F1 – Schumacher: 2 anos depois

Michael-Schumacher-pictures-2Faz hoje dois anos que o mundo do desporto motorizado ficou abalado com a noticia de que um dos seus maiores nomes sofrera um grave acidente de ski. Michael Schumacher, 7 vezes campeão do mundo de F1, foi transportado para o hospital de  Grenoble, onde ficou em coma induzido a 29 de Dezembro de 2013. Em Setembro de 2014 depois de ter passado pelo hospital de Lausane, na Suiça, o piloto alemão regressou a sua casa onde iniciou o seu lento processo de recuperação. Que mais se sabe acerca do piloto? Pouco. A sua situação é mantida em segredo e todos os boatos lançados até agora foram prontamente desmentidos pela empresária de Schumi, Sabine Kehm.

 

 

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foto: f1fanatic

O que realmente se sabe sobre Schumacher? Que é um dos maiores nomes da F1, o piloto com mais títulos na carreira e um homem que despertou ódios e paixões.

A sua carreira começou pelos inevitáveis Karts, passando pelas fórmulas inferiores (Formula 3) onde foi campeão, vencendo também a mítica prova de Macau. Ao invés  de seguir a carreira nos fórmulas, Schumacher passou para os protótipos a conselho de Willi Weber, o seu agente na altura. Entrou para a Mercedes, juntamente com Frentzen e Wendlinger onde começou a dar nas vistas nos Sauber-Mercedes, tendo feito ainda uma corrida na Formula 3000 japonesa.

 

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foto: f1fanatic

Em 1991 entrou na F1 pela porta da Jordan onde fez uma corrida. Mas a Benetton tratou resgatar a jovem promessa e a Jordan ficou a ver navios, tentando ainda ganhar o caso em tribunal  mas sem sucesso.

A partir dai é a historia de sucesso que se conhece. Esteve na Benetton de 1991 a 1995 onde se tronou bi-campeão do mundo.

Em 1996 mudou-se para a Ferrari, onde teve de esperar 4 anos para voltar a ser o melhor do mundo. A Ferrari com Todt aos comandos, com o génio de Brawn e o talento de Schumacher criou um monstro devorador de vitórias e títulos.  Foram 5 titulos seguidos para o alemão que passou a ser conhecido como o barão vermelho.

 

michael_schumacher__australia_1998__by_f1_history-d6h86xkEm 2006 deu por encerrada a sua carreira na F1. Saiu pela porta grande com um 2º lugar, depois de uma luta renhida com Alonso e despediu-se como um dos grandes nomes da F1. Mas em 2010 a Mercedes voltou à F1 e pediu a Schumacher para ser a cara e o piloto para relançar a marca no mundo do grande circo (Brawn foi o grande responsável pelo seu regresso). Schumacher aceitou mas teve muitos problemas, pois para além de não ter o carro mais competitivo do grid, demorou muito a adaptar-se à nova realidade da F1. Foi muito tempo sem competir e na F1 tudo muda a uma velocidade estonteante. O melhor que conseguiu foi um 8º lugar final no campeonato de 2011 e um pódio em 2012, ano em que pendurou definitivamente o capacete.

Os números de Schumacher são avassaladores:  307 Gp,  91 vitórias, 68 poles, 155 pódios e 7 títulos.

 

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foto: f1fanatic

Não houve ninguém como Schumi na F1 ao nível dos números. Foi aquele que desafiou o Grande Senna, depois da saída de Prost e com o qual certamente travaria uma grande guerra não fosse o fatídico acidente de Imola. Desde então que Schumacher sempre admitiu a admiração que tinha por Senna, afirmando várias vezes que o brasileiro foi o melhor de todos os tempos, mas a relação tensa que viveu com Senna antes da morte do Rei, deixou sempre nos fãs a sensação que eram palavras de circunstância.

Seguiu-se a luta com Hill, os duelos renhidos com Hakkinen e a última grande guerra com Alonso. Schumacher foi vitima do seu próprio sucesso. O domínio da Ferrari fez sempre duvidar das capacidades do alemão e os seus detractores sempre menosprezaram  as capacidades do alemão, afirmando que nunca teve concorrência à altura.  A sua postura fria e algo arrogante também dividiu os fãs da F1 (quem o conheceu pessoalmente sempre desmentiu isso e Murray Walker afirmou que era um dos mais afáveis pilotos com quem privou), algumas manobras polémicas aumentaram ainda mais o coro de criticas (basta lembrar os vários episódios com Hill e aquela vez no Mónaco onde deixou o carro no  meio da pista para ficar com a pole) e os problemas das ordens de equipa onde Barrichello pagou a factura várias vezes.

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foto: f1fanatic

São as criticas justas? Provavelmente não. Todos os campeões têm em si uma característica comum… a sede de vitórias e nisso Schumi não era diferente do Rei Senna. E em pista eram ambos extremamente agressivos não olhando a meios para atingir os fins. Ambos faziam questão de ter o melhor tratamento por parte da equipa ficando o colega de equipa prejudicado. Mas tanto eles como muitos outros campeões tiveram episódios menos felizes onde a sua vontade férrea de vencer fez esquecer o “fair play” e o desportivismo. Se apontarmos o dedo a Schumacher teríamos de o fazer a tantos outros.

Schumacher era rápido. Muito rápido. A capacidade que ele tinha de pilotar o carro no limite estava ao alcance de muito poucos. A foram como conseguia voltas rápidas quando era preciso espantava o mundo. Basta lembrar Hungria 1998 onde no 3 stint fez 20 voltas de qualificação conseguindo um intervalo de 27 segundos para o 3º classificado, David Coulthard. Este é apenas um dos vários casos onde Schumacher mostrou todo o seu talento.

foto in: f1fanatic.co.uk
foto in: f1fanatic.co.uk

Faltou-lhe um adversário à altura durante mais tempo. Hakkinen meteu respeito e Alonso conseguiu superar o já consagrado piloto mas faltou-lhe alguém que lhe mordesse os calcanhares de forma constante. Um duelo como o Senna vs Prost. Mas não é isso que minimiza o que Schumacher conquistou. É um dos maiores nomes de sempre e assim será para sempre. Foi um dos melhores pilotos do seu tempo e a sua rapidez tal como a agressividade em pista foram o seu maior cartão de visita.

Todo o seu sucesso e todas as suas vitórias foram fruto de muito trabalho. Todos lembram os 5 títulos seguidos onde ninguém teve capacidade de se chegar perto da Ferrari mas poucos se lembram dos 4 anos anteriores onde o alemão juntamente com a sua equipa preparou o caminho para as vitórias.

Goste-se ou não, Schumacher era indubitavelmente um excelente piloto,o melhor da sua geração e um monstro competitivo. Um verdadeiro campeão.

wbschumacherMichael Schumacher trava agora a maior luta da sua vida. Voltar a conseguir viver com o mínimo de normalidade possível, depois do acidente. As palavras da sua agente sugerem que isso será muito difícil e que as lesões sofridas poderão ter repercussões para o resto da sua vida e que provavelmente nunca mais veremos Schumi como o lembramos. Mas ele continua a lutar e o seu filho Mick começa agora a sua caminhada no mundo do automobilismo. Esperemos que Schumi possa ver o seu filho vencer e possa acompanhar de perto a carreira e voltar a sorrir. Para isso terá de continuar a lutar. Quem sabe nos surpreende a todos como o fazia em pista e consegue a sua maior vitória.

 

Keep Fighting Michael

 

 

 

Fábio Mendes

 

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