CNV – O futuro de Pedro Salvador e da Speedy Motorsport

905703_10208191134085617_8100943237309102045_oPor coincidência, na altura que entrevistávamos Manuel Pedro Fernandes, apareceu Pedro Salvador, piloto e chefe da Speedy Motorsport. Falamos com o piloto sobre o futuro e sobre os projectos que tem (por altura da entrevista, a ronda do Estoril ainda não tinha decorrido).

A prioridade do piloto passa por fazer crescer a Speddy e para isso poderá abdicar de competir na sua equipa. Era essa a sua vontade este ano mas não se concretizou, acabando por fazer dupla com Rafael Lobato. No entanto, para  2016 a vontade do piloto passa por entregar os comandos das máquinas a outros pilotos e tratar de fazer evoluir a Speedy, o seu mais importante projecto.

A ideia passa por reunir uma ou 2 duplas de pilotos competitivas para lutar pela vitória, estando Salvador de fora. Não coloca de parte a participação em algum campeonato desde que estejam salvaguardados os interesses de todos os pilotos e da equipa.

 

 

O que achou dos TCR?

11425174_840079166046886_2490346246376967525_nJá tinha andado num Seat, não naquele modelo mas sim no anterior. São carros giros mas depois de sair de um protótipo, anda-se devagar. Não tem o mesmo gozo de condução. Mas são carros bem feitos e acima de tudo poderão trazer um campeonato competitivo. O que interessa é isso e nem tanto o andamento. Agora tem de se colocar em pé uma competição bem feita, bem promovida e isso é o mais importante. Este ano nota-se que a Full Eventos está a trabalhar para que tal aconteça, pelo menos é o que sinto e o primeiro sinal foi a apresentação do campeonato em tempo útil, o que já é um excelente sinal. O segundo sinal foi a Full Eventos convidar os pilotos para experimentarem as máquinas. Levei os meus pilotos para experimentar os carros e acho que faz sentido terem ido. Se são eles que estão interessados em pilotar, eles é que têm de sentir as máquinas. Os budgets são ligeiramente mais elevados devido à subida de custos dos consumíveis a usar. Mas como penso que a organização vai estar ao mais alto nível e será um Campeonato de sucesso.

 

Está a pensar em dois carros para o ano?

11222944_893094884078647_1736206139830571423_nFaz sentido que assim seja, caso contrario é uma sobrecarga muito grande para a equipa a nível financeiro. E a diferença ao nível do pessoal e logística entre ter um ou  dois carros é muito pouca. Claro que queremos fazer tudo bem e queremos apresentar-nos com o máximo de profissionalismo.

 

E em relação aos pilotos interessados? Já entendemos que o Manuel Pedro Fernandes terá algum interesse.

Há interessados mas há um aspecto fundamental que é a competitividade e é o que mais me interessa na escolha de um piloto. Se estamos a falar de TCR para 2016, o Manuel Pedro interessa-me particularmente pois tem características para ganhar e é isso que quero. O meu objectivo é sempre ganhar. É esse o espírito e a motivação que sempre tive, tenho e obviamente que quero passar esse espírito para a equipa. Penso que este ano já fizemos muitas coisas bem mas claro que há coisas a melhorar. Mas dentro das minhas possibilidades, acho que fizemos já um bom trabalho. Mas quero ter uma dupla para ganhar  e o Manuel Pedro encaixa perfeitamente nesse perfil e eu saio sem problema nenhum e ele senta-se no meu lugar e sei que o carro vai andar na mesma.

 

Mas vai deixar de correr?

