WRC – Rally da Austrália: Análise aos pilotos.

A semana já vai a meio e o Rally da Austrália já ficou para trás a alguns dias e, infelizmente aquilo em que somos mesmo profissionais retira-nos tempo para lhe fazer chegar a “tempo e horas” todas as notícias e análises das provas que animaram o fim-de-semana motorizado. Ficam já o nosso pedido de desculpas a todos vocês desse lado.

Da terra dos cangurus até veio de lá um senhor com “louros” no pescoço e a esfregar as mãos de contentamento pelo titulo conquistado, o terceiro consecutivo. Falamos claro de Sebastien Ogier, que se sagrou e a três provas do final, tricampeão do mundo de ralis.

Fica então as nossas análises finais dos pilotos e da 10ª prova da temporada.

Ogier:

foto: facebook WRC
foto: facebook WRC

O Francês da Volkswagen sabia que o seu destino estava traçado há algum tempo. O titulo era uma questão de timing e escolheu a prova certa e a maneira mais indicada para não restarem grandes dúvidas de quem de facto é o melhor piloto de ralis da actualidade.

Ogier soube contrariar o facto de ser o primeiro na estrada durante os dois primeiros dias de prova, tendo com isso o papel ingrato  de “limpar caminho” para a concorrência, que fazia de tudo para deixar o grande rival o mais atrás possível na geral. Nunca o conseguiram verdadeiramente, pois nas segundas passagens e já com os troços bem mexidos, o piloto da Volkswagen recuperou o que havia perdido antes, ao ponto de chegar no final do segundo dia como líder do rally, imagine-se. Com uma calma, um auto-controle e uma classe de campeão, no segundo dia praticamente dizimou todo a concorrência e venceu de forma “tranquila” aquilo que foi um rally nada tranquilo, com Latvala, Meeke e mesmo Mikkelsen a morderem-lhe os calcanhares todo o rally.

Sebastien Ogier no último dia deu um recital de condução, venceu as 5 especiais que desse dia, incluindo a “power stage”, saindo com a pontuação máxima possível num rally, 28 pontos. Simplesmente fantástica a forma como vence o rally demonstrando bem todo o seu talento a conduzir um carro de rally. Incrível!

Nota também e sem tirar mérito à sua conquista nem tão pouco ao título de campeão que é inteiramente justo, para a falta de soluções neste momento no mundo dos ralis. Não existe uma marca verdadeiramente capaz de se bater com os Volkswagen e nem um piloto que faça Ogier tremer verdadeiramente. Isto não mancha o mérito do francês nas suas conquistas mas nós, enquanto fãs da modalidade, gostávamos de ver “outra emoção” até ao final da temporada.

Titulo para Ogier, è tricampeão do WRC, parabéns campeão!

Latvala:

foto: facebook WRC
foto: facebook WRC

O finlândes tudo tentou para levar para casa mais uma vitória, mas a verdade é que nada podia fazer contra um “super Ogier” que foi de facto imparável. Latvala foi um dos grandes animadores do rally, entrando numa engraçada luta pela liderança com K. Meeke, com os dois a trocarem de posição várias vezes na geral e mais tarde também Ogier se meteu neste barulho levando a melhor.

De facto este piloto acordou tarde de mais para o campeonato e não fossem as “asneiras” do início da temporada, ainda certamente teríamos o campeonato aberto por mais uns tempos. Boa prova de Latvala, certinho mas espectacular como sempre, desta vez sem erros e sem dúvida a precisar de continuar assim até final deste temporada, para encarar a época de 2016 com mais optimismo e, quem sabe, se bater melhor com o seu colega de equipa.

Segundo na geral final, bom rally, não venceu mas está de parabéns!

 

Meeke:

foto: facebook WRC
foto: facebook WRC

Neste momento o piloto da Citroen é sem dúvida o único homem a pôr em causa o domínio dos pilotos da Volkswagen, conseguindo bater inclusive um deles, Mikkelsen, arrebatando um bom 3º lugar final num rally que chegou a liderar. Faltou andamento no último dia de prova e talvez o britânico não quis arriscar perder um pódio sempre positivo em detrimento de tentar vencer. Meeke mostrou ser inteligente e estar “a fazer pela vida” para continuar a ter assento na próxima temporada. Certinho, sem erros, deu espectáculo e colocou a Citroen nos holofotes da fama em toda a prova, pois esteve na discussão pela vitória e só não foi mais além porque do lado de lá da barricada estão dois grandes pilotos com os melhores carros do plantel do wrc, simples.

