F1 – GP dos Estados Unidos da América: Antevisão

Foto: XPB Images
Foto: XPB Images

Nesta 16ª jornada, o grande circo chega a Terras do Tio Sam. Depois de duas semanas de celebração e reconhecimento merecido por parte da opinião especialista, a Mercedes AMG Petronas chega ao COTA (Circuit Of The Americas) como Campeã Mundial, tendo fechado as contas a quatro Grandes Prémios do final. No entanto a expectativa continua a ser alta na equipa alemã, pois Lewis Hamilton pode agarrar o título de Pilotos já no próximo Domingo, com uma conjugação de factores até bastante favorável ao britânico. Sebastien Vettel é o homem que tem a chave deste desfecho.

 

O circuito

COTAConhecido por Circuito das Américas – em inglês Circuit of The Americas (COTA) – foi construído na cidade de Austin, Texas, pelas mãos do já conhecido Hermann Tilke. Apesar de ter sido pensado inicialmente só para a Formula 1, o seu design equilibrado para provas tanto de sprint como de resistência, permitiram a outras categorias realizarem as suas etapas: World Endurance Championship, MotoGP, American Le Man Series, Tudor United Sportscar Championship, Australian V8 Supercar Series e Rolex Sportscar Series.

Tem 20 curvas de média-alta velocidade bastante abertas, que propiciam diferentes linhas de trajectória, ideais para pilotos mais atrevidos. Possui também algumas elevações de terreno na ordem dos 40 metros, que são do agrado tanto dos pilotos como dos espectadores. Em termos de escapatórias, é algo penalizadora para os erros dos pilotos, devido às suas zonas relvadas.

Este circuito é realizado no sentido contrário aos ponteiros do relógio (tal como Marina Bay, Yas Marina ou Interlagos) e tem mais curvas realizadas para o lado esquerdo do que para o direito. Por norma os pilotos estão mais habituados a suportar as forças G laterais no sentido dos ponteiros do relógio, havendo uma maior requisição do lado direito do corpo, já habituado aos restantes GPs do calendário. Desta forma, é provável haver um maior desgaste na corrida de domingo, principalmente ao nível do pescoço.

Para este GP a Pirelli escolheu os pneus médios (P Zero White) e macios (P Zero Yellow), ideais para um traçado rápido, mas com uma certa dose de abrasividade conjugada com as temperaturas mais baixas que se avizinham. Segundo Paul Hembery (director da Pirelli Motorsport), são esperadas variações de oito décimas de segundo entre os dois tipos de composto.  Acima de tudo, vamos ter uma corrida com diversas variações estratégicas, não havendo uma combinação milagrosa para ganhar: no ano passado a Mercedes apostou numa estratégia de duas paragens para vencer, enquanto no ano anterior uma só paragem da Red Bull assegurou a vitória de Sebastien Vettel.

 

 

F1 e a política externa

Falsamente, a América acredita que é uma super-potência

Bernie Ecclestone faced a fourth day of questioning at the high court.Esta frase foi preferida por Bernie Ecclestone numa entrevista no GP da Rússia. Apesar de sabermos a sua predilecção pelo presidente russo Vladimir Putin, esperava-se algum tipo de contenção verbal quando temos dois GPs – separados por 15 dias – entre países cuja divergência politica tem estado no auge: seja pela invasão da Crimeia no ano passado, seja pela ofensiva militar russa contra o Estado Islâmico na Síria. Sabendo que o desporto é por norma, o elemento conciliador no que à política diz respeito, Bernie volta a causar polémica, salientando que “a democracia não tem lugar na Formula 1 nem em lado nenhum”, numa clara alusão ao regime totalitário e ainda que mascarado seguido por Putin na Rússia. Este tipo de comportamento está em alinha com o que afirmou esta semana, querendo forçar as equipas a aceitar a reintrodução de motores V8.

