F1: RedBull – “Acho que ainda não desisti da Fórmula 1 na última meia hora…”

2a187-christian-horner-red-bull-racing-rbr1Birrenta. É a palavra que me ocorre para descrever a RedBull actualmente. Seja pelo Director de Equipa (Horner), seja pelo Consultor Honorário (Marko) ou mesmo pelo Presidente (Mateschitz), todos fazem questão de nos lembrar diariamente que se as suas vontades não forem cumpridas, sairão da Formula 1.

Reality Check: nos últimos 20 anos apenas uma equipa se manteve igual na Formula 1… a Ferrari. Todas as outras mudaram de nome, faliram ou ressurgiram como equipas-cliente, ou tiveram de mudar de fornecedor de motores e adaptarem-se a novas realidades. E como o core da RedBull não são motores mas sim dar asas com bebidas energéticas, se abandonarem em 2016 serão esquecidos dentro de muito poucos anos.

E não me interpretem mal: isto apenas acontece porque a estabilidade da modalidade prende-se directamente com a sua evolução. Eventualmente alguém no tempo de Ayrton Senna e Alain Prost diria que a F1 não fazia sentido sem a McLaren-Honda… e falhou. Uns anos depois com a hegemonia da Ferrari e Schumacher a mesma coisa. Independentemente dos nomes sonantes, o desporto adapta-se às equipas praticantes e só conta quem cá está. Nenhuma equipa deve achar-se maior que a modalidade.

formel-1-2015-test-jerez-redbull-1106Todos sabemos das grandes dificuldades que a Renault teve na transição de motores V8 para unidades hibridas V6 turbinadas. Como qualquer grande marca neste meio, tem feito o melhor que está ao seu alcance para apresentar um produto competitivo e manter o seu bom nome. E este campeonato não começou nada bem, sendo a RedBull batida pela Ferrari e a Williams, caindo com estrondo no 4º posto do Mundial de Construtores. A queda não caiu bem a Christian Horner, que regularmente fez questão de enxovalhar a Renault em público, dizendo que “a marca francesa não está a fazer tudo o que pode para sairmos do fosso em que estamos”.

Sabendo que estamos numa época de restrição financeira nos desenvolvimentos e com um número limitado de tokens para os concretizar, a Renault comprometeu-se em lançar um pack significativo de upgrades para o Grande Prémio russo. Só que o tempo foi passando e a falta de performance foi também acompanhada de pouca fiabilidade… Os dois pilotos azuis somam até ao momento três desistências devido a problemas mecânicos. Mas como existe sempre a outra face da moeda, temos exactamente o mesmo número de pódios: 2º e 3º lugares na Hungria e 2º lugar em Singapura. E como diria o nosso amigo Fábio neste artigo, quem vier com tretas que parte aerodinâmica da RedBull é que conta, deve pensar que os carros se movem como nos Flinstones…

A RedBull está no seu direito de exigir mais. Mas qualquer equipa que se preze elogia em público e critica em privado. A lavagem de roupa suja GP após GP apenas azedou a relação com a Renault. Quando temos um elemento da equipa que precisa se chegar à frente e produzir um bom trabalho, a ultima coisa que precisamos é uma caça às bruxas em praça pública… Muito menos quando já está prometida uma melhoria para Sochi. Só resta esperar por Outubro e caso a ultima esperança da Renault não se mostre à altura, então sim… Ai podem largar o inferno sobre a marca francesa. Mas na cara dos responsáveis do departamento de F1 e não a um qualquer jornalista da Sky Sports, BBC, ESPN, etc.

Foto: Getty Images
Foto: Getty Images

Como já se percebeu que o divórcio vai ser complicado, a RedBull começou logo a namorar outros parceiros. A melhor opção do mercado seria a Mercedes e rapidamente os austríacos derreteram-se em elogios à performance das unidades alemãs. Mas tal como a menina mais popular da escola que não quer nada com o puto feio, Toto Wolf não viu este casamento atractivo. A Mercedes está numa posição dominante que não pretende abdicar tão cedo. Uma parceria com a RedBull iria torná-los uma ameaça ainda mais séria que a Ferrari. Podendo concretizar este ano o bi-campeonato e com excelentes perspectivas de fazer o tri, não se justifica o risco de aliar um chassis brilhante a um motor fantástico. E Adrian Newey estava ali já ao virar da esquina…

E quando viu esta porta fechada, Christian Horner ameaçou desistir da F1. Mas foi uma ameaça de curta duração pois o puto feio interessou-se pela 2ª menina mais popular, a Ferrari. Nessa altura o sorriso rejubilou e o casamento parecia selado. Mas o interesse é relativo, pois a apesar da Ferrari não se importar em fornecer motores, teme pelo mesmo que a Mercedes: demasiada competitividade. Portanto, surgiram logo rumores que a Scuderia devia pensar com calma nesta aliança, que pode ser um veneno a longo prazo. E com isto, Helmut Marko ameaçou desistir da F1.

foto: Red Bull
foto: Red Bull

Foi então que outra menina que ainda não era popular mas tem tudo para ser, surge em cena. O Grupo Volkswagen pretende comprar a RedBull com o objectivo de introduzir um motor seu em 2018 (Audi talvez…). A VW, prudente, sabe que entrar no próximo ano sem um projecto sustentável seria um erro. Logo, asseguram agora uma equipa que já tem know-how e vão preparando o futuro com calma. E os olhinhos de Horner voltaram a brilhar… Mas até 2018 alguma coisa tem de fazer o carro mexer, levando a VW a ver com bons olhos a parceria temporária com a Ferrari.

Mas a Ferrari, sabida da vida, repensou o fornecimento de motores mas com versões desactualizadas. Ou seja, a RedBull iria abordar cada GP sempre com uma versão inferior ao topo de gama italiano existente nos monolugares de Vettel e Raikonnen. E ao saber disto, Dietrich Mateschitz ameaçou…. Enfim, vocês já sabem.

 

foto: Red Bull
foto: Red Bull

Em última analise, a RedBull está mimada ao ponto de achar é a entidade fulcral de toda a modalidade. Vive de um estatuto de tetracampeã (sem historial anterior), esquecendo que esses 4 títulos foram conquistados com um motor fantástico da Renault… O mesmo que agora já não presta. Numa entrevista recente, Mateschitz indicou que “uma equipa cliente só tem um motor que seja bom o suficiente para roubar pontos aos rivais, mas nunca para bater a equipa que o concebe. Com um motor cliente nunca mais vamos conquistar o título. Se for esse o caso, não estamos interessados na F1”. Memória de peixe portanto… A meu ver, esta frase é o maior desrespeito por tudo aquilo que a Renault alcançou entre 2010 e 2013.

Mais ponderação exige-se no futuro, meus caros.

 

Marcos Gonçalves

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