F1 – Maurizio Arrivabene: O homem que chegou em boa hora

Stefano-Domenicali1O calvário durava (e ainda dura) desde 2008. O ano do último campeonato de construtores da Ferrari, obtido pelo esforço de Massa, que não venceu o título de pilotos por 1 ponto, como Kimi Raikkonen tinha feito no ano anterior. Desde então que a Scuderia apenas conseguiu ser vice. E esse titulo não agradava nem à Ferrari, nem aos tifosi, que se habituaram a vencer muito, no tempo do Barão Vermelho Schumacher. Ganhar não é uma opção no reino vermelho. É uma obrigação. Mas desde o último campeonato conquistado que a equipa nunca conseguiu produzir os resultados exigidos. Viu equipas como a Brawn, a McLaren, a Red Bull vencer e nem com o milagreiro Alonso, que insistiu em colocar os carros na luta pelos títulos, quando claramente não tinham capacidade para tal, ajudou a contrariar a tendência clara…a Ferrari estava a perder força.

O início da ruptura deu-se em 2013, quando mais uma vez Alonso ficou a poucos pontos do título, ele que ainda foi virtual campeão durante a última prova em Interlagos. A liderança de Stefano Domenicali começou a ser fortemente questionada e 2014 traria o cenário que parecia inevitável… A Ferrari produziu mais um carro fraco e cabeças rolaram. Mas ao contrário do que era hábito não foram só chefes de departamentos que recebream guia de marcha. Domenicali e Montezemolo também caíram. Os homens fortes da estrutura saiam e uma névoa cada vez mais densa se abatia sobre a equipa.

 

arrivoubenissimmoA entrada em cena de Sergio Marchionne foi fundamental para o que se seguiu. O chefe da Fiat – Chrysler assumiu o controlo da Ferrari e tratou de colocar um homem da sua confiança na chefia da equipa de F1. Esse homem era Maurizio Arrivabene. Marco Mattiaci, que tinha assumido o lugar de Domenicali, foi literalmente despachado e entrou em cena um homem com uma ligação de há muitos anos com a Ferrari.

O passado de Arrivabene não é muito claro e nem na Phillip Morris, onde trabalhou durante 4 décadas na parte de Marketing, nem na Ferrari onde começou a sua ligação no final dos anos 80, sendo o escolhido pela empresa tabaqueira para tratar do patrocínio da Marlboro à Scuderia, se podem encontrar muitas informações sobre o italiano.

Desde cedo que Arrivabene entendeu a importância da Ferrari para a F1 e para a Itália. Quando lhe foi entregue a pasta do patrocínio da Ferrari (na altura com a marca Marlboro), teve de se encontrar com Enzo Ferrari, para que este desse a “sua bênção” e pudesse então trabalhar com a Scuderia. A reunião foi feita na pista de testes de Maranello. Arrivabene foi com o seu chefe e ficou à espera de ser chamado, admirando, com os olhos a brilhar, o carro vermelho e a azáfama dos mecânicos à volta do mesmo. Passado poucos minutos o chefe do italiano aproximou-se e disse que o Sr. Ferrari o tinha aceite. “Mas como, se eu ainda nem falei com ele?”. Foi então que o seu chefe lhe explicou que quando chegou ao pé de Enzo Ferrari, este disse-lhe “o tipo agrada-me”. Quando lhe perguntou como poderia agradar se ainda não tinha falado com ele, Enzo apenas disse: “Eu sei, mas estava a ver a forma como ele olhava para o meu carro”.

Longe estaria Arrivabene de pensar que tantos anos depois seria um dos responsáveis pela equipa de Enzo Ferrari.

Kimi-Raikkonen-F1-Grand-Prix-China-Qualifying-UGqn7OOaoH6xAo contrário do seu antecessor, Arrivabene entende a F1 e sabe como ela funciona. Além de ter muitos anos de ligação à Ferrari, em que conheceu muito pilotos e pessoas importantes do paddock, é também membro da “F1 Commission”, um grupo que define as linhas mestras da F1.

A ligação de Arrivabene com  a Scuderia foi clara num episódio contado por ele. Aquando da sua entrada na equipa, o ambiente era mau e muitos desabafavam a Mamma Rossella, dona do restaurante onde muitos dos responsáveis da equipa de F1 almoçavam, que metade deles estavam dispostos a sair da equipa ou passarem para  a parte de produção de carros de estrada. No entanto quando souberam da vinda de Arrivabene todos mudaram de ideia e resolveram ficar.

 

Maurizio-ArrivabeneNão se pense no entanto que Arrivabene é o único responsável deste inicio de ressurgimento da Ferrari. A equipa passou por muitas “revoluções”  e Domenicali lançou as pedras base para esta nova fase. Mattiaci iniciou a remodelação do departamento da unidade motriz. Arrivabene chegou com as engrenagens praticamente montadas. Faltavam apenas uns retoques, olear tudo e colocar a trabalhar com o máximo de eficiência. E isso o italiano conseguiu com grande sucesso. Pegou numa equipa em cacos, desmoralizada, com recursos mal aproveitados e colocou-os a trabalhar para o mesmo objectivo.

Quando chegou à equipa, vivia-se um clima de divisão em que as culpas eram atiradas de uns departamentos para os outros. Arrivabene implementou ao máximo a filosofia “ganhamos juntos, perdemos juntos”.  O agora director da equipa disse que o responsável por um desastre seria ele, mas os responsáveis pelas vitórias seriam todos os membros da equipa e que teriam de trabalhar todos juntos para que o sucesso surgisse.

f1-arrivabene-ferrari-rosto-700A Ferrari tinha e tem grandes recursos à sua disposição, tanto financeiramente como ao nível de “material humano”. Faltava um homem para unir tudo. E esse homem finalmente chegou. A chama da Scuderia voltou a ser o que era. A Ferrari deixou de ser uma equipa sombria e triste. Passou a ser uma equipa alegre e que enfrenta os desafios com optimismo. Alguns dirão que vencendo, tudo se torna mais simples. Mas não serão so factores atrás referidos os catalisadores para as vitórias que aconteceram?

Pessoalmente, sou apreciador do estilo do italiano. Irreverente, não teve medo de enfrentar Bernie nos testes de Espanha, quando se sentou na bancada por terem sido recusados passes para o paddock a convidados da equipa. A forma exigente como ouve os mecânicos, o calor com que abraça todos nas vitórias, a forma como canta o hino. Tudo isto poderá ser show off, dirão alguns. Eu penso ser a única forma de viver o desporto motorizado. Com alma, com paixão, fazendo todos vibrar nas vitórias, e ultrapassando os obstáculos nas derrotas. A F1 tem muito a ganhar também com o italiano que entende o negócio e sabe que para a F1 ter lucros precisa de fãs. Chegou à pouco tempo à chefia da equipa, mas parece ja ter conquistado o seu lugar dentro e fora da equipa.

Arrivabene foi uma lufada de ar fresco na Ferrari e também na F1.

 

Alguns exemplos de como Arrivabene “trabalha”:

 

 

 

 

 

Fábio Mendes

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