WRC: Rally de Portugal – Análises

O rally de Portugal terminou já a quase uma semana, mas a verdade é que para nós adeptos e fãs desta modalidade espectacular, parece que foi ontem que estávamos junto à estrada a ver os melhores do mundo a acelerar a fundo em busca dos melhores resultados. As nossas memórias continuam frescas, os vídeos e imagens da prova portuguesa sucedem-se e ajuda a que nos seja difícil desligar a ficha de uma prova que encantou simplesmente toda a gente. A equipa do Chicane Motores também esteve na estrada, viveu de perto as emoções, deu-lhe conta de todos os acontecimentos ao longo de 4 dias de prova. Fazemos agora as últimas análises aos pilotos e equipas, numa prova que coroou J. M. Latvala como o grande vencedor.

Volkswagen:

11329913_901043726604644_8096138734685320310_nA marca alemã vinha de um mau resultado na Argentina, com os três pilotos a ficarem pelo caminho, todos eles com problemas de motor. O grande desafio era chegar a Portugal com esses mesmos problemas retificados, pois também se adivinhava uma prova dura, para as mecânicas dos carros. E de facto foi um rally intenso, duro, com alguns troços a desgastarem-se com alguma rapidez, mas a Volksagen deu uma excelente resposta aos azares ocorridos no país do “tango”. Fez um Hattrick, com os seus três pilotos a fazerem o pleno, preenchendo o pódio com as cores, azul e branco. J. M. Latvala foi o grande vencedor, e justo diga-se. Soube controlar a corrida, sabendo gerir o facto de Ogier abrir a estrada durante os dois primeiros dias de prova. O finlandês não cometeu excessos e quando teve de atacar para se defender, também o fez. Na penúltima especial de 32km, onde Ogier teria de atacar para retirar 7´s a Latvala não conseguiu. Pelo contrário, perdeu 2´s, e aí meu caro Ogier, o troço estava já bem rodado. Foi o pleno da Volkswagen, Latvala no lugar mais alto do pódio, Ogier em segundo e Mikkelsen a estrear a nova evolução do polo WRC acaba em terceiro. Fim-de-semana perfeito para VW. No fim, o destaque foi para as palavras de Ogier, afirmando “adeptos estariam contentes por não ser sempre o melhor piloto a ganhar”, palavras que certamente não caíram bem no seio da marca e agora é ver Ogier lançar comunicados dia sim dia sim a desculpar-se pelo erro que cometeu. Palavras injusta de Ogier, pois ele mesmo teve a oportunidade de retirar tempo a Latvala em Vieira do Minho, ou pelo menos colocar pressão em cima do finlandês para o último troço e simplesmente não o fez, perdeu ainda mais tempo, por isso foi uma boa oportunidade que teve para simplesmente não dizer nada. Grande Jari, enorme vitória! Em Portugal, Volkswagen 3, todos os outros 0.

 

Citroen:

11012527_901043663271317_99831564171867403_nA marca francesa chegava a Portugal motivada pelos belos resultados alcançados na Argentina, dobradinha na vitória de Meeke. Por terras lusas queriam voltar a entrar na luta pela vitária, com Meeke super motivado e Ostberg na segunda posição do campeonato, à espera de um deslize de Ogier, para reabrir as contas da luta pelo titulo. Ao norueguês as coisas nem sempre correram bem, pois logo no “shakedown” em Baltar capotou o seu Ds3 WRC, ainda assim recuperado para alinhar em Lousada na abertura do rally. Meeke nos primeiros dias de prova ainda andou na luta pela liderança com Latvala, vencendo inclusive algumas especiais, estando várias vezes a menos de 10´s do piloto da Volkswagen. Mas a partir das segundas passagens de sábado, e nas especiais de Domingo, o britânico não aguentou o ritmo imposto pelos homens da Volkswagen e acabou por ceder, ficando-se pelo 4º lugar na geral, mas ainda assim a mostrar alguns bons apontamentos, deste novo Ds3 WRC estreado em Portugal. Já Ostberg andou noutras lutas, pela 6ª posição com Sordo, e também cedeu, quedando-se pelo 7º lugar final, numa prova em que até arrancou bem, vencendo uma especial do sábado. Mas dai em diante, pouco mais se viu do homem da Citroen. Um 4º lugar na geral final, e um 7º, somando pontos importantes para a geral de pilotos e equipas. Sem deslumbrar, mas sem desiludir, foi esta a Citroen que tivemos em Portugal.

