F1: GP do México – Antevisão

72494068Güey! Fixaram? Pronto, esta é a palavra mais conhecida no México. É um termo coloquial para chamar uma pessoa, sem usar o seu respectivo nome. Esta informação chega-nos pela mão do piloto mexicano Esteban Gutierrez, num engraçado vídeo da Scuderia Ferrari a antever a 17ª jornada (não são o Cirque du Soleil, mas também brincam um bocadinho…). Depois de uma ausência prolongada do calendário é esperada uma adesão massiva dos fãs, a mostrar que para além dos brasileiros também eles são fanáticos por F1.

Na linha da frente as contas estão fechadas: Lewis Hamilton é tri-campeão mundial e mostrou que esta combinação piloto/monolugar é para durar, não se antevendo competição interna ou externa. No resto do pelotão, ainda existem muitas posições por decidir e upgrades por testar.

 

O circuito

mexico-3-470x263Depois de 23 anos de ausência, o México volta a figurar no calendário do grande circo. O autódromo Hermanos Rodriguez, situado a poucos quilómetros da capital do pais (Cidade do México) foi parcialmente remodelado por questões de segurança e apresenta agora dois sectores rápidos e um terceiro bastante técnico. O novo design concede largura suficiente para que os pilotos possam ter mais do que uma linha de trajectória, privilegiando as ultrapassagens. A recta mais longa tem 1.3km, onde se espera que os monolugares ultrapassem os 330km/h.

Para este fim-de-semana, a Pirelli escolheu os pneus médios (P Zero White) e macios (P Zero Yellow). O perfil do circuito agradece uma mistura mais macia, mas a perspetiva conservadora da Pirelli nos anos inaugurais de uma pista aponta para um pneu médio em detrimento do super-macio. Assim estima-se a realização de duas pit-stops em toda a corrida. No entanto, as tempestades que assolam o continente americano podem lançar a incerteza na estratégia. Para baralhar ainda mais as contas, Nigel Mansell relembrou que um circuito perto de uma mega metrópole como é o caso da Cidade do México (cerca de 9 milhões de habitantes), gera mais poluição atmosférica e a poeira acaba por influenciar na aderência dos pneus.

Tal como a cidade, o circuito está 2.250m acima do nível do mar, o que propicia uma atmosfera bastante rarefeita. Há medida que se afasta do nível do mar, onde a massa de ar apresenta uma relação de 1kg/m3, a pressão vai diminuindo, situando-se entre os 700-800g/m3 a cerca de 2km de altitude. Para além das habituais dificuldades respiratórias pelos baixos níveis de oxigénio, esta diferença de pressão vai obrigar a configurações aerodinâmicas mais arrojadas, uma vez que os engenheiros vão requerer componentes maiores para gerar o resultado tradicional.

A nível da motorização, o ar mais fino promove um arrefecimento ineficiente e os turbos deverão ser configurados para uma maior rotação, de forma a compensar o menor fluxo de ar e consequente recuperação de energia dissipada pelo mesmo. E apesar de todo o trabalho nos simuladores, este GP vai ser uma prova de fogo para a fiabilidade do material nesta era dos turbos. O pior cenário até hoje tinha sido em Interlagos, com uma altitude de 750m. De acordo com os regulamentos, os turbos podem ser configurados para 125.000rpm, mas por questões de fiabilidade operam normalmente nas 100.000rpm. Como tal, as equipas deparam-se com duas opções: conservar o material e perder tempo crucial por volta; ou apostar em setups mais agressivos e comprometer alguns componentes no futuro. Tudo depende da necessidade de pontos que cada um tem e do nº de unidades motrizes já usadas esta época.

 

As equipas

Foto:  Action Images / Hoch Zwei Livepic
Foto: Action Images / Hoch Zwei Livepic

Um dos pontos altos deste fim-de-semana é perceber se Nico Rosberg já conseguiu ultrapassar o estado letárgico em que entrou depois da corrida nos EUA. O alemão entrou numa espiral depressiva depois de ter cometido um erro de condução que Hamilton soube aproveitar da melhor forma para assegurar o 1º lugar. Depois foi o recital de condução habitual, com Lewis Hamilton a terminar à frente e a fechar as contas do título.

