F1 – GP de Singapura: Qualificação. O record não foi batido e o ‘dedo’ voltou.

Foto: Ferrari
Foto: Ferrari

Senna continua recordista de poles consecutivas (8) e Sebastien Vettel volta ao posto mais alto, levantando bem alto o dedo indicador. O alemão concluiu a sua volta nuns impressionantes 1:43:885, relegando para segundo Daniel Ricciardo (1:44:428), deixando-nos um cheirinho da luta de amanha entre ex-colegas de equipa. O 3 º lugar ficou a cargo de Kimi Raikonnen (1:44:667), seguido de Daniil Kvyatt (1:44:745). Surpreendentemente surgem na 3ª linha os dois Mercedes, com Lewis Hamilton em 5º lugar (1:45:300) e Nico Rosberg em 6º  (1:45:415).

Numa semana em que a comunicação social só teve ‘olhos’ para o binómio Senna-Hamilton, os mais directos rivais trabalharam (e muito) para mostrar que ainda têm uma palavra a dizer nas contas do título.

A RedBull deu-nos um vislumbre daquilo que outrora foi no passado, mas a estrela do dia é a Ferrari. Sebastien Vettel revelou uma frieza tremenda ao levar o monolugar mais além, bem próximo dos limites da pista. Em várias situações os pneus de Vettel estavam a menos de um palmo dos muros… Arrepiante. Raikonnen este em bom nível mas não produziu o suficiente para apanhar o alemão. No final, os dois pilotos estavam bastante contentes com o carro, salientando a aderência como factor decisivo, num circuito com um dos pisos mais irregulares da temporada. Sendo das melhores equipas a gerir o desgaste dos pneus, é esperado que a Ferrari consiga controlar a corrida desde início e talvez até conseguir um undercut de Raikonnen em Ricciardo.

Foto: Red Bull
Foto: Red Bull

Não vivendo ‘apenas’ da velocidade de ponta, o acerto aerodinâmico da RedBull mostrou que consegue rivalizar com os crónicos do costume. Ricciardo conseguiu intrometer-se na dobradinha da Scuderia, deixando-nos em aberto um confronto interessante com o ex-colega alemão. Kvyatt foi o elemento mais rápido da Q1 – numa altura em que foi o 1º a montar pneus super-macios – mas acabou por ser batido na sessão final. Uma nota de apreço para as unidades Renault que mostraram ter ‘chama’ na recuperação do carro nas 23 curvas do circuito. O divórcio antecipado entre duas das mais prestigiadas instituições da Formula 1 parece agora ganhar um (pequeno) período de calmaria.

Ao contrário do que as nossas previsões indicaram, a Mercedes andou perdida nos últimos dias. Nada normal, numa equipa tão dominadora. Os Silver Arrows nunca acharam o seu ritmo de corrida, tendo problemas na gestão dos pneus e não acertando com a carga aerodinâmica na traseira do carro. No entanto tal pode ter uma explicação: para este GP, a pressão mínima dos pneus teve uma nova redefinição de valores, assentando em 18psi na frente e 17psi na traseira. Algo que deixou a equipa desconfortável, nunca conseguindo o balanço correcto e consequentemente, a aderência perfeita.

Foto Mercedes
Foto Mercedes

Apesar de não assumir derrota, no seio da Mercedes não se espera melhor que um 3º lugar. Tal surgiu pelas palavras de Niki Lauda, afirmando que o melhor que Hamilton pode esperar amanha é um 3º lugar. A chave para o progresso da Mercedes está mais assente em pit-stops estrategicamente bem planeados, do que no ritmo de corrida. Estando numa posição privilegiada no campeonato, a Mercedes faz uma gestão do risco, estando mais preocupada em preservar os pontos possíveis entre o 3º e o 6º lugar, do que se lançar numa perseguição desenfreada pelos carros da frente. Não havendo preocupação pela posição de Hamilton, a ameaça vem de Vettel à posição de Rosberg, que está a 21 pontos. No entanto, ainda temos muitas provas pela frente onde o monolugar de Rosberg será bem mais competitivo.

No entanto, já vimos esta época que os Mercedes por vezes comprometem o seu arranque. Caso aconteça, o golpe pode ser demasiado grande para ter uma estratégia de corrida de contenção, obrigando os pilotos (principalmente Rosberg) a correr atrás do prejuízo.

 

Foto: Ferrari
Foto: Ferrari

Na Q1, a Mercedes sentiu o pulso à verdadeira ameaça deste fim-de-semana, com a Ferrari e a RedBull a mostraram que conseguem cobrir e ainda subir a aposta. Ao longo das duas primeiras sessões tivemos uma autêntica dança das cadeiras, com Vettel, Ricciardo, Kvyatt e Hamilton a ocuparem a 1ª posição.

A Q2, já com os pilotos a rodarem com super-macios, a diferença entre Ferrari e RedBull para a Mercedes ficou demasiado evidente. E menos habitual, tivemos Hamilton e Rosberg a compensar alguma sobreviragem dos seus monolugares. Enquanto isso, Kvyatt começou a perder algum gás, tendo Vettel em crescendo já a rodar em 1:44:743. No entanto, a sessão ficou comprometida por um acidente de Carlos Sainz, tendo o espanhol abusado da trajectória e tocado no muro. Resultado: um pneu furado e vai arrancar da 14ª posição. As bandeiras amarelas acabaram por estragar as aspirações da Force India, em que nos segundos antes do acidente tinha Sérgio Perez a fazer melhores sectores que o 10º classificado. Ficou então com Nico Hulkenberg na 11ª posição e Perez na 13ª.

Romain Grosjean (10º lugar) foi único piloto da Lotus representado na última sessão, pois Pastor Maldonado ficou pela 18ª posição, debatendo-se com uma gestão ineficaz dos pneus e uma aderência quase inexistente. No entanto poderá usufruir da vantagem de ter pneus totalmente novos no arranque da corrida.

Foto: Williams
Foto: Williams

A Q3 mostrou ao mundo que o domínio da Ferrari não iria ser posto em causa. Vettel realizou 1:43:885, batendo o seu melhor tempo e deixando Hamilton, o melhor dos Mercedes, a 1.4 segundos de diferença. A Williams mostrou que corrigiu alguns dos problemas de aderência que os assombraram em circuitos citadinos, permitindo-lhes colocar Valteri Bottas na 7ª posição e Filipe Massa na 9ª. Max Verstappen a revelar maturidade num circuito complicado, colocou o seu Toro-Rosso numa excelente 8ª posição.

A McLaren-Honda mostrou que em circuitos com maior peso aerodinâmico e rectas curtas que não revelem o défice de energia produzida pelas unidades híbridas, conseguem ser competentes. Fernando Alonso voltou a derrotar o colega, colocando-se na 12ª posição e Jenson Button na 15ª. A Sauber contentou-se com o 16º lugar com Felipe Nasr e 17º com Marcus Ericsson, enquanto os lugares finais couberam aos Manor, com Will Stevens em 19ª e o estreante Alexander Rossi em 20º.

Há já algum tempo que não tínhamos tantas mexidas nos lugares da frente… Amanha temos uma grande corrida em perspectiva!

Stay tuned, pois após o GP, apresentamos a análise dos pilotos e incidências da prova.

 

Marcos Gonçalves

 

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