Entrevista a Edgar Florindo

1795681_954623741251046_1485059355196566973_nTivemos o prazer de entrevistar Edgar Florindo, piloto de Vila Real que milita na Legends Cup e que vai estrear o seu novo carro no próximo fim de semana.

O Toyota Carina E possui uma nova decoração mais alusiva às empresas do Grupo Rui Florindo, assim como a parceria com a rede de oficinas nacional TOPCAR, além do habitual apoio da Azenha de Vilarinho dos Freires – Peso da Régua e Banco BPI.

Tivemos uma hora à conversa com o piloto e o resultado foi o seguinte:

 

De onde vem o gosto pelas corridas?

Desde os meus 14 anos que pedi um kart ao meu pai mas ele nunca concordou com a ideia. Aos 18 pedi um carro de corrida e tive a mesma sorte e como tal tive de ser eu a comprar o meu carro de corrida. Depois de comprar o carro, já tive e continuo a ter apoio incondicional dos meus pais. Sempre achei que tinha jeito e depois de me sentar ao volante confirmei o que achava. Com 16 anos tive a oportunidade de fazer uma prova de Autocross mas a minha família foi contra a ideia. Penso que se tivesse começado mais cedo poderia já estar noutro patamar. Mas desde sempre que gostei de corridas.

 

Como começou no mundo das corridas?

10991191_894096173970470_4516931731605175342_nEm Dezembro de 2011 comprei um carro que ainda possuo, o Toyota Corolla, e fui fazer a primeira prova não oficial, no Circuito de Guilhabreu, sensivelmente 1 mês e meio depois de ter adquirido o carro. E estavam muitos carros presentes na prova, bastantes deles mais potentes que o meu, mas ainda assim consegui fazer a melhor volta, pois o traçado era sinuoso o que me favorecia. A partir daí comecei a fazer provas oficiais. Fiz a Rampa de Bragança e o Rali de Mesão Frio. Na rampa não tive um resultado expressivo, pois o traçado é feito de muitas rectas e a falta de potência do carro não ajudava, mas no rali estava em 4º lugar à geral e em 1º da minha categoria numa prova com mais de 30 participantes, mas infelizmente o carro avariou no 4º troço, deitando por terra as aspirações a um bom resultado

Depois disso parei um ano em 2013, aproveitei para evoluir o carro e voltei em 2014 no Legends. Fiz Braga e Vila Real e este ano estou a fazer o campeonato completo.

 

 

Que balanço faz do campeonato?

O campeonato não está a correr como gostaria. Infelizmente tenho tido avarias mecânicas que me têm impossibilitado de lutar por melhores resultados. Das 3 provas em que participei, ainda não tive um fim-de-semana livre de avarias. Em Braga não fiz nenhuma corrida no Estoril venci a primeira corrida à geral e na segunda o carro aqueceu quando estava em 2º da geral a poucos minutos do final da corrida, acabei ainda no top 10. Em Vila Real também não correu como gostaria, mais uma vez com problemas no carro.

 

Então a mudança de carro pretende ser uma espécie de recomeço. Se Não tivesse estas avarias acha que poderia estar melhor classificado?

12067907_707751842657721_127481561_nActualmente, na categoria PH99, o líder é um Citroen AX. Neste momento estou em 3º mas se tivesse um carro mais fiável muito provavelmente estaria melhor colocado. É isso mesmo que pretendo com o novo carro. Quero acima de tudo ganhar ao nível da fiabilidade para assim pelo menos terminar as provas. Estou a desenvolver os esforços possíveis para que isso seja uma realidade e que possa esquecer os problemas que tenho tido.

 

E em relação ao seu novo carro, quais são as características e expectativas?

O carro é basicamente igual ao que eu usei até agora.É um Toyota Carina E de 210Cv. A decoração foi mudada para as cores do Grupo Rui Florindo e voltamos a contar com o apoio da TOPCAR, assim como da Azenha de Vilarinho dos Freires – Peso da Régua e Banco BPI. É um carro de troféu da mesma altura do anterior, mas neste carro fiz tudo novo desde motor, à revisão da suspensão, passando pela electrónica, caixa de velocidades, travões, etc. A nível de andamento não deverá surpreender muito, pois as características são idênticas. Espero é que ao nível da fiabilidade seja muito melhor e que me permita lutar pelos resultados que pretendo. Mas como é um carro novo é necessário afinar tudo e evoluir, como tal poderá ainda haver um ou outro erro, estamos a fazer tudo para que isso não aconteça, mas vou sem pressão em relação a resultados.

 

O trabalho de reconstrução e afinação é complicado?

12083707_707751869324385_1599248349_nEu já tenho prática pois este ano já o fiz 3 vezes com o carro anterior como tal já tenho experiência. É um trabalho exigente é certo mas com dedicação tudo se consegue.

 

Acha que é complicado ser piloto de competição cá em Portugal?

É muito complicado pois é difícil arranjar apoios para os pilotos e a federação, tal como as associações e os promotores poderiam fazer um trabalho melhor nesse sentido. Há muita coisa a melhorar no desporto motorizado nacional e como tal torna-se complicado arranjar os patrocínios. A falta de divulgação das provas é um problema que existe e que não ajuda na hora de procurar patrocinadores.

Eu pessoalmente tenho apenas um grande apoio fora das nossas empresas, que é a TopCar, mas tem disso difícil convencer patrocinadores a investir, com tão pouca divulgação das provas. Os patrocinadores como é obvio pretendem algum retorno do seu investimento e se as pessoas não vão ver as provas por falta de divulgação esse retorno torna-se impossível de concretizar.

