WRC – Rally do México: Ogier faz história e continua invicto esta temporada.

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Foto: @World

A terceira prova do mundial de ralis apresentava-se com contornos importantes para o resto da temporada. Não decisivos, pois esta era apenas a terceira ronda do WRC, mas face ao domínio evidenciado por Ogier nas duas primeiras provas, e com as distâncias na classificação para a concorrência a começar a preocupar toda a gente, o Rally mexicano trazia um certo grau de “preocupação” para pilotos e fãs, que não querem ver mais um campeonato “morrer” quase no seu inicio.

As dúvidas eram portanto várias e alguns pilotos chegavam ao país da América central debaixo de uma grande pressão, pois não podiam ceder mais pontos para o campeão Ogier, que já tinha vencido as duas primeiras etapas da temporada

Latvala era o centro das atenções pelas suas palavras no início do ano onde assumia a sua ambição de vencer o campeonato e bater o seu colega de equipa. Mas nem em Monte Carlo nem na Suécia o conseguiu. Pelo contrário, em ambos os ralis não evitou os azares de sempre, que condicionaram a classificação geral final, ficando em branco no último dos dois. Pressão máxima em cima do finlandês, iria aguentar?

O que nos traria Mikkelsen depois do brilharete na Suécia, onde por muito pouco não bateu Ogier no braço?

E a Citroen, onde K. Meeke esta temporada andou mais tempo fora do que dentro da estrada, do que seria capaz?

Neuville e a Hyundai, que esta temporada tem evidenciado um andamento claramente melhor, vendo o resultado do trabalho começar a dar frutos, mas ainda assim chegaria para por em causa o domínio de Ogier e da Volkswagen?

Foto: @World
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As respostas a quase todas estas perguntas é a mesma. Um grande e redondo não! Nem Latvala conseguiu bater Ogier, aliás a única coisa onde Latvala conseguiu bater foi mesmo numa perda no segundo dia de prova, deitando tudo a perder no que na luta pelos pontos dizia respeito. Nem Mikkelsen ousou desta vez bater-se com o “seu chefe de fila”, nem Mekke conseguiu terminar a prova nos pontos, voltando a não evitar mais saídas de estrada, nem tão pouco Neuville e a Hyundai conseguiram pressionar Ogier na luta pela vitória, com o piloto belga também ele a não evitar as armadilhas de um rally muito duro, talvez o mais exigente para pilotos e carros de toda a temporada.

 

O primeiro dia de prova como habitual no méxico é destinado a duas especiais curtas, mais de exibição pelas ruas de Guanajuato, onde as diferenças entre os pilotos são curtas e nenhumas elações se podem retirar daqui. Tudo ao centésimo.

O segundo dia de prova, o primeiro “ a sério”, trazia 8 especiais com o destaque para a dupla passagem pelo “El Chocolate” que com a extensão de 44km. Mas foi logo na primeira especial do dia que todas as atenções ficaram viradas, e talvez o assunto que mais marcou toda a prova. Na primeira passagem por Los Mexicanos O. Tanak capotou o seu Ford Fiesta RS WRC dentro de um lago, num momento muito complicado para a dupla estónia da M-Sport. Viveram-se momentos de pânico na entre os membros do staff da equipa britânica, que nada souberam acerca dos seus homens durante 17 minutos. Felizmente tanto o piloto como o navegador saíram rapidamente dentro do carro, sem ferimentos ou mazelas e apenas com um grande susto para recordar. O Ford, esse em escassos segundos ficou completamente submerso.

A corrida continuava, mas não para todos, pois na especial seguinte a mais longa do dia, continuavam as baixas e desta vez Paddon, Meeke e Kubica a “ficarem por terra”, numa especial que se demonstrou demolidora.

Na frente era Ogier que já liderava, com Neuville a poucos segundos do francês e Latvala fechava os lugares do pódio, ainda em posição de sonhar em vencer a prova.

Na segunda passagem por “El Chocolate” era a vez de ficar mais um dos candidatos aos lugares cimeiros ficar pelo caminho. T. Neuville já perto do final, saiu de estrada e deixou de fazer parte das contas finais do rally mexicano, que tinha um dia completamente arrasador para os concorrentes.

