F1: Singapura – Mercedes e a baixa performance

Foto: Mercedes
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Quando todos pensavam que este campeonato iria ser um ‘passeio no parque’ para a Mercedes, chega Singapura para baralhar as contas. Não foi uma surpresa ver equipas como a Ferrari e RedBull darem cartas num circuito onde a potência não seria decisiva, mas sim ver a Mercedes cair tanto na qualificação.

Com Rosberg a garantir o 1º lugar (Hamilton em 2º) na 1ª sessão de treinos, muitos pensariam que as bases estavam lançadas para os Silver Arrows conquistarem mais uma dobradinha. No entanto, a 2ª e 3ª sessões mostraram que a Ferrari tinha vindo para ficar, conseguindo um gap de 1.1 segundos para o melhor dos Mercedes (Hamilton). Algo impensável há 15 dias atrás. Mas nem a 2ª melhor equipa seriam, pois a RedBull apresentou-se ao serviço bastante competente, acabando por roubar a 3ª e 4ª posições na 3ª sessão.

A qualificação acabou por ser a machadada final, com Hamilton e Rosberg a arrancarem da 3ª linha, deixando o campeão do mundo a 1.4 segundos de Vettel (1º). Alguns supunham que os desaires da Mercedes na sexta-feira resultavam de uma estratégia camuflada, tentando guardar a sua melhor performance para sábado e surpreender os rivais. Quando na verdade, quem escondeu o jogo foi a Ferrari, conseguindo acrescentar ainda mais 0.3 segundos ao gap existente com os Silver Arrows!

Foto: Mercedes
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Quando a própria Mercedes assumia que o objectivo seria chegar ao 3º lugar – nas palavras de Niki Lauda – eis que o campeão do Mundo é obrigado a desistir durante a corrida, por um problema mecânico. Foram demasiadas condicionantes para um fim-de-semana só.

A verdade é que ainda não existem explicações 100% concretas sobre o(s) verdadeiro(s) problema(s) da equipa de Brackley. Aqui fica o que sabemos até ao momento.

Em Qualificação:

Foto: Mercedes
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Em Monza, a Mercedes estava cerca de 0.5 segundos acima da Ferrari; em Singapura 1.4 segundos abaixo. Logo, foram quase 2 segundos ganhos pela Scuderia em 15 dias. As cabeças pensantes no seio da Mercedes avançam com várias teorias:

  • Em termos de potência não haveria problema, pois os upgrades lançados em Monza tinham-se mostrado fiáveis durante os treinos e não haviam dados de algum decréscimo em relação ao GP anterior;
  • Em termos de balanço também não, pois o ajuste ideal foi feito na carga aerodinâmica, tendo em conta as características do circuito;

No entanto, os pilotos queixavam-se que não conseguiam colocar toda a potência na estrada. E tal acontecia por culpa dos pneus. Desde o início da temporada que a Mercedes nunca esteve tão confortável como a Ferrari na utilização de pneus super-macios, como vimos no Mónaco e na Áustria. Sendo o supra-sumo da aderência em piso seco, os super-macios têm algumas nuances: o intervalo de temperatura para o funcionamento ideal do pneu é muito curto e o nível de degradação é extremamente alto.

Resumindo: em qualificação, as equipas têm de conseguir ter o pneu à temperatura ideal o mais rápido possível, sob pena de ele apenas ficar quente quando o grau de degradação é de tal forma grande, que o composto já não produz a sua melhor performance.

Foto: Mercedes
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E não existe uma fórmula mágica para colocar o pneu na temperatura ideal. Depende do asfalto, do estilo de condução, da temperatura do pneu antes de ser montado no carro, da forma como a potência é distribuída às rodas, de tipo de curva, etc. Se todos estes factores não forem conjugados da melhor forma, o pneu não vai ter o seu core aquecido de forma homogénea, ficando apenas com algumas zonas de rolamento sobreaquecidas. E quando esta distribuição de temperatura é tão heterogénea, é normal os constantes derrapanços da Mercedes durante a qualificação.

E num circuito com 23 curvas, muitas delas abordadas em baixa velocidade (1ª/2ª mudança) e com ângulos de 90 graus, a falta de aderência dos Mercedes foi exponenciada.

Em Corrida:

11998862_10153072415207411_4277873468502156369_nComo não existem milagres, a Mercedes abordou a corrida com os mesmos problemas de sábado. A única diferença é que teria à sua disposição um conjunto de várias voltas para ir gerindo a temperatura dos pneus, ao contrário de apenas 2 voltas lançadas que efectuou na Q3. No entanto na volta 26, deu-se o golpe de teatro: Hamilton informa a equipa que o monolugar está a perder potência.

Hamilton deixou-se passar por toda a gente, enquanto a equipa analisava o sucedido. Primeiro sugeriram ao piloto alterar a cartografia do motor, depois um reset a todos os sistemas. Sem sucesso, Hamilton acabou por abandonar. No início julgava-se que as especificações introduzidas em Monza podiam ter originado o problema, mas Toto Wolff veio a publico esclarecer que se tratou de… uma braçadeira. Um simples braçadeira que se partiu na ligação do intercooler com o plenum. Esta quebra deixou o motor pouco reactivo, mesmo quando Hamilton dizia que tinha o pé no fundo do acelerador. Segundo Wolff não é algo expectável, pois esta peça sempre mostrou enormes índices de fiabilidades. São coisas que acontecem.

Foto: Mercedes
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Como tal, não existe nenhuma teoria da conspiração que aponte para sabotagem nos pneus ou modos de poupança nos motores. Derivado de um conjunto de factores, a Mercedes simplesmente não conseguiu configurar um monolugar suficientemente competitivo. O que para a Formula 1 foi óptimo, quebrando o status quo e deixando tudo em aberto para as próximas corridas.

Suzuka é uma pista completamente diferente, pelo que não é esperada uma situação idêntica. Mas como referimos anteriormente, os factores são tantos, que outros poderão surgir e deixar a Mercedes novamente em dificuldades.

 

Marcos Gonçalves

3 pensamentos sobre “F1: Singapura – Mercedes e a baixa performance

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