F1 – GP da China: Análise às equipas (parte I)

O Grande Prémio da China prometeu muito mas decorreu numa toada calma e com poucas surpresas. Embora com alguns apontamentos de qualidade, a prova chinesa pautou-se pela previsibilidade e pelo regresso “à normalidade”, com os Mercedes a voltarem a impor o seu poderio. No entanto, o final da corrida trouxe um colorido inesperado. Uma troca de acusações que vai voltar a reacender a rivalidade entre os pilotos Mercedes.

 

Mercedes – o queixume que desenterrou o machado de guerra

foto: Mercedes
foto: Mercedes

A vitória de Hamilton é inquestionável. O britânico liderou todas as sessões de treino, foi o mais rápido na qualificação e em corrida só teve a companhia de Rosberg porque levantou o pé e quis poupar pneu. Um fim-de-semana sem problemas e mais 25 pontos no bolso, sem contestação possível. Já Nico Rosberg parece ter perdido o norte. O piloto cerebral e calmo deu lugar a uma versão insegura e pouco inteligente do alemão. Depois de ter ficado mal na corrida de Sepang, voltou a meter os pés pelas mãos e no final da corrida criticou Hamilton por ter deliberadamente diminuído o ritmo, prejudicando assim a sua corrida e  ficando à mercê de Vettel. Uma acusação estapafúrdia de um piloto que acusa o seu rival de estar lento e mesmo assim não o ultrapassou. Não se deve descurar o facto que a Mercedes “deu razão” a Rosberg quando mandou entrar o alemão antes de Hamilton na 2ª paragem. Mas ao acusar publicamente o seu colega de equipa, Rosberg ficou com a fama (e o proveito) de chorão e mostrou que está afectado pelo comportamento de Hamilton. O sorriso de Lewis na conferência de imprensa não engana. Ficou com aquele ar de superioridade de quem sabe que está em vantagem quer dentro como fora de pista. Se Rosberg não encontra a calma e o andamento necessário, a luta pelo titulo poderá ser apenas uma miragem. Ficou mal e a equipa não o defendeu com Wolf e Lauda a dizerem que Hamilton fez o que tinha de fazer e Rosberg só tem de melhorar. Quem diria que numa casa alemã seria um britânico a impor a lei e um alemão com o papel secundário!

Hamilton: nota 9

Rosberg: nota7

Mercedes: nota 9

 

 

Ferrari – Mais longe mas impondo respeito

foto: Ferrari
foto: Ferrari

Seria muito difícil para a Scuderia repetir a vitória de há duas semanas. As condições únicas que se juntaram em Sepang não estavam previstas para Shangai e a Mercedes não iria cometer o mesmo erro de subestimar o adversário duas vezes. No entanto, até meio da corrida, os Ferrari conseguiram colocar os Mercedes sob pressão e a estratégia de Rosberg foi claramente afectada pelas jogadas da Ferrari, com Vettel a mostrar que está de volta. Nesta fase, colocar os Mercedes em sentido tem de ser considerado uma vitória para uma equipa que há uns meses lutava para ficar no top5. Vettel nunca sonhou com um inicio tão bom. 3 corridas 3 pódios e uma vitória. Está forte, motivado e a sua qualidade está de novo à vista. Está a conquistar as gentes de Maranello e não só. Já Kimi tem a pressão do seu lado. Em 22 corridas feitas desde o seu regresso à Ferrari, apenas uma vez conseguiu fazer melhor que o seu colega de equipa. Ninguém duvida da qualidade do finlandês mas é um facto que está ainda longe do que fez na Lotus. Este fim-de-semana teve de recuperar de um erro na qualificação. Acabou em 4º, perto de Vettel e se não fosse o Safety Car talvez conseguisse ameaçar o colega de equipa. Mas se não melhorar poderá ficar irremediavelmente com o rótulo de 2º piloto da equipa. E Kimi é muito mais que isso.

