Entrevista – Eduardo Ferreira (CAVR), Parte I

O início do Mundial de Rallycross está marcado para este próximo fim de semana em Montalegre. O retorno do WRX ao distrito de Vila Real foi apenas um pretexto para marcarmos conversa com Eduardo Ferreira, do Clube Automóvel de Vila Real, onde é Responsável de Segurança, Director de prova e um dos principais obreiros na vinda do mundial para Portugal. Falamos sobre Rallycross, WTCC e até de Rali, mas por agora apenas publicamos o que interessa do WRX.

O Mundial de Rallycross vai apenas para a sua segunda edição, mas pelos números que a organização apresenta, vai ter com certeza uma vida duradoura: com uma audiência de cerca de 53 milhões de pessoas durante 2014; em Portugal estiveram presentes cerca de 21 mil pessoas e no total do ano, foram quase 285 mil as pessoas que estiveram presentes nos 12 eventos do campeonato. Números impressionantes, mas que não demonstram a adrenalina que se sente durante as corridas…são duelos, com muito contacto e muito, muito espectáculo.

Como surgiu a ideia de trazer o WRX?montalegre

O WRX é um campeonato recente e foi uma evolução natural do campeonato da Europa. Como já tínhamos organizado anteriormente o campeonato da Europa foi um passo natural. Em 2007 candidatamo-nos na FIA para receber a prova, em conjunto com o município de Montalegre. Já anteriormente tínhamos organizado as provas no nacional de ralicross, campeonato FIA de Camião cross e SuperMotard. A FIA inspeccionou a pista e entregou-nos o caderno de encargos que foi cumprido, a pista foi homologada e passamos a receber a prova. Daí para o WRX foi um passo normal.

A FIA é um organismo muito exigente?

É muito exigente ao nível de segurança, essencialmente. Para mim, a pista de Montalegre ao nível do público é a mais segura que conheço. Para além disso é uma pista moderna e que facilita em muito o nosso trabalho.

 

press%2F2014_11_Hansen_SC_032Foi difícil trazer o WRX sabendo que é uma modalidade mais seguida nos países nórdicos?

Sim é mais complicado até porque temos um handicap grande que é não ter um piloto nacional a competir na prova. A avaliação final da FIA do evento é feita segundo certos parâmetros: somos avaliados enquanto clube organizador, somos avaliados pelo evento em si e há outros itens, um dos quais é a presença de um piloto nacional que infelizmente não existe.

Mas o clube tem feito um excelente trabalho a nível organizativo das provas, o que os relatórios comprovam. Na parte desportiva e da segurança não temos tido falhas e como tal, isso facilita convencer a FIA para que a prova se mantenha cá.

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O WRX tem sofrido uma evolução bastante positiva ao longo do tempo. Concorda que a categoria está a tornar-se verdadeiramente aliciante?

Claramente. Temos tido uma evolução ao nível dos pilotos presentes e até mesmo das marcas que estão a apostar na modalidade. No ano passado apenas a Peugeot era equipa oficial e agora temos mais a Ford, a Volskswagen e a Audi. É um salto qualitativo muito grande. E para este ano houve muitas mudanças que vão melhorar ainda mais o espectáculo. Por exemplo o Timur Timerzyanon, o último campeão da Europa, que no ano passado estava na Team Hansen, que para mim é uma das equipas mais fortes e foi para a Olsbergs MSE. Há muitas mudanças interessantes e estou convencido que ao nível de desporto automóvel o WRX é a modalidade que mais vai evoluir. Até porque agora já existe um promotor e como tal a exposição é maior e a promoção é muito melhor.

 

A chegada de um promotor foi importante?press%2F2014_Media_Villeneuve_SC_1

Sim, desde logo a modalidade chega a mais pessoas, com a entrada de parceiros fortes, como o caso da Monster e também porque o promotor tem feito por atrair pessoas. Uma das boas ideias foi o convite de pilotos conhecidos, que são chamados de Wild Cards, em que por exemplo na ronda portuguesa foi Jacques Villeneuve, mas também outros pilotos como Tanner Foust, Piquet Jr., ou Ken Block. E tudo isto ajuda a atrair mais público e fidelizar.

 

Não acha que existe pouca visibilidade a nível nacional das provas que ocorrem no país?

Sim, mas isso é um problema já antigo. O país vive virado para o futebol e nem sempre liga a eventos que são muito importantes a nível internacional.  É claro que há países em que a tradição do ralicross é mais forte. Em Inglaterra por exemplo, o berço da modalidade a prova de Lynden Hill tem mais inscrito até que a prova de WRX.

Acha que um dos trunfos do WRX é o investimento que é necessário para começar?

Penso que sim. O WRX é provavelmente a modalidade mais barata ao nível dos custos. E além disso para os patrocinadores é também é mais aliciante, pois os carros têm sempre muita visibilidade, devido também ao formato das provas, o que valoriza as marcas que fazem publicidade nos carros. Outra vantagem é que o paddock é aberto ao público e isso confere mais proximidade e os patrocinadores ficam a ganhar mais. De realçar que no WRX não há tempos mortos e como tal para quem vê há sempre motivos de interesse. Para quem quer patrocinar uma modalidade tudo isto conta e o WRX nesse aspecto é muito apelativo.

Essa proximidade entre o público e os pilotos e as equipas é também o verdadeiro espírito do desporto automóvel, não acha?press%2F2014_5_Bakkerud_SC_024

É um dos pontos que a FIA tem debatido em relação à F1. A falta de proximidade faz com que haja um afastamento dos fãs e que os mais novos não sintam vontade de acompanhar uma prova de 2 horas, onde o contacto com os pilotos e as equipas é quase nulo. E como agora há muita oferta e há provas com muito mais dinâmica, é normal que os fãs mais novos se sintam atraídos por outras modalidades mais dinâmicas. A FIA tem noção disso e está a tentar resolver essa situação.

O Petter Solberg disse no passado que o WRX é mais motivante que o WRC. Concorda da opinião?

Claro. Sem dúvida que o WRX é mais motivante, porque a competição é mais intensa. Os toques são permitidos e os pilotos têm de dar 100% sempre. Para eles a motivação é muito maior e não há o receio de errar, tocar no adversário e ser penalizado.

Tudo isto trouxe mais reconhecimento ao CAVR?11179644_10204242863297111_930866832_o

Sim trouxe reconhecimento do nosso trabalho. Depois de termos feito uma travessia do deserto o clube começou a ressurgir com provas organizadas cá. Mas o clube nunca parou. Apenas tinha de organizar provas onde eram facultadas as condições. Em Murça por exemplo, onde organizávamos o campeonato da europa de autocross. Fazíamos o karting em Baltar e fazíamos o circuito de Vila Real, mas tinha de ser feito no Estoril. Com a nova comissão e a nova direcção, foi feito um trabalho forte de revitalização do clube. Antes de fazermos o Revival em 2007, fomos a Pau ver como era organizado o evento e devo dizer que nos inspiramos em muito do que se faz lá. Nesta altura, penso que somos dos poucos clubes do mundo a organizar duas provas mundiais da FIA. Talvez Barcelona que tem F1, WRC e vai ter agora o WRX. É algo que nos devemos orgulhar.

Flashback de Montalegre 2014:

Chicane Motores

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