Depois do Rally da Argentina onde subiu ao mais alto lugar do pódio, este é o regresso ao palanque final de um piloto carregado de talento “que um dia ousou bater os Volkswagen”. Leva uma nota bem positiva e é outro que tem de “bater” menos para meter Ogier “em Sentido” na próxima temporada…a qualidade está lá.

 

Mikkelsen:

foto: facebook WRC
foto: facebook WRC

O jovem da Volkswagen fez um rally muito bom, aguentou-se entre os mais rápidos até onde pôde, que é como quem diz, até Ogier estar em pé de igualdade com o a concorrência, no último dia. Aí o norueguês não teve andamento para se manter no meio do “leões” e quedou-se pelo 4º posto final atrás de Meeke. Este não vai querer ficar sempre na sombra “dos dois da frente”, e tem que fazer pela vida. Não se tem safado mal o miúdo e tem grande futuro pela frente!

 

Paddon:

A correr praticamente em casa o piloto neozelandês não esteve mal, mas ao mesmo tempo também não nos encheu as medidas. Passo a explicar: depois dos brilharetes da Itália e Polónia, era de esperar mais do homem da Hyundai e ele também esperava mais certamente. Nunca conseguiu acompanhar os quatro da frente e isso foi bem evidente durante todo o rally, mas ao mesmo tempo também atrás de si ninguém o chateou muito. Sai com um 5º lugar final, no rally onde pela primeira vez foi promovido à equipa oficial da marca coreana, que ainda aluta pelo segundo posto no campeonato dos construtores. Em boa hora o fizeram, pois os outros dois nem a seguir vem no “resumo final”. Já lá vamos!

 

Tanak:

foto: facebook WRC
foto: facebook WRC

Estónio foi o melhor dos pilotos M-Sport, não realizando um rally de excepção, cumpriu. Eu pessoalmente esperava mais de Tanak nesta prova, que até parecia ser ao seu estilo, seja por ser rápida, e por permitir habilidades fora da estrada, onde costuma levar nota artística bem elevada, nas piruetas e nas cambalhotas. Desta vez sem grandes sustos, mas também sem grande andamento, ainda assim chegou para bater os dois Hyundai de Neuville e Sordo, que ficaram logo atrás de si, ainda que sem nunca ameaçarem o seu lugar. Mais uns pontinhos e um razoável 6º lugar final.

 

Neuville:

foto: facebook WRC
foto: facebook WRC

Começa a “cheirar a esturro” esta estadia de Neuville na Hyundai. Que o carro não é o brilharete que se esperava, pelo menos para já. Mas também não é assim tão mau, parece-nos! Paddon já provou que a “carcaça” até anda bem e neste rally deu mais de um minuto ao seu colega de equipa. O próprio Neuville este ano já fez um pódio. Ou seja o carro não é “super” mas também não é mau. Mau parece ser o momento do piloto belga, que  poderá ser da vontade de mudar de ares. Mas se o quer, esta não será de todo a melhor forma de se mostrar. No meio disto tudo, ainda teve o “pobre” do Sordo de levantar o pé para que este 7º lugar final não fosse um 8º. Ai Neuville Neuville, isso já teve melhores dias!

 

Sordo:

O espanhol foi retirado da equipa pontuável para o campeonato de construtores, mas ainda chegou a liderar aprova no primeiro dia do rally. Com o decorrer do 1º dia foi caindo na geral, faltando saber se por falta de ritmo ou por ordens de equipa. Isso aconteceu e é certo e sabido no último dia do rally, com Neuville a saber que jamais Sordo o ultrapassaria. Acaba por fazer o papel de “enche chouriços” e mais do que isso, cortaram-lhe as pernas na luta por um melhor lugar. Mas ordem do patrão é ordem do patrão e são para cumprir. Vai querer esquecer rápido este episódio, e nada melhor que a Córsega e um belo asfalto para mostrar que tem qualidade para ser piloto de “primeira linha”!

Evans:

foto: facebook WRC
foto: facebook WRC

Só demos conta que Evans estava em prova quando vimos um vídeo dele quase a destruir o seu Fiesta numa zona de 6ª a fundo e com um golpe de sorte consegui controlar o carro. Ausente de prova, tempos muito modestos, sem alma e é de facto uma pena porque, pessoalmente, aprecio o género de piloto calculista e sereno que Evans é, mas de facto não “cantou nem encantou”.

 

 

Carlos Mota

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