Vettel: nota 8

Raikkonen: nota 7

Ferrari: nota 8

 

 

Williams – A desilusão até ao momento

foto: Williams
foto: Williams

Se a Ferrari surpreendeu com este ressurgimento, a Williams desiludiu todos os que apostavam na equipa britânica para principal rival da Mercedes (nós incluídos). Uma corrida sem sal nem pimenta, onde ficaram longe de ameaçar a Ferrari e até estiveram em perigo de serem passados pela Lotus. Numa pista onde deveriam ter alguma vantagem, a equipa não brilhou e perde cada vez mais protagonismo. O discurso de outsider já não convence e exigia-se mais. Massa teve um início de fim-de-semana difícil, mas conseguiu ser melhor que o colega de equipa na qualificação e em corrida, embora pressionado no início, lidou facilmente com Bottas. O finlandês está a ter um inicio de época negativo. Não correu na primeira prova e ontem não conseguiu ameaçar Massa. Pouco para um piloto que tem o rótulo de futuro campeão. Bottas já mostrou mais do que fez e, embora a concorrência de Massa seja forte pois o brasileiro não é um piloto qualquer, tem de fazer bem mais do que tem feito até agora.

Massa: nota 7

Bottas: nota 6

Williams: nota 6

 

Lotus –  o regresso há muito anunciado

foto: Lotus
foto: Lotus

Já andávamos a apostar na Lotus desde o início do ano. E à 3ª foi de vez. Grosjean voltou a pontuar depois de quase um ano sem saber o que é ficar no top 10. A última vez que isso aconteceu foi no Mónaco. A Lotus tem um carro bom e é facilmente o 4º mais rápido do grid, seguindo cada vez mais de perto os Williams. Grosjean fez uma corrida excelente. Não errou e conseguiu levar o carro a um resultado merecido e que injecta confiança numa equipa que vinha acumulando azares. O francês tem potencial e desde que deixou de lado a sua faceta “Kamikaze” que mostra qualidade para se impor como um dos bons pilotos da F1. Já Maldonado… Não desilude. Ainda surpreendeu com um par de boas ultrapassagens no início e até seguia à frente do seu colega de equipa, mas um erro infantil deitou tudo a perder. Falhou o tempo de travagem na curva de entrada para as boxes e perdeu muito tempo com isso. Como se isso não bastasse ainda teve uma saída de pista logo a seguir. Tudo isto atirou-o para a cuda da corrida onde depois teve o azar de sofrer um toque de Button e assim desistir da corrida. Levanta-se agora a pergunta… Vala a pena ter um piloto pagante assim? Maldonado pode ser a melhor pessoa do mundo mas na F1 apenas acumula erros que colocam a sua reputação em jogo. A forma como os mecânicos reagem aos seus erros não engana. Ninguém espera nada do venezuelano. Se a Lotus tivesse um piloto com mais qualidade poderia facilmente ter angariado o 6º e 7º lugar e assim começar a recuperar terreno. Para bem da equipa e até do próprio piloto, é necessário repensar o futuro.

Grosjean: nota 7

Maldonado: nota 0

Lotus: Nota 7

 

 

Sauber – de regresso aos pontos

foto: Sauber
foto: Sauber

Surpreenderam-nos pela positiva. A Red Bull esteve outra vez mal e a Toro Rosso não esteve melhor e assim a equipa de Peter Sauber aproveitou para amealhar mais uns pontos preciosos. Não há ilusões na equipa e sabe-se que o 4º lugar no campeonato de construtores não será mantido por muito tempo mas este início será uma base excelente para o que aí vem. Nasr reencontrou-se com as boas exibições depois de uma corrida fraca na Malásia. Não parece ser o melhor piloto que saiu do Brasil (também com nomes como Piquet, Fittipaldi e Senna estamos mal habituados), mas tem qualidade para ser um bom piloto e angariar pontos preciosos para a equipa. Pagou para estar na F1 mas a equipa deve estar bem contente. O homem paga para lá estar e ainda por cima mostra qualidade. Melhor negócio é difícil. Já Ericsson é um piloto na onda de Maldonado. Não mete tantas vezes o pé na argola é certo, mas não tem qualidade para se manter na F1.

Nasr: nota 7

Ericsson: nota 6

Sauber: nota 7

 

Não perca a 2ª parte da análise onde avaliamos as restantes equipas.

Fábio Mendes

2 pensamentos sobre “F1 – GP da China: Análise às equipas (parte I)

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