O que é feito de… Nelson Piquet Jr

foto in: mrn.com
foto in: mrn.com

Filho do tri campeão mundial de F1 Nelson Piquet, um dos pilotos de F1 mais bem-sucedidos do Brasil. Foi piloto da Renault por cerca de 3 anos sem nunca demonstrar resultados que justificassem a sua continuidade da categoria rainha, no entanto foi protagonista de um dos maiores escândalos de sempre da F1.

Tal como tantos outros, Nelson Piquet Jr. iniciou a sua carreira nos karts em 1993 com apenas 8 anos de idade. Em 1995 começou a competir em campeonatos de Kart, foi campeão brasileiro de Kart 3 vezes consecutivas (1997,1999,2000), campeão da “Copa Brasil” em 1999, campeão brasiliense de kart (1997 e 1998) e campeão “paulista” de kart em 1999. Em 2001, ao completar 16 anos, estreou-se na F3 Sul-americana já com 5 corridas realizadas no campeonato, mesmo assim conseguiu um 5º lugar no campeonato. Em 2002, voltou a competir na F3 Sul-americana mas desta vez desde o início da competição, foi campeão com 4 provas de antecedência, tendo conquistado sempre uma vitória e uma pole position em todas as pistas onde o campeonato foi disputado, no total Nelson Piquet obteve 16 poles e 13 vitórias.

Depois do sucesso que foi a sua “breve” mas vitoriosa estadia na F3 Sul-americana, era altura de rumar a Europa. Em 2003, mudou-se para a Europa e com a ajuda do seu pai criou, a Piquet Sports, para disputar a F3 britânica e terminou o campeonato na 3ª lugar com 6 vitórias, 8 poles e 11 pódios. Tais resultados (e certamente que ser filho de quem o ajudou bastante sem falar de patrocínios…) atraíram a atenção da BMW Williams, onde acabou por realizar um teste pela equipa de Frank Williams.

Em 2004 sagrou-se campeão da F3 Britânica com 6 vitórias e 5 poles e 13 pódios, tornando-se o mais jovem a vencer a categoria com 19 anos e 2 meses. Nesse mesmo ano repetiu o “feito” do ano passado ao realizar o seu segundo teste pela BMW Williams.

Piquet Jr.5Em 2005, Nelson Piquet Jr. realizou mais um teste para a F1, para a equipa BAR Honda, e ingressou na recém-criada GP2 Series, categoria que abria as portas à F1 para pilotos jovens promissores. Na temporada de estreia, Piquet Jr. enfrentou muitos problemas mecânicos, mas mesmo assim conquistou uma vitória em Spa e 4 pódios. No final do ano, recebeu um convite para representar o Brasil na A1GP não podia pedir uma melhor estreia, com duas vitórias, uma pole position e volta mais rápida. Conquistou ainda mais três pódios, antes de fevereiro de 2006, quando decidiu sair da categoria para se concentrar exclusivamente para a sua segunda temporada da GP2. Não foi campeão de GP2 em 2006 mas terminou num excelente segundo lugar do campeonato com 12 pontos atrás do inglês Lewis Hamilton.

Face aos resultados que apresentou no GP2, foi oficializado como piloto oficial de testes e reserva da Renault em 2007.

Em 2008, Piquet foi promovido para piloto oficial da Renault fazendo dupla com o bicampeão mundial, Fernando Alonso que retornou nesse mesmo ano a equipa francesa.

foto in: henry-thepodiumist.com
foto in: henry-thepodiumist.com

A estreia na F1 não foi o que Nelson Piquet Jr. certamente esperava, onde foi obrigado a retirar-se na Austrália. Os resultados foram bastantes modestos na primeira metade da época e a qualidade de Piquet Jr. começou a ser bastante questionada no ceio da equipa Renault, chegando a haver especulações que o brasileiro iria ser dispensado pela equipa francesa no final do ano, caso não melhorasse os seus resultados. A Renault nunca desmentiu os rumores e o clima na equipa não era o melhor pois o piloto brasileiro declarou publicamente após o Grande Prémio da Turquia que lhe faltava apoio por parte da equipa. Curiosamente, pouco depois, Piquet começou a demonstrar serviço, marcou os seus primeiros pontos na F1 com um sétimo lugar no Grande Prémio da França. No entanto, o melhor momento da época, e certamente da sua carreira, viria a acontecer no Grande Prémio da Alemanha, terminando no segundo lugar, graças ao safety car e a sua entrada mais cedo na boxes, onde ganhou várias posições e lhe permitiu subir ao pódio, o único na sua carreira. Mas foi no Japão que demonstrou as suas capacidades em pista, terminando num sólido quarto lugar, tendo ainda pressionando Räikkönen e Kubica nas últimas voltas. Terminou o campeonato com 19 pontos conquistados e o respetivo 12º lugar no campeonato.

