Mercedes: Epílogo e prólogo.

319b2-f1-italian-gp-2014-nico-rosberg-mercedes-amg-f1-w052014 foi um ano recheado de sucesso para a Mercedes. Uma caminhada longa e muito bem planeada, que originou um sucesso incontestável. A Mercedes passou de uma equipa de “meio de tabela”, para uma equipa quase invencível. Os alemães souberam tirar partido como ninguém dos novos regulamentos e são agora a nova força da F1, destronando de forma violenta os Red Bull que durante 4 anos ocuparam esse lugar.

 

O W05 foi de longe o melhor carro do grid, equipado com a melhor unidade motriz do paddock e com uma elevada eficiência aerodinâmica. Um pacote completo e homogéneo, que permitiu aos dois pilotos liderarem a seu bel-prazer a contenda. O único senão do carro foi mesmo a fiabilidade. Hamilton viu o seu carro falhar várias vezes e ter de correr atrás do prejuízo e Rosberg, embora menos fustigado pelas avarias, viu o seu carro claudicar na corrida onde teria de ser perfeito. Mas com uma tecnologia tão nova, era de esperar que isso acontecesse. A equipa mostrou organização e eficiência no trabalho, mas falhou quando a “luta de egos” entre os seus pilotos atingiu o pico. A equipa quis dar o máximo de liberdade para os pilotos lutarem entre si ( o que se aplaude), mas ficou no ar um ligeiro favorecimento de Hamilton em relação a Rosberg. De qualquer forma, a caminhada para o título tem sempre obstáculos e a equipa soube sempre lidar com eles. Uma época perfeita. Nota 10

 

Foto in :Telegraph.co.uk
Foto in :Telegraph.co.uk

Lewis Hamilton:
Se em 2013 foi uma sombra do que pode ser, 2014 trouxe o verdadeiro Hamilton. Um piloto aguerrido, rápido e que luta até ao fim. Muito se falou da força mental, ou da falta dela, por parte do britânico, mas até nesse aspecto Lewis soube crescer. Foram muitas as adversidades e os percalços que teve de enfrentar, mas a todos conseguiu responder com excelentes prestações. É mais fácil de o fazer com o melhor carro do grid é certo, e as recuperações que fez na Hungria por exemplo, seriam bem mais complicadas noutras circunstâncias, mas soube tirar partido do material que tinha em suas mãos e sagrou-se campeão pela 2ª vez. Negativo? Apenas os jogos mentais e a declaração de guerra aberta no Mónaco, quando disse que não era amigo de Rosberg. Muitos apontaram-lhe o dedo. Mas já fazia falta uma boa guerra na F1. Hamilton esteve soberbo em 2014.

Nota 10

 

 

foto:XPB images
foto:XPB images

Nico Rosberg:
Nunca foi um piloto muito apreciado aqui nesta casa. Não que seja mau, muito pelo contrário, mas por nunca ter parecido mais do que um bom piloto. Mas este ano Rosberg mostrou algo mais. Mostrou que de facto com um bom carro pode ser campeão. Não tem o talento do colega de equipa, mas é um piloto seguro, eficaz e que consegue garantir muitos pontos. E quando se tem o melhor carro, muitos pontos normalmente quer dizer pódios. Foi a primeira vez que se viu envolvido numa luta pelo título e notou-se claramente isso no episódio de Spa, em que o “toque de asa” que colocou Hamilton fora de prova, lhe granjeou alguma animosidade por parte dos fãs, que não lhe perdoaram e assobiaram o alemão. Desde aí, e obviamente aliado à pressão interna da equipa para que o episódio não se repetisse, o seu rendimento baixou e foi nessa fase que Hamilton embalou para o titulo. Quando todos pensavam que a grande vantagem de Rosberg era a força mental, o alemão falhou precisamente nesse capítulo. Ainda assim lutou até ao final e saiu de cabeça bem erguida, e foi um digno vencido. Se Hamilton teve um ano em grande é também graças a Rosberg. As vitórias são mais saborosas quando o adversário exige o melhor.

Nota 9

 

2015

À partida, os “flechas de prata” partem com uma boa vantagem e são claramente os favoritos. Em equipa que ganha não se mexe e a Mercedes tem claramente um dos melhores line up´s do grid. O carro é excelente e está a ser bem trabalhado, e já há quem diga que os alemães conseguiram tirar mais 50cv do motor, o que faria do motor mais potente do grande circo ainda mais potente. Mesmo com a possibilidade da Ferrari e Renault poderem melhorar as suas unidades motrizes ao longo do ano, parece pouco provável que alguma delas consiga extrair o suficiente para poder fazer frente à Mercedes. Neste momento o grande desafio da equipa parece ser mesmo a gestão de ego dos pilotos. O ano de 2014 acabou com abraços, sorrisos e “selfies”, mas Hamilton quer a todo o custo igualar o seu grande herói (Ayrton Senna) e Rosberg quer inscrever o seu nome no trofeu dos campeões. E eles sabem que este domínio da Mercedes pode ser curto, com a FIA a ponderar mudar novamente os regulamentos e os motores. Este é o grande desafio para Toto Wolf, Paddy Lowe e Niki Lauda. Como lidar com dois pilotos sedentos de vitórias. Mais ainda, como fazer se equipas como a Red Bull e Williams se mostrarem mais competitivas e lutarem mais de perto com a Mercedes? Será que a equipa deixará os pilotos lutar como em 2014, quando o campeonato de construtores era apenas uma questão de tempo? Ou irá a equipa aplicar regras mais restritas, o que irá inevitavelmente resultar em mau estar e divisões. Convém lembrar que a certa altura, a garagem da Mercedes viveu um clima de guerra fria entre os dois lados dos pilotos. Se isso voltar a acontecer e os adversários pressionarem mais poderá ser uma dor de cabeça. A equipa estará sob grande pressão e os olhos do mundo estarão de novo em cima deles. 2015 promete ser muito mais difícil.

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Imagem por Daniel Leites

 

 

 

 

Fábio Mendes

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