Ganhou a Porsche, ganhou Le Mans e ganhamos nós.

foto: ACO
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Era uma das provas mais aguardadas do ano. A luta Audi vs Porsche, com a Toyota por fora e a Nissan a estrear um ainda demasiado verde GTR, animou todos os fãs durante uma semana e a prova foi excelente.

 

A luta foi intensa durante as 24 horas de prova e como sempre, a indecisão sobre o vencedor perdurou durante muito tempo. A Audi e a Porsche deram espectáculo dentro de pista e infelizmente a Toyota não conseguiu acompanhar o andamento. Uma luta a 3 seria ainda mais emocionante mas ainda assim, não faltaram motivos de interesse, com todas as classes a terem batalhas ferozes pelas primeiras posições. Quem acompanhou não se arrependeu.

 

No final deu-se um golpe de teatro. Nem os organizadores do WEC esperavam tanto. A Porsche destronou a poderosa Audi e fê-lo com aquele que seria considerado o 3º carro… o carro dos estreantes. O carro onde pilotava Hulkenberg, piloto de F1. Numa altura em que tanto se compara a F1 com o WEC, um piloto que já há algum tempo merece uma oportunidade numa equipa de topo, no primeiro ano que faz Le Mans e vence a prova.

foto: ACO
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Foi uma vitória justa e merecida da Porsche, que começou  no ano passado o caminho de regresso às vitórias que deu frutos logo no 2º ano.  17 anos depois a 17ª vitória da Porsche em Le Mans.

 

Foi também excelente para a modalidade ver que a equipa que vinha a dominar o campeonato perdeu na prova de ouro e que a competitividade é a palavra de ordem no WEC. As corridas de endurance são imprevisíveis e qualquer um pode ganhar. Mas os pilotos fizeram questão de dizer que endurance é apenas pela duração das provas, pois cada “stint” é feito no limite, sem necessidade de gestão de pneus ou combustível. Cada piloto dá o melhor que tem durante a duração do seu turno. A máquina geralmente aguenta o andamento e como tal, a única preocupação do piloto é gerir a sua velocidade. Os pilotos saem dos carros cansados, mas felizes porque não se tratou de um jogo de xadrez, onde a gestão dos componentes se sobrepõe à pilotagem. Entrar no carro e dar o melhor de si durante quase 3h, é a única coisa que interessa.

foto: ACO
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Os novos regulamentos do WEC permitiram quebrar vários recordes este ano e como tal, mais um motivo de interesse para os fãs. Pole mais rápida, volta em corrida mais rápida. Os novos regulamentos deram novas “asas” aos carros e os responsáveis ficaram com medo de tanta velocidade e estão a pensar mudar certos regulamentos para que as velocidades caiam um pouco. Mas na cara dos pilotos apenas sorrisos, tal como na dos fãs. O desporto motorizado foi criado para quebrar recordes e este ano isso aconteceu em Le Mans.

 

Pessoalmente olhei sempre um pouco de longe para o endurance. Talvez por ser um acérrimo defensor da F1 e por achar que olhando para o WEC estaria a “trair a minha dama”. Mas depois da corrida de Silverstone rendi-me às evidencias. O WEC é fantástico de seguir. Corridas emocionantes, pilotos excelentes, máquinas espectaculares. Tem todos os ingredientes e neste momento é (custa-me dizer isto mas a verdade tem de ser dita) muito mais interessante que a F1.

foto: ACO
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A F1, com os novos regulamentos, tentou atrair novos construtores, mas fê-lo de forma errada e esses construtores estão agora a bater na porta do WEC. A Ford anunciou a entrada nos GT´s, fala-se da BMW para entrar em breve. E para a F1? Ninguém. A Honda entrou na F1 e está a penar muito para conseguir ser competitiva. A Ferrari está bem representada na classe GT e a McLaren tem o P1 mais que preparado para entrar na competição. E se a McLaren entra também, será um golpe para a F1 que verá assim as principais equipas começarem a provar o endurance… e se gostarem, a classe LMP1 pode ser o próximo passo. Até a Red Bull, criada de raiz para a F1, começa a ponderar o mesmo.

 

foto: ACO
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E até para os pilotos começa a ser aliciante o WEC. Hulkenberg que é um dos grandes talentos da F1, nunca teve oportunidade de entrar numa equipa de topo, foi convidado pela Porsche e venceu na sua estreia… Não terá Button ficado arrependido da sua decisão? As equipas de topo querem apenas os melhores e pagam por isso. E o glamour da F1 começa a perder encanto com a intensidade, a competitividade e as vantagens do WEC. Que interessa ir ao Mónaco correr num carro onde tenho de pensar em pneus, combustível e levantar mais o pé do que acelerar, quando posso ir a Le Mans, dar tudo o que tenho e divertir-me com ultrapassagens e lutas intensas?

 

 

 

 © Copyright: Moy / XPB Images
© Copyright: Moy / XPB Images

E mesmo para nós portugueses foi um luxo. Ver Albuquerque brilhar ao volante do Audi, ver Lamy, mesmo com varicela, estar a dois dedos de vencer a prova, não fosse o erro do seu colega… Portugal é uma nação respeitada pelo WEC, com vários pilotos de alto nível. A F1 ignorou os pilotos portugueses sucessivamente. Monteiro, Albuquerque, Parente, Félix da Costa. Nomes riscados da F1, sem hipótese de mostrar o seu valor em alguns casos, que são respeitados pelo mundo dos GT´s e do endurance. Alguém tem duvidas que com a prestação que teve, Albuquerque terá lugar a tempo inteiro no WEC em 2016? Que se continuar a mostrar qualidade poderá subir ao carro 1 da Audi e tentar vencer Le Mans? Podemos estar muito enganados mas o caminho do piloto de Coimbra parece destinado a grandes feitos no endurance… algo que não lhe foi permitido na F1, mesmo com o currículo invejável que tinha. E Lamy, que foi um injustiçado, mas que continua a ser um dos nomes de referência nos GT´s? E Rui Águas que continua a mostrar toda a sua qualidade? E João Barbosa que veio dos “States” dar uma perninha a Le Mans e que tem qualidade para entrar em qualquer equipa de topo do endurance e vencer…tal como faz na América. Agora entendo o porquê de muitos portugueses terem largado em definitivo a F1 e adoptado o endurance como modalidade de eleição. Quem os pode censurar? Não tenciono fazer o mesmo… mas entendo perfeitamente.

 

foto: ACO
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Continuarei a ver a F1, mas tenho de arranjar espaço e tempo para ver o WEC. Vale muito a pena. O WEC personifica tudo o que os fãs de desporto motorizado querem ver. Le Mans foi a prova disso. Parabéns a todos os intervenientes… o desporto motorizado agradece. A F1 tem de se inspirar no WEC. Ficou provado que em 2015, o WEC é a categoria rainha do automobilismo. E espero que a F1 me tire a razão e que mostre espectáculo. Mas ainda assim temos de agradecer por estar a ver uma competição tão saudável, tão competitiva, tão renhida como o WEC. Le Mans foi muito bom… venha mais do mesmo.

 

 

A ultrapassagem fantástica de Lotterer fez aos Porsches ( que piloto este senhor):

 

Melhores momentos da corrida:

 

Fábio Mendes

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