Apesar dos rumores, que davam conta de uma saída de Piquet da Renault, a equipa francesa decidiu manter o brasileiro ao assinar um novo contrato por um ano. Iria fazer novamente dupla com o espanhol Fernando Alonso, na tentativa de levar a Renault as glórias de outros tempos, que não eram assim tão distantes quanto isso.

O ano de 2009 não foi muito melhor para o brasileiro, voltou a não conseguir terminar o GP da Austrália, ao abandonar na 24ª volta e os maus resultados nos GP’s seguintes voltaram a aparecer. Tais resultados tão decepcionantes levaram Flavio Briatore vir criticar publicamente o brasileiro, depois de este terminar com mais 2 voltas que o vencedor fazendo o 16º lugar e último da corrida. Na Espanha, ele teve uma corrida tranquila, mas apenas acabou em 12º. Chegávamos ao Grande Prêmio da Hungria e Nelson Piquet Jr. ainda não tinha conquistado qualquer ponto na temporada de 2009. Em agosto de 2009 foi demitido da Renault depois de criticar fortemente o seu ex-empresário e chefe da equipa, Flavio Briatore chamando-o de “carrasco”. Referiu ainda que o italiano, Flavio Briatore, favorecia o seu colega de equipa Fernando Alonso. Romain Grosjean, na altura piloto de testes da Renault substituiu Piquet para o resto da temporada. Nelson Piquet chegou a estar ligado, como vários outros, como possível substituto de Felipe Massa, durante a recuperação do mesmo, no entanto, a Ferrari optou por Giancarlo Fisichella.

Um Piquet de duas caras.

bbc
foto: bbc

No mesmo mês de agosto, depois de Piquet Jr. ter sido dispensado pela Renault, por vingança, surgiram declarações do próprio de extrema gravidade para com a Renault e Briatore,e essas declarações deram sequência a um dos maiores escândalos que a F1 já teve na sua história. O brasileiro declarou que tinha deliberadamente cometido um erro embatendo o seu carro no Grande Prêmio da Singapura em 2008, com o propósito de beneficiar seu colega de equipa Fernando Alonso, que acabou por ganhar a corrida. No entanto, na altura do GP de Singapura em 2008, o brasileiro tinha alegado que o acidente foi um simples erro cometido pelo próprio. Piquet fez declarações à FIA que tal acidente tinha sido deliberado e que a ideia tinha sido proposta ao brasileiro pelo chefe da equipe da Renault Flavio Briatore e Pat Symonds, engenheiro. Em troca de seu depoimento, Nelson Piquet exigia ser ilibado do caso e em 4 de setembro de 2009, a Renault foi acusada de conspiração e de manipulação da corrida, tendo assim que marcar presença no Conselho Mundial do Desporto Automóvel da FIA em Paris.

Pouco depois das declarações do seu antigo piloto, a Renault e Briatore declararam que iriam iniciar um processo criminal contra Piquet. A Renault acusou Piquet de “alegações falsas” e chantagem com os mesmos, Pat Symonds alegou ainda que a ideia para o acidente tinha surgido pelo próprio brasileiro como uma forma “limpar” o seu mau desempenho e ajudar assim nas negociações para a renovação de contrato com a Renault. Mais tarde a Renault anunciou que não iria contestar as acusações, e que tanto Briatore e Symonds iriam deixar a equipa.

No entanto, em dezembro de 2010, Piquet ganhou um processo por difamação contra a Renault. A Renault pediu desculpas a Piquet por o difamar ele tendo-o pago uma indemnização.

Face a falta de resultados durante os seus “quase” dois anos na F1 e acima de tudo face a sua atitude quanto ao seu despedimento, revelando os “podres” da Renault, nenhuma equipa se mostrou interessada no brasileiro, quer pela falta de qualidade quer pela falta de confiança que as equipas poderiam sentir com Piquet no que toca a assuntos internos das próprias equipas. Nelson Piquet revelou que tinha entrado em contacto com a Force Índia, mas a equipa optou por continuar com Adrian Sutil e Vitantonio Liuzzi, fechando assim a porta ao brasileiro de poder competir na F1 em 2010.

