F1 – GP de Singapura: Análise (parte I). O senhor do dedo voltou a fazer estragos.

O fim de semana prometia muito. A pista de Singapura é tipicamente um traçado citadino, onde nem sempre os crónicos favoritos conseguem tirar partido das suas máquinas superiores. Uma corrida difícil, longa, exigente a todos os níveis. Sinceramente, começo a gostar deste traçado. Não me convencia no passado mas aos poucos vou entendendo que esta pista é capaz de separar o “trigo do joio”. Foi uma corrida que teve de tudo e acima de tudo teve um vencedor justo, dominante…e que não é da Mercedes

 

Ferrari: Si Ragazzi, si!!

Foto: Ferrari
Foto: Ferrari

A Ferrari penou, lutou muito, fez alterações estruturais profundas e finalmente começa a ver os frutos dessa revolução. Desde o inicio do ano que os sorrisos voltaram a Maranello e a evolução é clara. Arrivabene disse que 2 vitórias em 2015 seria óptimo, 3 seria como ganhar o campeonato e que se conseguissem 4 vitórias, ele subiria o monte próximo da fábrica da Ferrari só de sapatilhas. Pelo andamento, o chefe da equipa terá de se iniciar às praticas do nudismo pois já são 3 vitórias para a Scuderia. A Ferrari apresentou a última evolução do seu motor que coloca os italianos muito próximos da potência debitada pelos concorrentes alemães. E como o chassis é bom, a luta começa a ficar mais interessante. Vettel voltou a ser o senhor do dedo em riste que domina as corridas de fio a pavio, sem dar hipóteses a quem o persegue. Iniciou a prova com um ritmo demasiado elevado e Ricciardo, que seguia em seu encalço, começava a esfregar as mãos de contentamento pois sabia que o seu Red Bull poupava mais pneu que o Ferrari. Mas o primeiro Safety Car fez com que Vettel repensasse a estratégia e a partir daí, começou a ter cuidado com o “calçado” do seu monolugar, apenas aumentando o ritmo quando necessário. Uma corrida imaculada e uma vitória completamente merecida do “Sr. Singapura” (4 vitórias neste traçado). Aquela volta na qualificação merecia um prémio assim. Kimi Raikkonen esteve bem mas assumiu em demasia o papel de 2º piloto. Nunca encontrou uma afinação óptima para o seu carro e não conseguiu ter o mesmo andamento de Vettel ou Ricciardo. Não foi um mau fim de semana para o Iceman mas um piloto com a sua qualidade não pode ficar satisfeito com o resultado e foi visível o descontentamento do finlandês. Dificilmente a Ferrari e Vettel conseguirão ameaçar verdadeiramente a Mercedes este ano. A vantagem conseguida pelos alemães é considerável. Mas Vettel promete fazer suar Hamilton e isso é o que todos queremos. Já agora, o alemão é agora o 3º piloto com mais vitórias na F1 ultrapassando o Rei Senna.

Sebastian Vettel: nota 9

Kimi Raikkonen: nota 8

Ferrari: nota 9

Red Bull: O último pódio da parceiria RedBull/Renault?

Foto: Red Bull
Foto: Red Bull

Ainda somos do tempo que quando se falava da Red Bull, se falavam de vitórias dominadoras, de dedos em riste e de Multi 21. Agora a conversa é mais sobre quem tem a culpa no mau momento da equipa e quem será o próximo fornecedor de motores. Em relação a isso falaremos em breve mas está claro que ou é a Ferrari ou terão de usar a técnica dos Flinstones, que como é sabido não é a mais ideal para fazer andar um carro. Esta conversa de divórcios e contratos sofreu uma pausa durante 2 horas, tempo em que Ricciardo tentou fazer o que muitas vezes fez no ano passado… aborrecer Vettel. Mas a falta de argumentos do motor francês impediu que isso acontecesse. E a equipa ficou presa estrategicamente pois os Safety Cars entraram em alturas cruciais que impediram o “undercut”. Mesmo sem meios para tal, Ricciardo tentou o 1º lugar, lutou mas não teve material à altura do seu talento. E com isso ficou-se pelo 2º, sem sofrer a pressão de Kimi. Kvyat em 6º teve uma corrida discreta. Conseguiu pontos importantes para a equipa mas passou um pouco ao lado dos acontecimentos. Ricciardo voltou a assumir o lugar que é dele… o de nº1. Vamos só colocar aqui uma questão no ar: Se a Red Bull com um motor Renault conseguiu seguir de perto a Ferrari, o que serão eles capaz de fazer com um motor italiano? E quererá a Ferrari este tipo de concorrência? Ou Bernie mexe muito bem os cordelinhos ou não haverá Red Bull e Toro Rosso para 2016.

