F1 – GP da Bélgica: Análise (Parte I)

Uma corrida morna, mas com muitos pontos de interesse e algumas surpresas. Spa foi de facto relaxante para o actual campeão do mundo de F1, que passeou a sua classe pelas curvas do traçado belga, sem nunca ser incomodado.

 

Mercedes: Hamilton dois passos à frente

Foto : Mercedes
Foto : Mercedes

Lembram-se das declarações de Rosberg no final do dia de sexta em que dizia que estava um passo à frente do seu colega de equipa? Hamilton deve rir-se bastante disso agora. Na qualificação o britânico esteve insuperável e na corrida ninguém lhe fez frente. Hamilton provou que um pouco de “boa vida” faz bem para nos mantermos focados no trabalho. A perícia que mostrou ao lidar com as curvas da Rhiana revelou-se exactamente igual quando teve de lidar com as curvas de Spa. 6 vitórias, 10 poles e mais um passo seguro rumo ao titulo. Já Rosberg esteve outra vez mal. Teve uma largada péssima e se não fosse o facto de ter em mãos o melhor carro do grid, provavelmente não subiria ao pódio. O acidente de sexta e a ansiedade de estar à espera do filho não ajuda por certo, mas para lutar pelo titulo tem de fazer mais. E não o fez mais uma vez. Este ano as diferenças entre pilotos são claras e nem a tentativa de desestabilização com “mind games” resultou. Hamilton parece um rolo compressor e Rosberg não arranja maneira de o parar.

 

Lewis Hamilton: nota 9

Nico Rosberg: nota 7

Mercedes: nota 9

 

 

Lotus: O prémio merecido para a Lotus e Grosjean.

 

Foto: Lotus
Foto: Lotus

Dissemos na nossa análise de meio da época que Grosjean era um dos mais rápidos do grid e que tinha talento para fazer frente a qualquer um. Ontem provou isso mesmo. Na qualificação tinha estado muito bem e mostrou que podia ser um caso sério na corrida. E foi. Subiu desde o 9º lugar, foi sempre dos mais rápidos e consistente em pista. Não errou uma única vez e as ultrapassagens que fez foram de uma limpeza a toda a prova (sinal que os tempos das paragens cerebrais já são um passado distante). Na mesma pista onde teve provocou aquele grave acidente que o levou a uma suspensão, mostrou que é um piloto diferente. Mais maduro e com a velocidade necessária para vencer. Admitiu as suas fraquezas, contratou um psicólogo desportivo e melhorou muito. Um exemplo para todos. Grosjean merecia este pódio e a Lotus também. A contas com mais um processo em tribunal por falta de pagamentos, souberam responder da melhor forma. Sempre afirmamos que a equipa tem potencial e provou-o ontem. Se a Renault comprar a Lotus fica muito bem servida. Já Maldonado… errou nos treinos é certo, mas foi mais uma vez bafejado pelo azar. Na qualificação mostrou que é rápido (disso não duvidamos) mas não teve oportunidade de  mostrar isso em corrida. O homem diz que tem o lugar assegurado na Lotus… Mas e se a Renault comprar a equipa, será que a situação se mantém? Um fim de semana em grande para a Lotus que bem precisava desta “vitória” para se motivar. Venham de lá mais corridas assim.

 

Romain Grosjean: Nota 9

Pastor Maldonado: sem nota

Lotus: nota 8

 

 

Red Bull: Kvyat em modo guerreiro

foto: Red Bull
foto: Red Bull

Podemos dizer que a Red Bull surpreendeu este fim de semana. Esperava-se que tivessem dificuldades em lidar com as longas rectas de Spa mas a equipa diminuiu a carga aerodinâmica (algo que Ricciardo provou de forma radical por duas vezes no cimo de Eau Rouge com o carro de lado) de forma a diminuir com isso o arrasto e compensar a falta de potência do motor. E resultou. Ricciardo estava bem lançado para a luta pelo pódio mas um problema na electrónica do motor deitou tudo a perder. No entanto Kvyat salvou o dia com uma pilotagem agressiva e rápida. Se o pódio na Hungria lhe caiu no colo sem saber, este 4º lugar foi bem merecido. Está a crescer a cada corrida e tem feito melhor que Ricciardo ultimamente. A Red Bull está num processo de mudança e muitos falam que poderão mudar de motores. E com a falha de hoje no motor de Ricciardo poderá ser mesmo o divórcio com a Renault. Tudo indica que o caso será resolvido para o bem ou para o mal em breve.

 

Daniel Ricciardo: sem nota

Daniil Kvyat: Nota8

Red Bull: nota7

 

Force India: Checo como o gostamos de ver.

Foto: Force India
Foto: Force India

Este ano parece que a Force vai fazer o contrário do costume, ou seja começou mal mas tudo aponta que vá acabar bem. O carro tem evoluído a bom ritmo e parece ser capaz de trazer algumas alegrias. A versão B está a ser cada vez mais afinada e a equipa acertou ao diminuir a carga aerodinâmica. A afinação do carro estava no ponto e Pérez desde inicio que apontou para o pódio. Ainda esteve 1 seg. na liderança do GP mas não tinha carro para segurar  Hamilton. Lutou com Ricciardo (pessoalmente já esperava por esta luta há muito tempo) e mostrou que com o material certo, pode dar os resultados que a equipa pretende. 5º e uma mostra do seu talento que é muito e só não brilha mais porque a cabeça nem sempre acompanha as mãos. A Force India mostra que sabe o que faz e que se tivesse mais dinheiro, poderia ameaçar as equipas de topo. Hulkenberg teve azar pois o seu motor falhou logo no inicio da corrida. Se não fosse o caso, a Force podia ter dado ainda mais espectáculo. Mas promete uma boa segunda metade.

 

Sérgio Pérez: nota8

Nico Hulkenberg: sem nota

Force India: nota8

 

Williams: de desilusão em desilusão

Foto: Williams
Foto: Williams

Não era esta a Williams que queríamos. Numa pista onde deveriam ter argumentos para se chegar à Ferrari, foram lentos e até a Force India conseguiu ser mais rápida em recta. “Levaram na boca” da Force India e da Lotus, equipas que lutam pelo meio da tabela. O erro no pneu de Bottas é sintomático de uma equipa que ainda procura os processos certos. Já começam a ser demasiados os erros na box e na pit wall. Ou são erros na estratégia ou são paragens que correm mal. A verdade é que a Williams tinha a obrigação de fazer mais. Bottas ficou com a corrida comprometida com o erro mas também não tinha mostrado grande ritmo até então, mostrando que o 3º lugar na qualificação foi mais fruto do seu talento do que do carro à disposição. Já sabe que terá de ficar mais um ano na Williams e é bom que a equipa o aproveite bem. Já Massa foi discreto mas eficaz. O carro não rendeu com os pneus macios e perdeu muito tempo nessa fase. Depois recuperou um pouco o andamento mas longe do que seria ideal. Um fim de semana de serviços mínimo… mais um.

 

Valtteri Bottas: nota 6

Felipe Massa: nota 6

Williams: nota 4

Segunda parte da análise 

 

Fábio Mendes

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