Mas há pessoas que estão a tentar mudar este cenário e querem melhorar esse aspecto

 

A nível federativo acha que há coisas a melhorar?

12086750_707751832657722_518911749_nClaramente. Por exemplo nesta atura já deveríamos saber os regulamentos para a próxima época e infelizmente ainda não estão disponíveis. Não faz sentido que os regulamentos sejam entregues poucas semanas antes do início das provas. No CNV por exemplo, fala-se dos TCR, mas oficialmente não se sabe de nada.  E não se pode montar um projecto em Janeiro para começar a competir em Fevereiro ou Março. No ano passado apenas 15 dias antes os regulamentos foram publicados e por causa disso tive de fazer uma alteração de última hora no Corolla. Não faz sentido que assim aconteça.

 

 

Vila Real foi o fim de semana mais difícil para si?

Provavelmente terá sido o mais difícil sim. Nem era por correr em casa ou pelas corridas serem transmitidas na Tv, mas essencialmente por mais uma vez não poder lutar pelos meus objectivos por problemas mecânicos. Claro que sendo na minha cidade a motivação era maior mas o simples facto de mais uma vez não poder competir deixou-me muito frustrado, mais ainda depois de todo o trabalho feito no carro. Foi logo depois do fim de semana do Estoril, onde consegui o meu melhor resultado até agora e a motivação era grande. Não poder lutar por falhas mecânicas foi de facto frustrante.

 

O resultado do Estoril deixou-o obviamente satisfeito, mais ainda sendo como disse o melhor resultado até agora.

12077096_707751939324378_654493602_nObviamente que sim. Não conhecia a pista e chegar lá e conseguir ser primeiro à geral foi excelente, mais ainda por ter sido o primeiro 2L atmosférico a vencer uma corrida à geral nos Legend’s Cup. Até agora as vitórias tinham sido apenas de carros bem mais potentes como os Sierras e o Mercedes 190DTM, penso que também um M3 já tinha ganho e eu consegui com um carro de menor potência vencer, o que me deixou muito feliz.

 

 

Pensa que já começa a ter  o seu espaço na competição?

Sim, creio os meus adversários e até pessoas de fora começam a conhecer-me a respeitar-me. E comecei a notar isso no fim de semana de Braga, em que à chuva consegui fazer tempos similares aos do Mercedes DTM, no entanto ficou um sabor amargo nos cronometrados pois na volta que me poderia dar a pole-position o carro avariou. A partir daí, penso que consegui merecer o respeito de todos.

 

 

Quais são os planos para o futuro?

10995435_924942764219144_8177916326858638865_nTenho um projecto estruturado na minha cabeça para os Legends com o objectivo de tentar vencer a categoria PH99 e também para tentar lutar por vitórias contra as máquinas mais potentes. Mas tenho de esperar pelos regulamentos para ver o que posso fazer. Estou também atento ao CNV e a estas novas alterações, com a possível entrada dos TCR, desde que os regulamentos sejam bem estruturados, mas por enquanto a minha prioridade está nos Legends.

 

Como encara a entrada dos TCR no nosso campeonato?

Penso que poderá ser o regresso aos bons velhos tempos, em que os campeonatos eram competitivos e havia grandes disputas. Neste momento isso não existe. Os carros são mais baratos que os GT´s, por exemplo,  e com carros mais baratos e muito nivelados, poderemos voltar a ter competitividade em pista. E isso será bom para o público, que voltara a ver grandes lutas e mesmo para os pilotos que poderão melhorar e evoluir mais. Só com grandes disputas um piloto se motiva e consegue crescer. Em Portugal há bons pilotos mas muitos deles estão parados mas com os TCR, esses pilotos poderão voltar, assim como novos pilotos e isso seria óptimo para a competição. Eu próprio penso que posso evoluir muito ainda e essas lutas em pista seriam o ideal para me puder superar como piloto e conseguir atingir o nível que sei que posso atingir.

 

 

Das provas maiores internacionais, qual a categoria que mais o atrai.

Gosto muito de carros de turismo, como o DTM ou os V8 Supercars. Gosto de F1 também mas a minha grande paixão são os turismos.

 

Há algum ídolo ou piloto de Referência?

12092289_707751989324373_2111847413_nSem dúvida Ayrton Senna. Embora não tenha visto muito na altura por ser muito novo, mas pelo que fui descobrindo do piloto depois, é sem duvida uma referencia e um ídolo. Há outro piloto nos ralis que gosto muito que é o Jean Ragnotti. São as minhas duas grandes referências.

 

Qual o carro que gostaria de conduzir?

Na  Legends gostava de muito de conduzir um M3 E30. Espero ter um dia um Escort para os clássicos, ou pelo menos conduzir um.

 

Qual a pista que mais gostou ou que gostava de fazer?

Vila Real, sem dúvida nenhuma, foi a melhor pista onde competi. É simplesmente espectacular. E como gosto de traçados difíceis e sinuosos, gostava muito de ter conduzido no circuito de Vila do Conde. Lá fora gostava de experimentar Macau. Adorava fazer esse circuito por ser citadino e por ser dos mais difíceis.

 

 

Agradecemos ao piloto Edgar Florindo o tempo que nos dispensou para responder as nossas perguntas e desejamos a melhor das sortes para que a nova máquina possa ajudar o piloto a atingir os objectivos a que se propõe.

 

 

Equipa Chicane

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