Caterham/ Marussia: Epílogo e Prólogo

A FIA e a FOM quando tomam decisões tem uma tendência (propositada ou não) para esquecer-se um pouco das equipas pequenas do grid. E a mudança para os motores híbridos seria sempre uma mudança difícil para as últimas do pelotão. Uma tecnologia tão recente e pouco desenvolvida seria sempre cara para todas as equipas. Muito mais para quem tem de gerir um negócio de milhões com tostões.

A Caterham e a Marussia sempre foram o “parente pobre” da F1 e 2014 seria sempre um ano complicado para estas equipas. O preço das unidades motrizes, aliado aos novos regulamentos que exigiram das equipas de design um trabalho redobrado (e portanto mais dinheiro gasto) iria exigir e de que maneira às duas equipas.

 

b4156-f1-russian-gp-2014-marcus-ericsson-caterham-ct05A Caterham começou o ano com o ultimato do patrão Tony Fernandes. Ou a equipa finalmente se impunha ou acabava a sua aventura na F1. Exigir tais resultados num ano com tanta mudança era claramente uma estratégia de tudo ou nada e que indicava que a vontade de se manter no grande circo já não era muita. Ainda assim foi buscar um bom piloto (Kobayashi) e outro que pudesse ajudar a pagar as despesas (Ericsson). Mas o carro mais uma vez deixou ficar mal a equipa. Inicialmente foram os problemas de falta de potência do motor Renault, a juntar a problemas nos travões. A equipa nunca conseguiu sair do mesmo registo. Prestações muito fracas para quem queria dar o salto. Tony Fernandes fartou-se e vendeu a equipa. A partir dai foi um mar de indefinições com a os compradores a não serem conhecidos e com entradas e saídas estranhas. A situação atingiu o ponto mais baixo quando a equipa não viajou até a America para disputar os GP dos EUA e do Brasil, por falta de fundos. Ainda assim conseguiu arranjar dinheiro para ir a Abu Dhabi e mostrar-se pela última vez a possíveis compradores. Foi um ano terrível para a equipa. Não conseguiram pontuar e viram o esforço de anos a esfumar-se de um momento para o outro. Nota 2

 

Motor Racing - Formula One World Championship - Japanese Grand Prix - Qualifying Day - Suzuka, JapanA Marussia iniciou o ano com a mesma dupla de pilotos. O grande trunfo era Bianchi. O jovem prodígio era o ponta de lança da equipa. Em 2013 tinha permitido o 10º lugar, melhor de sempre da Marussia  e este ano todas as esperanças da equipa estavam sobre os seus ombros. O inicio foi titubeante e foi o seu colega Chilton a fazer melhor até. Mas a qualidade do francês foi se mostrando naturalmente até ao GP do Mónaco onde conquistou os primeiros pontos da sua equipa. Um marco histórico para uma equipa que foi crescendo devagar mas constantemente. Um prémio merecido para o piloto e a equipa. E as coisas foram correndo bem para a equipa. Sempre à frente da principal adversária (Caterham) e da Sauber, a Marussia parecia ter tudo encaminhado para ter um 2014 para relembrar. Mas então chegou o GP do Japão que marcou tragicamente a equipa e esta época. Uma saída de pista de Bianchi levou-o contra um tractor que tentava tirar um carro da pista.  A cabeça do piloto embateu no tractor deixando o jovem francês em estado muito grave. Ainda  hoje Bianchi luta pela sua vida e dificilmente voltaremos a ver o talento do jovem num monolugar. Um dos mais promissores pilotos da sua geração viu assim ceifada as hipóteses de brilhar ao mais alto nível. Acreditavamos que dentro de pouco tempo seria a nova jóia da coroa da Ferrari. Infelizmente a vida prega partidas demasiado pesadas. Depois disso a equipa viu-se também com falta de dinheiro e não correu nas ultimas 3 rondas do ano. Um triste final para uma equipa que até brilhou este ano. Nota 6

 

foto: Sutton Images - chicane motores
foto: Sutton Images

Ericsson: O piloto nada mostrou que justificasse a sua entrada na F1. Tem uma carteira grande e recheada de dinheiro. É o único ponto a favor. De resto pouco se viu de um piloto que a todos os níveis parece banal. Ainda assim o seu maior trunfo (os bolsos fundos) valeram-lhe  um lugar na Sauber. Infelizmente a F1 tem este lado mau. Nota 3

Kobayashi: O japonês tem uma grande falange de apoio e foi isso que lhe valeu a entrada na Caterham. É bom piloto e disso ninguém duvida. Mas chegou a uma equipa com um carro pouco comepetitivo. É verdade que não esteve ao nível que nos habituou, mas o episódio da troca por Lotterer foi um golpe no ego do piloto. Deve ser muito difícil ser tratado assim. Nota 4

 

 

foto in: crash.net
foto in: crash.net

Bianchi: Era claramente um dos melhores do grid. Tinha talento para dar e vender. Conseguiu pegar na Marussia fazê-la crescer e pontuar. Bianchi era o abono de família da equipa. A tragédia de Suzuka levou-lhe tudo. Um talento que podia ser grande… enorme até. Nunca saberemos até onde poderia chegar. Nós apostávamos muito neste jovem. O desporto motorizado às vezes é injusto demais. Nota 7

Chilton: Mais um piloto pagante que pouco ou nada traz à F1 a não ser dinheiro. O britânico vem de um país onde há muitos e bons pilotos mas ele claramente não faz parte desse lote, pelo menos na F1. Teve o azar de ter como colega de equipa um talento puro o que ao nível das comparações lhe dificultava muito a vida.  Mas Chilton não era muito mais do que se viu em pista. Um piloto remediado. Nota 3

 

2015

 

Para 2015 um mar de dúvidas. Não se sabe se ambas as equipas conseguirão participar no campeonato deste ano. E se conseguirem fundos para isso será sempre com um considerável atraso que começarão a trabalhar nos carros. O desenvolvimento de um monolugar de F1 é um trabalho continuo e laborioso. Qualquer paragem é fatal. Os boatos dizem que a Haas, nova equipa que iniciará a sua participação em 2016 está a comprar bens da Marussia. Uns dizem que é para a equipa outros para fazer ressurgir a Marussia como Manor. Já da Caterham poucas noticias tem aparecido mas a situação também não é melhor. O futuro das duas equipas por enquanto é uma incógnita. E se de facto não conseguirem competir em 2015 podemos apontar o dedo a FIA e a FOM que nada fizeram para proteger as equipas mais pequenas. Aceitamos o argumento que quem não tem condições para competir não deve estar presente, mas acreditamos também que é preciso dar hipóteses a equipas pequenas para que possam crescer gradualmente e poder ter um papel mais forte na modalidade. E a Marussia, estava precisamente a conseguir isso. Que ao menos sirva de lição para o futuro.

 

Imagem por Daniel Leites
Imagem por Daniel Leites
Imagem por Daniel Leites
Imagem por Daniel Leites

 

 

Fábio Mendes

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.