F1 – GP do Japão: Antevisão

Suzukaaaaaa!

image58É com este entusiasmo contagiante que os fãs japoneses recebem o grande circo na 14ª jornada. Apesar do povo japonês ser conhecido pela sua extravagância com todos eventos realizados no seu pais, não poderíamos estar mais de acordo: este com certeza vai ser um fim-de-semana de grandes emoções!

Na pista, os olhos vão estar colocados na Mercedes, que procura reestabelecer a sua posição dominante. Será que os alemães vão conseguir provar que Singapura foi um pequeno erro de percurso? Ou será que a Ferrari já tem armas para derrotar o motor do momento, num circuito rápido e empolgante?

14Fora da pista, o pensamento estará com Jules Bianchi e sua a trágica participação do ano passado. Sob chuva intensa, o piloto francês sofreu um despiste na curva Dunlop contra a grua que removia o também acidentado Adrien Sutil. Este acidente viria a ser fatal, pois após vários meses em coma, Jules acabou por falecer no passado mês de Julho. Com certeza iremos ver homenagens muito bonitas a um piloto que ainda tinha muito para dar.
O circuito de Suzuka é um ‘animal’ completamente diferente de Singapura: criado em 1962 como circuito de testes da Honda, é um dos poucos circuitos do mundo em forma de ‘oito’. Cheio de curvas rápidas (algumas de 300km/h) e rectas quase intermináveis, este GP contribui anualmente para as melhores ultrapassagens da temporada. Seja da boca dos fãs ou dos pilotos, é reconhecido como um dos circuitos mais entusiasmantes do calendário. E esta opinião não se restringe apenas ao mundo da F1, pois o circuito já teve (e tem) outras modalidades: Endurance, WTCC, Moto GP, Super GT, Super Formula, etc.

637423-and-this-is-the-result--a-great-panorama-of-the-Suzuka-circuit-1Historicamente este GP encontra-se na recta final do temporada, já tendo sido palco da decisão de 13 campeonatos mundiais, em 30 aqui disputados. Que o digam os fãs mais antigos, que tiveram o privilégio de assistir ao confronto Senna-Prost em 88 e 89! Tal como em 2000, depois de uma longa batalha com Mika Hakkinen, Michael Schumacher assegurou a vitória e o seu 1º título pela Ferrari. Mais recentemente tivemos Sebastian Vettel a fechar aqui as contas do bi-campeonato de 2011. Aliás, Vettel é a força dominante no activo: 6 corridas, 6 pódios, 4 poles e 4 vitórias.

Apesar da simplicidade do desenho, é um circuito bastante técnico que requer muito dos pilotos e engenheiros. As longas rectas exigem que o monolugar extraia o máximo da sua velocidade, que por norma se consegue retirando alguma carga aerodinâmica. Mas não pode ser em demasia, pois a mesma vai ser crucial no balanço do carro na famosa zona dos ‘Esses’. Sendo o extremo oposto de Singapura, este traçado exige os pneus mais resistentes da Pirelli: médios e duros. Apesar do asfalto ter sido mudado há poucos anos, continua bastante abrasivo, fazendo destes compostos a melhor opção para abordar a corrida. E sabendo da incerteza meteorológica que normalmente assola a região, não seria de estranhar se os pneus de chuva não sejam também equacionados.

15Depois dos acidentes do ano passado, a organização resolveu instalar uma grua de maior alcance na curva Dunlop. Desta forma, a grua ficará localizada numa zona menos “invasiva” das escapatórias e o seu maior alcance facilitará a remoção dos carros acidentados. É preciso não esquecer que esta pista é das mais perigosas do calendário: altas velocidades, repentinas monções, escapatórias duvidosas de relva e gravilha… Tudo torna qualquer erro fatal ao nível da corrida e muitas vezes com consequências sérias para a segurança do piloto.

 

Foto: Mercedes
Foto: Mercedes

Durante meses, a Mercedes tinha as operações totalmente controladas. O melhor monolugar e o piloto em melhor forma. A supremacia era tanta que a determinada altura pediram maior competitividade… E tiveram-na. Singapura veio baralhar as contas e mostrar que a Ferrari não está para brincadeiras. As mais recentes evoluções do SF15-T ao nível do motor e de aerodinâmica mostraram que Vettel pode-se tornar um espinho no pé de Rosberg, que está agora a uns meros 8 pontos. Matematicamente também é possível anular a distância para Hamilton, mas o inglês tem um balão de oxigénio de 49 pontos, que tornam a tarefa mais difícil. Mas quando vemos o W06, supra-sumo da fiabilidade, a abandonar em Singapura, então a Ferrari “pode tornar o impossível em possível”, segundo Vettel.