11800063_858503870871082_3409880257012715197_nNão vou deixar de correr. A minha participação no V de V mantém-se e se calhar num veiculo mais familiar pois o meu colega quer-se mudar para os protótipos e se calhar vou correr num Norma. A nível nacional, TCR não é prioridade pois essa é a equipa. E depois poderei encaixar-me nalguma competição ou fazer participações esporádicas, como já fiz no passado, dependendo dos planos da equipa. A Falperra é sempre algo que gosto de fazer e que gostava de vencer à geral. Se não tiver a fazer nenhum campeonato poderá ser uma hipótese. Há também Vila Real que gosto de fazer. Poderá não ser num TCR mas noutra competição qualquer. Sempre com o objectivo de vencer e dar retorno aos patrocinadores. Mas neste momento nada está definido e nenhuma decisão está tomada quanto às provas que poderei fazer.

 

Mas foi a chegada dos TCR que o desmotivou ou a prioridade e o projecto a longo prazo é a Speedy?

12038077_882011905186945_1915761614234608186_nNão teve a ver com a chegada dos TCR, mas sim com a Speedy. O Pedro Salvador vai começar a sair de cena. Vou continuar é certo mas não quero ser eu a prioridade dentro da equipa dentro do meu tempo e da minha actividade. A Speedy é projecto que me permite encarar o futuro com algum optimismo. Tenho 8 anos de malas e bagagens a fazer eventos por todo o lado e os projectos pessoais ficaram para segundo plano. Este projecto da equipa já o tinha há algum tempo mas estive a adiar sempre por causa da falta de tempo. E também dei muito e abdiquei um pouco da minha vida pessoal para fazer este tipo de actividade. Tive o retorno e usufruí de tudo é certo, mas chega a altura de pensar noutros objectivos e a Speedy é um deles. Por enquanto está a correr bem e há coisas diferentes que queremos fazer e que estou a pensar, portanto há boas perspectivas para o futuro.

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Este ano foi difícil pois houve alguns atrasos devido a coisas que não dependiam de mim, mas avancei com o projecto ainda assim. Mas foi uma aventura porque comecei com uma mão cheia de nada. Mas posso dizer tem corrido tudo de forma positiva. Foi um risco que assumi mas até agora os resultados são animadores e a forma como nos apresentamos este ano também foi boa.

 

 

 

12208648_902264519828350_3919460178027651005_nAinda houve tempo para falar da diferença entre a forma como se vê as corridas e o acesso a elas. Falou que a magia de Vila Real é ter o paddock onde está e se algum dia isso mudar, Vila Real perde o encanto pois a proximidade com o público é que torna esta prova única. “Quando cheguei ao Mónaco e vi o paddock fiquei espantado com o pouco espaço que havia. Se a F1 cabe ali não faz sentido discutir por falta de espaço”. Salvador defende que a falta de acesso as zonas do paddock na Europa não faz sentido, pois só tem piada quando as pessoas sentem os pilotos e as máquinas de perto. “Quem percebe mais de corrida são os americanos. Os paddocks na Europa são um privilégio, mas na América são negócio de merchandising. Quando fui a Seabring, apenas não tive acesso ao muro das boxes sem credencial. Todos os outros espaços estavam abertos ao público. Fui ter com o Lamy para me arranjar uma credencial e aí sim ja fui ao muro das boxes. O resto estava tudo aberto e isso explica o porquê de uma pista onde não há um lugar sentado para ver a corrida, ter 60 mil espectadores. Devia haver mais acesso para o publico pois trata-se de uma partilha de algo que é comum a todos que é a paixão pelos carros”.

 

Pedro Salvador foi igual a si próprio. Simples, directo e ambicioso. Ter um dos melhores pilotos a nível nacional a falar para um simples blog de forma tão clara sobre o futuro é uma honra. Já tínhamos ficado agradavelmente surpreendidos por altura do Circuito de Vila Real, quando o piloto esteve à conversa connosco durante mais de 45 minutos, mesmo tendo uma agenda preenchida.  Desta vez voltou a não fugir às perguntas e confirmou que a classe que tem dentro de pista é reflexo da classe que tem fora delas. O ano não acabou da melhor maneira mas temos a certeza que a Speedy se apresentará competitiva e com um line up de eleição para a época 2016.

 

Fábio Mendes

Ricardo Veiga

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