderia manter o jovem na F1 a curto prazo. Mas depois de ser piloto “titular”, passar a reserva seria duro. E como Button tem propostas do WEC é provável que a equipa tenha isso em conta também na decisão. O desfecho final? Provavelmente só sexta se saberá. E quando vemos pilotos pagantes com lugares garantidos desde o meio da época, ver qualquer um destes dois excelentes pilotos abandonar a modalidade custa.
Fábio Mendes

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