Mas o momento crispado aconteceu na sala que antecede o pódio: Hamilton recolhe os três bonés da Pirelli que os pilotos têm de usar no pódio, entregando um a Vettel que está a seu lado e atirando outro a Rosberg, sentado a alguns metros de distância. Nico interpretou o gesto como uma provocação e devolveu o boné de forma agressiva ao britânico. O assunto foi extrapolado pela imprensa da especialidade, com especial enfase no mau-perder do piloto alemão. No pódio Rosberg recusou os festejos habituais com champagne e na conferência de imprensa mostrou o seu desagrado com a manobra agressiva de Lewis na primeira curva.

Toto Wolf já veio a publico acalmar os ânimos, de forma a lembrar os pilotos que ainda têm mais corridas pela frente e que todos precisam estar no mesmo barco. Apesar de não haver uma necessidade pontual, é imperativo manter o bom nome da equipa e dar mais quilometragem aos últimos upgrades desenvolvidos. No entanto, Rosberg vai querer marcar uma posição como fez em Spa o ano passado: vai dar o máximo para conquistar a pole e na minha opinião, vai ser implacável com o Lewis em qualquer disputa em pista. Depois de dois anos consecutivos com uma morte-lenta da sua capacidade para ultrapassar a adversidade, o alemão irá querer enviar uma mensagem ao campeão do mundo. Quem sabe não teremos um episódio tenso à semelhança do que vimos no MotoGP entre Rossi e Marquez…

Foto: Ferrari
Foto: Ferrari

Do lado da equipa do Cavallino Rampante, Kimi Raikonnen deve produzir uma classificação final dentro do top 4, para serenar as mais recentes criticas aos erros algo infantis que tem vindo a cometer. No outro lado da garagem espera-se um Sebastian Vettel com moral em alta, pois ainda existem possibilidades matemáticas de terminar em 2º lugar. Tendo em consideração diferença de andamento da Mercedes para as restantes equipas, esta “pequena” vitória iria moralizar ainda mais a Scuderia.

No meio do pelotão, o elemento mais motivado será Sérgio Perez no seu Force India, por correr em casa. Para além do 3º lugar na Rússia, o Checo tem mostrado cada vez mais maturidade e consistência atrás volante, estando preparado para voos mais altos numa equipa superior. Do lado da Toro Rosso, rezamos para que nenhum dos miúdos tenha problemas mecânicos e consigam produzir mais corridas empolgantes como até agora nos habituaram. Não concordo com o lançar prematuramente um jovem prodígio para uma grande equipa, mas tendo em consideração a falta de talento que chegou à Formula 1 nos últimos 6 anos, não será mal pensado um dos grandes realizar um pré-acordo para assegurar um deles em 2017. Para a Williams, que tando se tem debatido com questões aerodinâmicas, este GP é uma verdadeira lotaria. Depois do duplo desaire do fim-de-semana passado, o mais importante para Bottas e Massa é chegar ao fim.

Foto: Red Bull
Foto: Red Bull

Do lado da Red Bull, existe esperança de um bom resultado. Apesar de perder vantagem nos sectores rápidos, o 3º sector poderá fazer a diferença com uma configuração aerodinâmica devidamente acertada. Tendo rejeitado usar os últimos tokens de desenvolvimento da Renault (pois não queriam sofrer as penalizações de mais um motor usado), os austríacos partem em desvantagem em relação às equipas de topo. Sabendo que os dados do simulador não são lei na modalidade, os ganhos em pista da Renault poderiam compensar o prejuízo de 10 posições no GP em que fossem usadas. Principalmente quando os circuitos que faltam não são dos mais rápidos do calendário. Parece que nunca saberemos o que realmente a Renault conseguiu evoluir…

Quem tem um dos maiores sorrisos do momento é a McLaren-Honda. O novo motor e o novo pack aerodinâmico deixaram Fernando Alonso a lutar na última corrida pelo 5º lugar! Há 8 corridas atrás perguntávamos se eles tinham terminado a prova e há 4 se estavam acima do 16º lugar… Portanto tudo o que vem agora é bónus. Apesar dos (ainda) problemas de fiabilidade que tendem a revelar-se nas piores alturas possíveis, é esperado que Alonso aterre no meio da classificação, mesmo sabendo que nos sectores mais rápidos continuará com um défice de potência significativo.

 

Dados estatísticos

Comprimento: 4.304 km

Voltas: 71

Distância de corrida: 305,35 Km

Volta record em corrida: N/A (1º ano no novo circuito)

Volta record: N/A (1º ano no novo circuito)

Passagens de caixa por volta: N/A (1º ano no novo circuito)

Nível aerodinâmico: Médio-Alto

Pneus: Médios e Macios

 

Traçado da pista:

Sem Título

 

Onboard da pista:

 

Marcos Gonçalves

 

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