Detesto o Inverno

12019955_987306431325811_459818159363012164_nA espera é o pior. Esperar para ver e ouvir as máquinas, lendo todos os dias coisas novas, umas verdadeiras outras nem por isso. Isto apenas dos campeonatos mundiais da FIA que ainda não começaram, sem falar dos restantes que sigo, o DTM, o MotoGP, etc.

Quando os motores trabalham pela primeira vez à minha frente, a espera terminou e é hora para absorver o máximo que puder. Mas como ainda não chegamos lá, espero. E a minha pressão arterial sobe com alguns artigos que leio, como por por exemplo um que li recentemente, com qualquer coisa do género no título, “8 motivos que nos enervam no WEC”.

12654621_947423615335891_5312073354387340919_nLi e reli, porque costumo dar o beneficio da dúvida a quem escreve, mas esse em particular não o mereceu. O site onde o li é o local ideal para os “petrolheads” como eu, mas desta vez (e penso que a finalidade de tal publicação era mesmo essa) o objectivo fosse apenas ganhas mais alguns cliques.
O autor afirmava que entre outras coisas, que as transmissões do WEC mostravam mais vezes os LMP1 e os LMP2 do que os GT. Não posso contrariar tal afirmação, isto porque nunca fiz as contas dos minutos de uns e de outros, no entanto a ser verdade, penso que seja normal, já que os LMP1 e P2 são os cabeças de cartaz, não significando que os GT são menos necessários. Num ano que a classe Pro está a dar tanto que falar, isso não deverá acontecer, pelo que o público deverá querer ver o confronto entre Ford GT e Ferrari 488, com os Corvette pelo meio a espalhar medo.

foto: Porsche AG
foto: Porsche AG

Outro argumento utilizado, e nem vou dar ao trabalho de os enumerar um a um, era que as ultrapassagens nos P1 eram muito fáceis. Fáceis? O WEC é Endurance não é uma prova de sprint e mesmo assim, em 2015 no mundial de resistência houve alturas em que parecia que víamos de facto uma prova de sprint, principalmente com a Porsche e Audi. Alguém duvida que o Porsche mostrava o seu poder nas rectas com o Audi a ficar para trás? Claro que não, mas o Audi conseguia impor um ritmo muito competitivo nas secções mais sinuosas e mesmo assim, durante muito tempo, um piloto Audi muito acarinhado por estas bandas, manteve o recorde de pista em Le Mans.

Escrever que numa corrida de resistência (6h ou 24h, como é o caso do WEC), as ultrapassagens são fáceis, nem é sério.

 

O WEC tem sido um caso de sucesso, e mais seria sem a tentativa de castração por parte da F1, mas o WRX e o WTCC também estão a angariar cada vez mais fãs. No plano descendente (alguém no Chicane não vai concordar comigo) está a F1.

foto: facebook Manor
foto: facebook Manor

A velha rainha da FIA, tem que ser colocada no patamar mais alto do desporto automóvel e não é com GP no Azerbaijão, um país rico em desporto automóvel (!), que isso irá acontecer. Se os promotores e organizadores dos outros campeonatos mundiais sancionados pela FIA, tentam balançar os seus calendários entre circuitos míticos, ou com alguma história, com circuitos em partes do globo onde o dinheiro existe com mais abundância, a F1 tenta balançar entre os locais onde o dinheiro existe e os locais onde ele abunda. Ou seja, interessa é que os dólares caiam do céu, nem que com isso signifique retirar Monza do calendário (hoje surgem novamente rumores que o GP em Monza corre perigo e que os 18 milhões oferecidos a Bernie não chegaram para o fazer rir. Imola e Mugello podem ser as escolhidas… ou uma pista ao lado de um poço de petróleo).

Concluindo, a espera pelo inicio dos campeonatos provoca-me hipertensão e só fico melhor descarregando em alguém. Hoje foi a vez dos senhores do site de petrolheads e os senhores da FOM, amanhã não sei quem será.

 

 

 

Pedro Mendes

3 pensamentos sobre “Detesto o Inverno

  1. Silverstone 2015 (WEC) foi uma prova estratosfera, do melhor, para mim até melhor que SPA. Foram horas em que volta sim volta sim a 1º posição trocava entre o Porsche e o Audi, por vezes até mais que uma vez por volta. Alias quem quiser ver o resumo, aviso que uma hora não da para resumir uma corrida daquelas, quanto mais 15 minutos. Talvez o melhor seja ver as 6 horas que demorou a prova, e apanhar o embalo e ver as 6 horas de SPA, corridas fantásticas, para quem gosta de ver corridas “porta com porta” são do melhor, e atenção, que não estamos a falar dos GT’s, que normalmente ate tem corridas ainda mais animadas que os LMP1.

    Mas e que tal esta primeira volta de Fuji em 2014?

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