Eu, o Alonso e o Huracan

IMG_20150706_141323Foi um dia memorável. Para quem como nós gosta de carros e de corridas, poder estar de perto a ver como se vive a preparação de uma prova, só por si nos deixou de sorriso nos lábios.

A convite do piloto Carlos Alonso, fomos ver o seu primeiro teste com o Lamborghini Huracan da Veloso Motorsport. Um privilégio.

A máquina já é imponente, mas a pintura escolhida para trazer a Vila Real está linda. Será por certo o carro que mais vai dar nas vistas. E nos ouvidos. Aquele motor a trabalhar é uma sinfonia incrível. As reduções dão um arrepio na espinha.

Passamos a tarde toda a ver o “lambo” andar às voltas ao circuito Vasco Sameiro, com vários convidados a terem a sorte de se sentar ao lado do Carlos Alonso. Aproveitamos e fomos sentindo o pulso aos mecânicos, engenheiro e chefe da equipa.

Até que na última saída para a pista, o Carlos me chamou e disse para um dos membros do Chicane ir com ele e aproveitar a boleia. O Mota e Ricardo tinham ido tirar fotos para o meio do mato e não estavam por perto, logo eram cartas fora do baralho. Sobrava o Pedro, o João do Vila Real Racing e eu. Disse ao Pedro para ir. Mas ele tava ao telefone (obrigado Raquel por lhe ligares à hora certa). Insisti uma vez mais mas ele disse para eu ir. Admito que nem olhei para o João (sou um egoísta miserável eu sei). A vontade de entrar no carro era muita. Depois de tanto tempo a escrever sobre carros e pilotos, finalmente ia poder experimentar as sensações de um carro de corrida.

Todo o processo de colocar o capacete e apertar o cinto foi rápido e o tempo de habituação ao interior do carro não foi muito. Ainda estava a tentar encontrar pontos de referência e o V10 italiano começou a rugir.

11693803_10207413559766745_1860817562615916217_nA primeira parte das boxes foi feita a velocidade lenta, como é mandatório e eu aproveitava para observar o interior do carro e ver tudo o que se passava à minha volta, armado em jornalista de desportos motorizados com experiência no assunto. Quando o senhor do capacete que ia ao meu lado resolveu pisar o acelerador a sério e soltar os 620 cavalos enfurecidos da máquina… Levei o primeiro estalo de adrenalina. Sentir que o estômago se acabou de colar aos pulmões e os olhos a recuarem faz alguma confusão. Ainda não reposto e a tentar assimilar tudo o que se estava a passar, eis que chega a travagem para a primeira curva, que por sinal é uma travagem… algo forte digamos assim. O estômago que há 2 segundos estava colado aos pulmões, retomava agora posição inicial de forma brutal, com os olhos a querer saltar fora das órbitas… dei graças por ter óculos, não fossem eles saltar mesmo.

A brutalidade da travagem foi algo que nunca tinha sentido. Enquanto fazíamos a segunda curva do Vasco Sameiro deu-se um clique e pensei: ” F*da-se… Tou num Lambo, com um piloto a sério numa pista a sério.. Isto é o Natal”. E nesse momento comecei a rir… ri-me na chicane ao sentir outra vez a força da travagem, ri-me quando senti o carro a sair de traseira (quando me comecei a aperceber disto, já o Alonso aplicava a medida correctiva no volante ao que eu pensei… Este gajo tem poderes sobrenaturais). E ri me ainda mais quando no final da última curva comecei a ver a recta da meta. Aquela extensão de asfalto era o sitio ideal para soltar os 620CV galopantes daquela bomba em movimento. A cada passagem de caixa o sorriso ia aumentando e nem o Ricciardo conseguiria ter um sorriso tão grande. Voltou a primeira curva e a violência da compressão do corpo nos cintos de segurança… Senti a traseira do carro a dançar um pouco, mas tudo controlado com a mestria de quem entende do assunto.
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Imaginei por um segundo o que será pilotar aquele monstro nas ruas de Vila Real e rapidamente cheguei à conclusão que “ este gajo é maluco ou faz frente ao Chuck Norris”. É preciso “tê-los” no sitio para enfrentar a fundo um traçado como o da “Bila” em bólides deste calibre. O meu respeito por todos os pilotos subiu exponencialmente. E o certo é que no próximo fim de semana vão andar lá a duzentos e muitos, com os espelhos a raspar nos rails de protecção, onde nós passamos a 100 já a segurar as calças. É preciso uma dose de coragem e loucura para fazer isso. Respeito meus senhores… Muito respeito.

Não se consegue descrever o que se sente. Acontece tudo rápido. Muito rápido. Quando me tentei meter na cabeça de um piloto e pensar “ok vem lá uma curva, travas na placa de 100…” logo esse pensamento foi interrompido com as forças que se sentem dentro do carro, como se o Hulk me estivesse a abanar. A distância entre eu e um piloto de corridas é como daqui… à lua. Esqueçam simuladores de corrida. Nada vos prepara para o assalto aos sentidos. Enquanto não se habituarem às forças, ao ruído e à velocidade a que as curvas aparecem, travar e virar o volante nem sequer vos passa pela cabeça. Ou eu sou um menino, o que não é de todo descabido.

11667332_10207413561046777_7641607542426255589_nNo final das duas gloriosas voltas, voltamos às boxes e quando saí do carro ainda tremia um pouco.  Agradeci ao Carlos, como uma criança agradece uma prenda ao Pai Natal. Os meus colegas prontamente me perguntaram se não precisava de roupa interior e se não tinha deixado marcas indesejáveis no interior do carro. É sempre bom termos alguém com quem contar. Tive muita pena que eles não pudessem experimentar também. Gostava que todos eles pudessem sentir aquela adrenalina. Havemos de todos andar e sentir isso.

Um dos itens da lista  “coisas que gostaria de fazer nesta vida” tinha levado mais um check: andar num carro de competição com um piloto a sério. E valeu muito a pena. Obrigado ao Carlos Alonso pelo privilégio, à Veloso Motorsport, especialmente ao Sr. Luís Veloso que teve a amabilidade de responder a algumas das nossas perguntas.

Ainda me estou a rir.

Imagino que estejam a pensar: “então estes gajos não colocam fotos do carro?” Vamos colocar sim. Estejam atentos amanhã.

Fábio Mendes

2 pensamentos sobre “Eu, o Alonso e o Huracan

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