Haas F1 Team: Aprender a nadar com os tubarões

f1-a-visit-with-gene-haas-haas-f1-team-2014-gene-haas-at-the-haas-f1-team-headquarters-inDepois de quase 30 anos, vamos ter outra equipa americana na Fórmula 1. Apesar dos fundadores não serem familiares mas herdarem o mesmo apelido – HaasGene (Haas F1 Team) tem em mente um projecto mais sustentável que Karl (Haas Lola) teve no passado.

A contratação de Günther Steiner – antigo directo técnico da Jaguar e Red Bull Racing – é uma lufada de ar fresco. Tal como Haas, é uma pessoa prática, organizada e bastante competitiva. Numa recente entrevista ao site da F1, Steiner revela que não pretende reinventar a roda e aproveitar o know-how já existente no meio.

Segundo ele, “o projecto das equipas-cliente pode sofrer do mesmo mal que a produção dos carros de estrada: com uma plataforma comum, a determinada altura todos têm o mesmo carro ”. Como tal, afirma que “a chave é manter o foco no desenvolvimento da parte aerodinâmica”. Remata, dizendo que “o projecto resulta da colaboração com entidades experientes na matéria e não numa aposta em começar do zero ”.

lusomotores.com
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Será um clichê? Talvez não. Entrar na F1 acarreta mais custos do que se possa imaginar. Há que suportar os custos da montagem e manutenção do monolugar, peças, contratos das unidades motrizes (em equipas-cliente), pessoal de corrida, pessoal de testes, pessoal de desenvolvimento, pessoal de marketing e sponsor chasing, rendas & facturas associadas à parte logística, infra-estrutura, etc. É uma dor de cabeça ter de gerir todas estas frentes. Dai que a Haas F1 Team tenha optado por externalizar uma boa parte dos serviços com entidades já amadurecidas na F1.

Até agora, conseguiram assegurar:

Equipamento & know-how: A fábrica da Marussia, em Banbury, com o respectivo equipamento. Bónus: projecto do monolugar Marussia de 2015.

Motor: Contrato com a Ferrari, ficando com a 2ª melhor unidade actual. Bónus: usar o túnel de vento da Scuderia.

Design & Aerodinâmica: Protocolo com o construtor de chassis Dallara (Indycars).

foto: Público
foto: Público

Haas também não é inexperiente nestas andanças, sendo dono da equipa de NASCAR Haas CNC Racing desde 2002. Categorias diferentes, mas a linha orientadora no desporto motorizado está presente.

Depois de terem a máquina afinada, precisam de homens para as conduzir. O caminho mais fácil seria um piloto americano, como veículo de grande patrocinadores do continente do Tio Sam. No entanto e contrariamente à postura actual de algumas equipas do plantel, já garantiu que pilotos inexperientes, sejam vindos do NASCAR ou do GP2, não serão opção. O que são óptimas noticias, pois mostram que a equipa está determinada em ter um projecto credível e sustentável a longo prazo, usando um piloto experiente não só na corrida mas também como mais-valia no desenvolvimento do carro. Devido ao protocolo com a Ferrari, pelo menos um lugar estará garantido para Esteban Gutierrez ou Jean-Eric Vergne.

Tudo isto leva-me a crêr que a Haas F1 Team tem as bases corretas para o campeonato do próximo ano. Não espero que andem a lutar por uma Q2 todos os sábados, mas quem sabe senão irão proporcionar momento interessantes em pista. E é isso que a Formula 1 precisa neste momento: emoção.

 

Marcos Gonçalves

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