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Foto: @World

O segundo dia terminava, e após 10 especiais percorridas era Ogier que liderava, isto apesar de ser o piloto francês a abrir os troços. Latvala era segundo a 13´s do seu colega de equipa, enquanto Ostberg fechava os lugares do pódio, isto após o piloto da Citroen ter passado grande parte do dia com alguns problemas na caixa de velocidades do seu Ds3 WRC, que ainda assim não impediam o norueguês de realizar um bom rally até então.

O terceiro dia de prova começava praticamente com o abandono de Latvala que na primeira passagem por Otates, onde bateu numa pedra e deitava por terra todas as suas aspirações em vencer a prova, e talvez o campeonato. Ostberg ascendia à segunda posição, mas já a quase 1 minuto de Ogier que geria a confortável vantagem sobre a concorrência, que era cada vez menor e menos perigosa.

O resto do terceiro dia de prova apenas tivemos o destaque do reacender a luta pela segunda posição, com Mikkelsen a recuperar tempo em relação a Ostberg e os dois chegaram ao final do dia separados por apenas 4´s, com tudo para se resolver no derradeiro dia, onde os pilotos tinham pela frente as três últimas especiais do rally, entre as quais a mais extensa, os 55km de Guanajuatito.

Foto: @World
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Terminava assim o terceiro dia de prova, com Ogier confortavelmente na frente, gerindo o andamento sem correr riscos. Atrás de si a mais de um minuto lutava-se pela segunda posição, onde Ostberg e Mikkelsen eram os protagonistas. E. Evans era 4º na geral efectuando um bom rally, dando mostras de um boa evolução e acima de tudo de ganhar a consistência necessária pera terminar as provas. D. Sordo era o melhor dos Hyundai, fechava o top 5 na geral.

O último dia chegava e com pouco para se decidir, pois Ogier era um confortável líder, não arriscando em nada essa liderança, pois a concorrência rodava longe do francês. deixando à vontade o piloto da Volkswagen. A luta prendia-se pelo segundo lugar do pódio que acabou por sorrir a Ostberg, deixando Mikkelsen na terceira posição final. Aliás a classificação entres os primeiros não se alterou no último dia, pois as diferenças eram facilmente geridas por todos os pilotos.

Num rally muito duro, que fez várias “vítimas” ao longo de 4 dias de prova, onde a dureza foi bem notória no número de pilotos que terminaram a prova sem recurso ao Rally2, onde no WRC apenas 6 pilotos completaram a prova sem penalizações pelo uso do mesmo.

O destaque neste campo vai inteirinho para O. Tanak que viu o seu Fiesta RS WRC desaparecer no fundo de um lago, onde permaneceu durante 10h, e a equipa M-Sport conseguiu recuperar em apenas 3h o carro do piloto estónio, que ainda assim voltou a ter problemas resultantes de falhas no motor por excesso de água no mesmo. Ainda assim a equipa de Malcolm Wilson não desistiu e ofereceu este premio bem justo ao jovem piloto que fez com que chegasse ao fim de um rally que jamais esquecerá. Ott Tanak e o seu navegador Raigo Molder, subiram ao pódio e ainda brindaram toda a multidão com uma boa disposição de aparecer equipados com máscaras de mergulho, numa clara brincadeira relativa ao azar do dia anterior. Uma palavra também para toda a quipá de mecânicos da M-Sport, liderada pelo português Miguel Cunha que efetuou um trabalho fantástico de recuperação do Fiesta em apenas 3h, simplesmente fantástico.

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De regresso à estrada, a última especial foi vencida sem surpresa por S. Ogier, Mikkelsen foi 2º e Neuville ainda regressou a tempo de conquistar o 3º lugar na etapa que lhe valeu mais um ponto para o campeonato.

Nas contas finais, o resultado foi o mesmo das outras provas… vitória para Ogier, a sua 27ª da carreira ultrapassando desta forma C. Sainz em numero de vitorias em ralis, tornando-se no 3º piloto da historia com mais ralis vencidos, um marco histórico que promete não parar por aqui.