As provas anteriores já nos mostraram o desempenho da Mercedes em circuitos rápidos, pelo que se pode esperar um andamento na linha do que se passou em Spa ou Monza. E ao contrário da semana passada, já não temos a aventura dos pneus super-macios, estando a Mercedes à vontade com os compostos mais rijos. A verdadeira incógnita está do lado da Ferrari: será que vão ter um carro competitivo num dos circuitos mais rápidos do calendário ou será que vão acabar a 25 segundos de Hamilton como em Monza?

Foto: Red Bull
Foto: Red Bull

A RedBull aborda o fim-de-semana com alguma bipolaridade: da perspetiva dos pilotos Daniil Kvyat e Daniel Ricciardo, a moral não podia estar mais alta, depois do bom desempenho em Singapura. O australiano bateu sem rancor os dois Silver Arrows e chega a Suzuka com o ego bem massajado; da perspetiva da equipa, o futuro continua incerto. Depois de todos os dias ameaçarem desistir da F1 caso não tenham motores competitivos, resta a última palavra à Ferrari – se fornecem ou não motores aos rivais.

A Williams está confiante nos seus carros e aspira poder discutir posições com a Ferrari. Depois de um GP razoável na semana passada, Valteri Bottas e Filipe Massa confiam num desempenho superior nesta pista e prometem dar dores de cabeça na linha da frente. No entanto, da intenção à prática ainda vai um longo caminho e vamos ter de esperar pelos treinos livres para perceber a evolução.

Foto: Lotus
Foto: Lotus

A Lotus continua a percorrer o caminho da amargura… O impasse com a Renault, a área de trabalho em Suzuka interdita por um pagamento atrasado e o arrastar do processo em tribunal contra a HMRC. Apesar de estarmos a lidar com profissionais, é natural que a incerteza vinda do exterior afecte a qualidade do trabalho desenvolvido. Em pista, a PDVSA… desculpem, Pastor Maldonado ficou seguro para 2016. Logo, quer mostrar às más-línguas que o “Terror do Asfalto” é (afinal) uma aposta de confiança. Romain Grosjean já nos mostrou em Spa que o seu carro tem ali um botão de mega-boost made-in Mercedes (óptimo nas longas rectas) que pode fazer um brilharete no domingo.

Depois de um fim-de-semana anterior para esquecer, em que a Force India desperdiçou pontos e a Sauber não mostrou um bom andamento, é esperado que este regresso à “velocidade” os volte a por no caminho dos pontos. No caso da Toro Rosso, estamos todos à espera que Max Verstappen e Carlos Sainz Jr. calhem juntos em pista… Depois da polémica ordem de equipa para ceder posição ao espanhol, Mad Max deu o mais vigoroso “Não!” da história da modalidade. Sainz por seu lado, diz que merecia ter passado (apesar de não ter mostrado andamento para tal). Suzuka é o melhor sítio para um tira-teimas…

Foto: McLaren
Foto: McLaren

Para a McLaren, espera-se que Suzuka possa ser o Inferno… Aquelas longas rectas vão por (novamente) a descoberto os problemas das suas unidades hibridas. Sendo a equipa da ‘casa’, a vontade da Honda em apresentar serviço é enorme. No entanto, mais do que um bom lugar, os japoneses têm de garantir que levam os seus dois monolugares até ao fim. Culturalmente, os japoneses até vêem com bons olhos a equipa terminar fora dos pontos (morrer de pé), do que simplesmente não terminar.

No caso da Manor, espera-se que esteja com a emoção à flor da pele ao longo de todo o fim-de-semana. Bianchi era um elemento muito querido no seio da equipa… Will Stevens e o rookie Alexander Rossi irão com certeza dar o seu melhor para homenagear o malogrado colega.

É de esperar também que durante o fim-de-semana ou nos dias imediatamente a seguir, várias dúvidas se vejam resolvidas:

  • Button retira-se da Formula 1?
  • A Renault conclui a compra da Lotus?
  • A Haas F1 Team oficializa Romain Grosjean?
  • A Ferrari fornece motores à RedBull?

 

Dados estatísticos

 

Comprimento: 5.807 km

Voltas: 53

Distância de corrida: 307,47 Km

Volta record em corrida: Kimi Raikonnen, 2005, 1:31:540

Volta record: Michael Schumacher, 2006, (1:28:954)

Passagens de caixa por volta: 48

Nível aerodinâmico: Médio-Alto

Pneus : Médios e Duros

 

 

Traçado da pista:

Sem Título

 

Onboard da Pista:

No ano passado foi assim:

 

E o que pensam os nossos leitores? Deixem a vossa opinião na caixa de comentários!

 

Marcos Gonçalves

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