 

M-Sport:

10985410_902205163155167_8821998761708074083_nA equipa de Malcolm Wilson começa a precisar de “ir à Bruxa”. Logo no rally em que Tanak acertou o passo, foi o “certinho” Evans que marcou passo. Depois do seu primeiro pódio da carreira, chegava a Portugal com confiança redobrada, comprovado pelo bom andamento imposto no primeiro troço, onde vinha a ser dos mais rápidos em estrada, até que a 1km do fim da especial, um problema eléctrico com Fiesta RS WRC o fez parar mais de uma hora acabando-se assim a esperança de mais um bom resultado. Regressou no segundo dia, mas já sem motivação para grande coisa, e cometeu um erro provocando um princípio de incendio no Fiesta, depois de cortar em demasia uma curva, danificando a suspensão dianteira. Depois do pódio a desilusão. Mas também isto faz parte dos ralis. Já Tanak fez uma prova irrepreensível. Rápido como é seu timbre, e muito consistente, como não sabíamos sequer que ele o fosse. Talvez a melhor prova deste estónio cheio de potencial mas que quase sempre entra no exagero da condução. Desta vez o pupilo de M. Wilson levou a melhor sobre os seus defeitos, e terminou a prova na 5ª posição e sem dúvida que deslumbrou quem de perto seguiu a prova, com uma condução espetacular. Esperemos que estes resultados e esta postura seja para continuar. Muito bem Tanak.

 

Hyundai:

11096492_901804503195233_8906229189852606930_nMais prova e mais uma desilusão. De facto esta a ser madrasta esta temporada para a marca coreana, que deveria ser de confirmação, mas que não passa de desilusão. Sordo foi o mais inconformado e até venceu a primeira e única passagem por Ponte de Lima, mas foi tudo o que se viu praticamente. Neuville voltou a vacilar e começa a perder credibilidade para apontar o que quer que seja à evolução do carro. É certo que o I20 WRC, já deveria valer mais do que o que vale, mas passar mais tempo fora de estrada também não ajuda muito. Desta vez até nem foi fora de estrada que terminou a prova do belga, foi dentro do troço mas ao contrário, em Baião 1, onde capotou e terminou ali a prova que também não estava a ser brilhante. O aguerrido Sordo faz o que pôde e finalizou em 6º, após uma boa luta com Ostberg e Paddon terminou em 8º somando mais uns pontinhos para si e para a equipa, mostrando alguma evolução, de um piloto a ter em conta no futuro, deixando alguns bons apontamentos. Não está fácil a vida da Hyundai no WRC.

 

11233532_901043789937971_2268209679019501828_nKubica: e está de regresso às nossas análises o piloto polaco, pois delas já não fazia parte há algum tempo.  Desta vez não, Kubica fez uma boa prova, sem riscos mas sempre que pôde foi rápido, com o objectivo bem definido e conseguido… terminar. Era bem evidente a alegria na chegada a Fafe, depois de tanto tempo a marcar passo. Foi a hora de marcar pontos com 9º lugar final, muito espetáculo oferecido e um sorriso do tamanho do mundo. Merecido e justo Robert Kubica, parabéns!

 

Prokop: desta vez os poucos azares alheios só lhe valeram 1 pontinho e um décimo lugar, claramente sem ritmo para outras andanças. Diverte-se a fazer o que gosta, haja uma boa carteira.

 

 

Fotos: Eyes of Rally

Carlos Mota

 

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