F1: O que faz falta

foto. facebook Red Bull
foto. facebook Red Bull

Já contamos as horas que faltam para mais um GP em solo europeu. Depois do festival que foi o GP da Grã-Bretanha, as minhas expectativas são mais baixas que no principio do mês.

O circuito de Hungaroring é tramado para ultrapassar e tecnicamente não é dos mais intensos para pilotos. No ano passado venceu Daniel Ricciardo, que este ano, conforme tem sido apanágio, deverá jogar tudo para terminar a corrida e se possível nos pontos. O australiano tem sido um dos pilotos que mais sofre com os problemas dos motores Renault. Enquanto o seu colega de equipa, Kvyat está no primeiro ano na Red Bull, não tem muito a perder (para já) e nem se repara nele quando não acaba uma prova. Com Ricciardo não é assim. Provou no ano passado ter capacidade para ser candidato ao título. Este ano conduz uma camioneta que se arrasta pelas pistas do Grande Circo. Até uma preguiça tem mais resistência que o RB11… aliás Bernie Ecclestone era capaz de terminar uma prova com mais facilidade montado num carrinho de supermercado, que Daniel Ricciardo ao volante do seu monolugar. E faz falta o Ricciardo do ano passado que nos entusiasmava com excelentes ultrapassagens.

foto: facebook Ferrari
foto: facebook Ferrari

Outro piloto que precisamos urgentemente é de Kimi Räikkönen. O finlandês se estiver em boa forma, é bom dentro de pista e fora dela. Dá um colorido diferente que a maior parte dos pilotos nem a sonhar conseguem chegar lá, mas está visto que vai ser mais uma época para esquecer. Os senhores da Scuderia não estão muito agradados com o desempenho do Iceman, no entanto (e é minha opinião pessoal) para o material que deram aos pilotos que passaram pela equipa nos últimos anos, merecem agora sofrer um pouco. Até 2014, construíram aquilo que il Commendatore dizia que os Lamborghini eram… tractores. Este ano a conversa é outra, com uma liderança mais critica, que parece ter delineado uma boa estratégia e como tal, a performance subiu, tal como a exigência. É pena que Räikkönen não esteja ao seu melhor nível, mesmo tendo dito na antevisão do GP da Hungria que ainda era capaz de fazer o seu trabalho.

O ambiente no GP da Hungria será muito pesado, com a morte de Jules Bianchi ainda muito fresca na memória de muita gente. Ecclestone veio esta semana a terreiro, afirmar que a Fórmula 1 é segura. Isso sabemos, mas também é um facto que se nos deitarmos à sombra, a tartaruga passa por nós, tal como fez com a lebre. De facto a competição é segura e os acidentes, mesmo que possam ser evitados, são isso mesmo, acidentes. Como disse Martim Brundle numa peça para a SkySports no GP depois do acidente de Bianchi, o perigo existe e temos de saber viver com ele.

foto: facebook McLaren
foto: facebook McLaren

Em vez de dizer que a F1 é segura, Ecclestone deveria era estar a planear, juntamente com todas as equipas e pilotos, o futuro da categoria rainha do desporto motorizado. Rainha essa que pode não aguentar-se muito mais tempo no trono! Mais uma vez, a corrida de Silverstone que sirva de exemplo: ficou visível que a F1 é forte, muito forte, no continente europeu. Os espectadores querem ver a competição, apenas é preciso que ela exista. Faz falta mais competição.

Para os homens da Mercedes, o GP da Hungria deverá ser passeio pelo parque, a não ser que a Williams já tenha arquitectado a sua estratégia. E se possível que todos saibam o que fazer durante a corrida, para não tornar a acontecer o mesmo que aconteceu na Grã-Bretanha. Desde ordens para não atacar o colega, quando Bottas estava com dificuldades para não passar Massa, até não terem a certeza se deviam chamar os pilotos para trocar os slicks pelos intermédios. Até nós víamos como os pilotos se esforçavam para segurar os monolugares dentro dos limites da pista inglesa. Mesmo com alguns erros por parte da Ferrari, ao chamar Kimi um pouco mais cedo que o necessário, a Scuderia conseguiu um pódio que já não devia estar à espera e os dois pilotos da equipa inglesa, que deram tudo o que tinham para segurar os Mercedes o mais possível, ficaram sem lugar no pódio e com certeza, com uma azia muito grande. Faz falta a Williams mais vezes no pódio

foto: facebook Williams
foto: facebook Williams

Um último reparo para a questão que tem sido muito falada ultimamente, se Bottas deve ou não ser o substituto de Räikkönen na Ferrari. Há uns dias atrás, vi uma sondagem num site sobre F1 e fiquei admirado por ver que as opções de manter o Iceman e contratar Hulkenberg tinham mais votos que a escolha de Bottas para colega de equipa de Vettel. Serão só os fãs que pensam que Nico Hulkenberg é mesmo um bom piloto? Se sim, amanhã envio o meu CV para todas as equipas do grid…

 

Pedro Mendes

 

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