Ostberg, embora pressionado por Mikkelsen, carimbou um segundo lugar na geral, o seu melhor desempenho esta temporada, ainda assim nunca perigou a liderança do francês.

Mikkelsen ficou o lugar mais baixo do pódio, enquanto E. Evens fechou com um bom 4º lugar final sendo o melhor dos Ford. Sordo de regresso ao mundial fechou o Top5.

Prokop aproveitou bem os azares alheios e realizou um bom resultado final, foi 6º. Na 7ª posição o melhor dos WRC2 N. Al Attiyah, e T. Neuville que regressou no 3º dia de prova ainda a tempo de conseguir um 8º lugar na geral final.

Classificação final:

1. 1 S. OGIER 4:19:13.4
2. 4 M. OSTBERG 4:20:32.2 +1:18.8 +1:18.8
3. 9 A. MIKKELSEN 4:20:38.5 +6.3 +1:25.1
4. 5 E. EVANS 4:22:53.6 +2:15.1 +3:40.2
5. 8 D. SORDO 4:24:15.2 +1:21.6 +5:01.8
6. 21 M. PROKOP 4:25:49.5 +1:34.3 +6:36.1
7. 39 N. AL-ATTIYAH 4:34:06.1 +8:16.6 +14:52.7
8. 7 T. NEUVILLE 4:41:56.7 +7:50.6 +22:43.3
9. 41 N. FUCHS 4:42:02.4 +5.7 +22:49.0
10. 40 J. KETOMAA 4:42:23.6 +21.2 +23:10.2

 

Classificação do mundial:

1. Sebastien Ogier 81
2. Andreas Mikkelsen 47
3. Thierry Neuville 35
4. Mads Ostberg 32
5. Elfyn Evans 26
6. Jari-Matti Latvala 19
7. Dani Sordo 18
8. Martin Prokop 14
9. Ott Tanak 12
10. Hayden Paddon 10
11. Kris Meeke 10

 

 

Em WRC2 também houve “razia”. Vários pilotos com problemas e a perder muito tempo, regressando mais tarde ao abrigo do Rally2, ainda a tempo de pontuar. Quem beneficiou com isso foi mesmo o regressado N. Al Attiyah, que realizou a sua primeira prova da temporada, ele que é o detentor do titulo da categoria. Mostrou toda a sua supremacia e venceu de forma clara, deixando N. Fuchs a praticamente 8 minutos de distância. J. Ketomaa foi 3º aproveitando o abandono de S. Lefebvre para assumir a liderança no campeonato isolado.

Classificação final do rally:

1. 39 N. AL-ATTIYAH 4:34:06.1 +8:16.6 +14:52.7
2. 41 N. FUCHS 4:42:02.4 +5.7 +22:49.0
3. 40 J. KETOMAA 4:42:23.6 +21.2 +23:10.2
4. 36 A. AL-KUWARI 4:42:58.2 +34.6 +23:44.8
5. 38 Y. PROTASOV 4:52:44.2 +6:34.5 +33:30.8
6. 33 M. RENDINA 4:57:19.9 +4:35.7 +38:06.5
7. 35 J. SERDERIDIS 5:17:21.8 +1:24.8 +58:08.4

 

Classificação do campeonato:

1. Jari Ketomaa 40
2. Nasser Al-Attiyah 25
3. Stephane Lefebvre 25
4. Nicolas Fuchs 18
5. Craig Breen 18
6. Eyvind Brynildsen 18
7. Armin Kremer 15
8. Valeriy Gorban 15
9. Abdulaziz Al-Kuwari 12
10. Eric Camilli 12

 

Foto: @World
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Foi assim mais uma prova do mundial de ralis, a 3º prova do mundial consagrou S. Ogier como o grande vencedor e grande dominante da mesma. De fio a pavio, foi assim mesmo o rally do francês da Volskwagen.

O WRC está de volta em Abril, de novo para o “lado das Américas”, a Argentina recebe entre os dias 23 e 26 a 4ª prova do mundial de ralis.

Até la..If in doubt flat out.

Carlos Mota

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