Toro Rosso: Epílogo e Prólogo

Motor Racing - Formula One World Championship - Brazilian Grand Prix - Race Day - Sao Paulo, BrazilA Toro Rosso é daquelas equipas que não aquece nem arrefece. Desde a saída de Vettel que nunca mais fez nada que merecesse destaque. A equipa tem-se mantido no meio da tabela, formando pilotos para a Red Bull usar. Uma clara “equipa B” que pouco oferece ao grid. O único lado positivo é mesmo possibilitar a entrada de jovens talentos, mas até isso está a a tornar-se exagerado. Já lá vamos

O ano começava com muitas novidades para a equipa. A Renault começou a equipar os carros da equipa e Daniel Ricciardo mudou-se para a Red Bull, dando lugar a Danil Kvyat. Aí começa a nossa azia assumida com a equipa. António Félix da Costa era o sucessor natural de Ricciardo e merecia inteiramente esse rótulo, mas os rublos falaram mais alto. O português ficou a ver navios e nós ficamos tristes e passamos a ver a equipa com outros olhos… E não, não são os melhores.

O ano começou mal, com os problemas de motor a revelarem-se uma enorme dor de cabeça, a juntar aos problemas no novo sistema de travagem que atirou os pilotos para fora de pista várias vezes.

O resto da época foi de altos e baixos. A equipa apenas pontuou em 10 das 19 corridas e diga-se que não foi ameaçada porque a Lotus e a Sauber tiveram um ano horrível. A equipa nunca saiu do mesmo registo,umas vezes bem em qualificação, mas sem corresponder na corrida, outras vezes compensando uma fraca qualificação com uma corrida positiva. Mas nada de extraordinário foi feito pela equipa. Mais um ano na mediocridade. A F1 precisava de uma Toro Rosso menos submissa.

Nota: 5

 

55520-f1-japanese-gp-2014-daniil-kvyat-scuderia-toro-rossoDanil Kvyat

O russo saltou directamente do GP3 para a F1. O jovem prodígio, como lhe chamaram, ultrapassou Félix da Costa e Sainz Jr. na corrida por um lugar no grande circo. Foi uma escolha claramente politica, tendo em conta a chegada do primeiro GP na Rússia. O jovem piloto teve até direito a uma bancada com o seu nome e tudo. Foi considerado o melhor rookie do ano (injustamente a nosso ver) e acumulou boas prestações. Não teve exibições do outro mundo nem se viu em grandes confrontos com outros pilotos, mas foi rápido, frio e cauteloso. Foi provavelmente a melhor abordagem  ao primeiro ano a um nível competitivo tão alto. Como prémio por um ano longe de problemas vai ter um lugar na Red Bull. Vettel fartou-se e mudou-se para Itália, e a Red Bull viu-se com um lugar vago sem contar. Apostou no jovem russo, uma vez que Ricciardo assumiu-se como grande estrela da companhia e a equipa precisava de um 2º piloto que garantisse pontos. 2º piloto já tem, agora se vai garantir pontos é outra história. Kvyat tem de facto potencial e isso é mais que claro, mas tem saltado etapas importantes no crescimento de um piloto. Será que vai ter estofo para aguentar?

Nota 6

 

Jean Eric Vergne

a14ee-f1-italian-gp-2014-jean-eric-vergne-scuderia-toro-rosso-str9A eterna promessa adiada. Vergne é daqueles pilotos capazes do muito bom e que depois desaparece sem deixar rasto. Honestamente, quando comparávamos o potencial de Vergne e Ricciardo, o francês parecia ter algo mais. Os desempenhos de Vergne em chuva sempre foram excelentes e quem consegue mostrar-se em condições difíceis tem de ter qualidade. Mas Ricciardo foi sempre evoluindo e Vergne estagnou. Este ano foi mais do mesmo. Algumas corridas boas e com um desempenho bem positivo e outras onde ninguém deu por ele. A dispensa da Toro Rosso tornou-se assim inadiável. De facto Vergne precisava de ter mostrado mais. Tem qualidade é certo, mas não fez por merecer mais uma oportunidade na estrutura Red Bull. Mudou-se para a Ferrari onde será piloto de testes. Segundo ele é melhor ser piloto de testes na Ferrari que lutar por um lugar no fundo da tabela em equipas pequenas. É uma forma de ver as coisas. Agora está de facto mais perto de poder correr numa equipa de topo. Depende apenas dele e do seu trabalho.

Nota 5

 

2015

Será um ano em que a Toro Rosso terá mais atenção do que o costume. Pelo simples facto de ter o line up mais inexperiente do grid. Aliás experiencia de F1 é coisa que não existe nos homens da Toro Rosso. Se Sainz Jr. ainda tem alguma experiência em competição, no WSR por exemplo, já Verstappen tem tido uma ascensão meteórica, saltando etapas de forma consecutiva. Há quem tenha a coragem de comparar o talento do jovem ao de Senna (“Blasfémia”, gritamos todos nós quando ouvimos isso). Por enquanto só vimos um F1 “espetado” contra uma protecção e pouco mais. Não queremos duvidar de quem confirma o talento do jovem. Afinal serão pessoas mais qualificadas que nós para isso. Mas chegar aos 17 à F1 parece ser um passo demasiado arriscado. Para se chegar à F1 e encarar as agruras da competição, convém ter vivido alguns momentos bons e menos bons noutras categorias. É que lutar no braço com malta do GP3 é completamente diferente que ser “apertado” por Alonso ou Button.  Veremos como se sai a dupla da Toro Rosso. Sainz Jr. já era um nome falado desde o ano passado. Também terá de mostrar mais do que fez este ano. É uma aposta de alto risco para uma equipa de meio de tabela. A dupla de pilotos não será a melhor para fazer evoluir o carro e a falta de experiência poderá levar a erros que podem custar muitos pontos à equipa.

Imagem por Daniel Leites
Imagem por Daniel Leites

Fábio Mendes

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