E seguindo o resto da entrevista, nota-se o desdém como se refere aos EUA, numa clara bipolaridade com um pais que tanto investe e contribui para o desporto mundial, em qualquer modalidade. Sabendo que Bernie costuma desvalorizar “A” ou “B” conforme o interesse comercial que tenha no futuro (é comum desvalorizar o atual modelo da Formula 1, quando ele é o principal rosto da sua promoção), a acusação saiu da esfera desportiva e coloca em causa os valores defendidos por um pais. Independentemente se a postura americana é ou não correta, há muito que Bernie reconheceu a importância de segregar a Formula 1 num hemisfério onde contava apenas com o Brazil como o principal porta-estandarte. Sabendo que o México não tem nem terá a visibilidade que a modalidade merece, as portas para o suporte económico e mediático assentarão sempre naquilo que os EUA conseguirem proporcionar. E isso não se consegue melindrando aqueles que de facto vão investir, organizar e assistir à prova deste domingo.

 

Equipas

Foto: Mercedes
Foto: Mercedes

Depois de conquistado o título de construtores, a matemática agora é simples: para ser campeão, Lewis Hamilton apenas precisa garantir apenas 9 pontos de diferença de Sebastien Vettel e 2 pontos de Nico Rosberg. A jogar a seu favor tem a penalização de 10 lugares aplicada ao alemão da Scuderia por exceder o número limite de motores para esta temporada – vai no 6º motor quando o limite são 5/ano. Do lado de Rosberg, agora que já lhe ‘caiu a ficha’ em relação às aspirações do título, apenas se pode apoiar num desempenho brilhante na qualificação e rezar para uma corrida sem incidentes (e apostar nuns quantos de Hamilton), para que a matemática possa jogar a seu favor e levar a decisão até ao final da temporada. Antevendo que o título não deve fugir ao britânico, a Mercedes está mais preocupada com os recentes desaires: seja uma mola do acelerador partida com Rosberg ou uma ligação ao pedal com Hamilton, já são duas situações que afectam directamente o mesmo componente responsável por libertar a potência do carro. Apesar de não haver uma relação directa com os últimos upgrades das power units e os incidentes reportados, a Mercedes tem passado por alguns calafrios desnecessários que acabam por mascarar a real fiabilidade das suas unidades.

foto: Ferrari
foto: Ferrari

A Scuderia deverá usar as versões melhoradas dos motores para Kimi e Seb, uma vez que ambos terão motores novos e como tal faz sentido que a equipa aproveite para introduzir as alterações. Kimi Raikkonen afirmou que voltaria a tentar a ultrapassagem falhada a Bottas e que no desporto motorizado é preciso tentar passar e que os acidentes acontecem, não valendo a pena chorar por causa disso. Se dentro das pistas o desempenho não tem sido o melhor, fora delas Kimi continua a ser… Kimi.

Das equipas do meio da tabela não se esperam grandes surpresas. A Force India continua muito forte e está com tudo nas mãos para assegurar o 5º lugar nos construtores, uma vez que a Lotus continua a lutar com os problemas financeiros ( a entrada da Renault está a demorar uma eternidade), a Sauber também não tem muito dinheiro para fazer evoluir o seu carro. A Toro Rosso tem vindo a perder o embalo que trazia no inicio da época, muito por culpa da fiabilidade dos motores Renault e por alguns azares.  No entanto o prazer de ver os dois miúdos da equipa rodar em pista é cada vez maior. Verstappen e Sainz têm angariado cada vez mais fãs (nós incluídos) e o mercado de pilotos está “estagnado) pois a possibilidade da Toro Rosso e da Red Bull saírem da F1 faz com as equipas estejam extremamente atentas a estas 2 pérolas.

Foto: McLaren
Foto: McLaren

Na McLaren o optimismo começa a regressar. As melhorias implementadas na unidade motriz surpreenderam pela positiva toda a equipa, tendo superado as expectativas dos responsáveis. Apenas Alonso irá usar o “novo motor”, que já rodou nas sessões de treinos livres na Rússia. O défice de 160cv do ERS não será resolvido este ano mas as melhorias graduais tem sortido efeito. Este ano está definitivamente perdido mas esperemos que a equipa aproveite para testar ao máximo e estar pronta para 2016.

 

Dados estatísticos

Comprimento:  5.513km

Voltas:  56

Distância de corrida: 308.728km

Volta record em corrida: 1:39:347 (Sebastian Vettel, 2012)

Volta record: 1’35.657 (Sebastian Vettel, 2012)

Passagens de caixa por volta: 54

Nível aerodinâmico: Médio

Pneus: Médios e mácios

 

Traçado da pista:

 

Sem Título

 

Onboard da pista:

 

No ano passado foi assim:

 

 

Marcos Gonçalves

Fábio Mendes

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