Daniel Ricciardo: nota 9

Danill Kvyat: nota 7

Red Bull: nota 8

Mercedes: O primeiro grande aviso

Foto: Mercedes
Foto: Mercedes

O fim de semana iniciou-se com a Mercedes no comando das operações mas o passar dos dias mostrou que não tinham carro para vencer no domingo. No sábado foram completamente dominados pela Ferrari e Vettel fez questão de não abandonar a última volta. quando já sabia que tinha a pole no bolso, para fazer um tempo canhão e ficar a 1.4 segundos de Hamilton. Na F1 1.4 seg é uma eternidade. No domingo não foi muito melhor. Apareceram com um ritmo de corrida apreciável mas que não pareceu ameaçar os Ferrari. Hamilton teve um problema com uma ligação do pedal do acelerador com o motor, ou seja não foi o motor que perdeu potência, mas sim o pedal do acelerador que não estava no “máximo”… resultado? Menos 40Km/h e consequente desistência. O britânico ainda é líder e será depois de Suzuka, dada a vantagem pontual que tem, mas perdeu terreno para Vettel e para Rosberg que conseguiu acabar em 4º e somar pontos importantes mesmo sem deslumbrar. Um pormenor interessante. Rosberg devido ao motor “queimado” em Monza terá de receber um 5º motor e como tal uma penalização. Ainda não é certo que o motor usado por Hamilton seja recuperável para Suzuka e caso isso não se verifique, terá de usar também o 4º motor e ficará em pé de igualdade com o companheiro de equipa. Pode não ser nada de importante dada a diferença de ritmo dos Mercedes para a maioria da concorrência, mas ficar atrás dos Ferrari nesta altura do campeonato não é uma ideia agradável em qualquer corrida que seja. Diziam que o campeonato estava a ser aborrecido? Se calhar já mudaram de ideia, não?

Lewis Hamilton: sem nota

Nico Rosberg: nota7

Mercedes: nota 5

Williams: Faltou “caixa” para mais

foto: Williams
foto: Williams

Podia ter sido um fim de semana melhor para a equipa. A pista não favorecia o FW37, que gosta de pista com rectas mais longas e menor apoio aerodinâmico. Ainda assim, o domingo não parecia estar mal encaminhado para os britânicos, mas um erro de Hulkenberg estragou a corrida de Massa que depois teve de desistir devido a problema de caixa e Bottas também teve de lidar com problemas na sua caixa de velocidades no final da corrida. O finlandês trouxe os pontos que provavelmente a equipa esperava mas a desistência de Massa torna este fim de semana um pouco mais sombrio. Ainda assim, não se esperava muito mais da Williams. Se cumprissem sempre com o que é esperado deles podiam estar bem melhor.

Valtteri Bottas: Nota 7

Felipe Massa: sem nota

Williams: nota 7

 

Force India: Um Hulk pouco prudente e um Pérez em forma

Foto: Force India
Foto: Force India

Tal como a Williams, a Force India podia ter tirado proveito deste fim de semana para ganhar mais uns pontos, mas um erro de Hulkenberg gorou os planos da equipa de Vijay. Um piloto que venceu LeMans podia ter o bom senso de deixar a porta aberta a Massa e tentar passar o brasileiro depois. Assim ficou fora de corrida e será penalizado em 3 posições em Suzuka. Já Pérez mostrou mais uma vez a sua qualidade. Continuo a achar que tem potencial para ser um dos melhores do grid e começa a mostrar sinais que amadureceu nos últimos meses. As ultrapassagens Kamikaze fazem parte do passado e a capacidade de poupar pneu mantem-se tal como, infelizmente, a falta de competitividade nas qualificações. Mas na lutas roda com roda é dos melhores e passar por ele não é fácil. Tenho saudades do Checo mais agressivo, mas a equipa agradece esta versão mais composta e segura.  E esta versão B do VJM08 ainda vai dar motivos para sorrir.

Sérgio Pérez: nota 8

Nico Hulkenberg: nota 3 ( por não ter evitado o acidente)

Force India: nota 8

 

 

Parte II da análise neste link

Fábio Mendes

2 pensamentos sobre “F1 – GP de Singapura: Análise (parte I). O senhor do dedo voltou a fazer estragos.

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