Como tantos outros pilotos, sem espaço na F1 o brasileiro teve de procurar alternativas e em 2010 mudou-se para o NASCAR.

foto in: jayski.com
foto in: jayski.com

Piquet anunciou que iria competir na Camping World Truck Series com ao serviço da Red Horse Racing. Fez sua estreia na ARCA RE / MAX Series em Daytona International Speedway do volante de um Toyota, na sua primeira corrida, conseguiu um surpreendente sexto lugar, o primeiro piloto brasileiro a terminar entre os dez primeiros na história da categoria. Em seguida, realizou três corridas para Billy Ballew Motorsports. Em agosto, o brasileiro teve a oportunidade de competir na NASCAR Nationwide Series no circuito de rua Watkins Glen International e Piquet não poderia recusar tal convite, terminou em sétimo voltando a surpreender novamente naquela que era a sua primeira corrida na categoria. No final do ano, Kevin Harvick, anunciou que Piquet iria conduzir para a equipa durante a temporada toda no Truck em 2011, com o Chevrolet. Teve como melhor resultado um 2º lugar em Nashville e terminou o ano em 10º lugar na classificação geral do campeonato. Foi ainda o 2º melhor entre os estreantes além de ser um dos finalistas nos prémios: Most Popular driver Rookie of the Year.

Em 2012, Piquet define como objectivo lutar pelo título da Nascar Camping World Truck Series e disputar ainda algumas corridas da Nationwide Series. Para isso, assinou contrato com a equipe Turner Motorsports. Logo na primeira corrida do ano, em Daytona, Piquet juntamente com o seu compatriota Miguel Paludo fez a dobradinha brasileira na corrida. Em Rockingham, fez a sua primeira pole na Nascar Truck Series e dominou a primeira parte da corrida. Em março Piquet disputou uma prova da K&N East Series, categoria de acesso da Nascar para ganhar mais experiência em pistas curtas, Piquet brilhou, fez a pole, liderou a maior parte da corrida e venceu a corrida. No final o brasileiro, referiu que o ojectivo principal era de um prazo de 3/4 anos chegar até a principal categoria da Nascar, a Sprint Cup.

004_NelsinhoNo mesmo ano, em junho de 2012, Piquet Jr. fez história ao tornar-se o primeiro brasileiro (e o 5º piloto não norte-americano) a vencer uma corrida na Nationwide Series, em Elkhart Lake, a categoria acima da Truck Series na qual o brasileiro disputava o campeonato. A Nationwide Series, seria uma preparação para o brasileiro para possivelmente disputar a temporada completa em 2013. No dia 18 de Agosto, em Michigan, homenageando os 60 anos do seu pai, Nelson Piquet, Nelsinho correu com o sobrenome “Piket” no capacete e no carro e entrou definitivamente para a história da Nascar ao se tornar o primeiro brasileiro a vencer uma corrida em oval uma categoria nacional. Feito que iria repetir, em Las Vegas, ao tornar-se o primeiro estrangeiro a vencer mais de uma corrida em oval na Truck Series.

Em 2013, mudou-se para Nationwide Series, ao volante do carro numero 30 da Turner Scott Motorsports, pilotando também em algumas corridas da Truck Series.

Nesse mesmo ano, Piquet voltou a ser protagonista de mais um escândalo, desta vez de menos dimensão ao ser multado em 10 mil dólares pela NASCAR e colocado em liberdade condicional até o final da temporada para observações descritas como “homofóbicas” que declarou a comunicação social.

O ano de 2014, certamente que ficará na memória do brasileiro, que conseguiu realizar o seu “grande” objectivo, ao disputar a Sprint Cup Series, a categoria principal da Nascar,  ao serviço da Randy Humphrey Racing com o Ford número 77 em Watkins Glen International, aquele que seria a sua estreia na principal categoria da Nascar, terminou no 26º lugar.

Em abril, foi anunciado que Piquet iria disputar o Campeonato RallyCross Global de 2014, pela SH Racing, ao volante do Ford Fiesta ST. O seu melhor resultado foi um segundo lugar em Washington, fez 307 pontos, terminando no quarto lugar do campeonato.

foto in: autosport.com
foto in: autosport.com

O ano de 2014 ia a meio, mas o brasileiro já recebia um novo convite para um novo desafio. O novo destino é a Formula E, tendo sido oficializado piloto da China Racing, em meados de Agosto. Depois de um 18º posto na Malásia e de um 8º lugar na China, Nelson Piquet subiu ao segundo lugar mais alto do pódio no Uruguai. Neste momento ocupa o quarto lugar no campeonato.

É verdade que é um piloto com resultados interessantes, mas quase todos eles em categorias secundárias. Quando chega a provas mais exigentes, Nelson Piquet Jr. não consegue comprovar o valor que demonstra nessas mesmas categorias onde realiza bons resultados. Bom ou não, depende do das opiniões, ninguém se esquecerá do seu nome, aquele que foi o principal protagonista numa das maiores “manchas negras” da F1 e do automobilismo.

 

 

Daniel Leites

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.