F1 – Os motores que nos podem dar jeito no futuro

CSrCtTBUcAAsL8QNinguém gosta dos novos motores. Os fãs acham que eles não fazem barulho suficiente, os pilotos que tem motores Honda e Renault têm pesadelos e cãibras por voltarem tantas vezes a pé para as boxes, Bernie fica com os cabelos ainda mais brancos quando ouve falar deles.

Não é fácil gostar dos novos motores é certo. Primeiro, porque são pequenos e qualquer carro que se encontra na estrada hoje em dia tem um motor com o “mesmo tamanho” e a F1 tem de ser um mundo à parte. Depois porque soam mal. Em pista parece que não arrepiam como os antigos V8 (para não falar dos V10) e nos vídeos parecem um V8 que faltou ao ginásio e que apareceu constipado… fraco e anasalado. E por fim os novo motores não equilibraram a competição. Muito pelo contrário, tornaram maior o fosso entre grandes e pequenos, tanto a nível competitivo como a nível de custos.

Mercedes motorMas será que esta nova revolução foi assim tão má? Andy Cowell, um dos grandes responsáveis pelo motor Mercedes referiu há uns dias atrás uns números bem interessantes. Os motores pós-revolução de 2014 são 30% mais eficientes do que os motores usados antes da era Híbrida. 30% em F1 é muito, considerando que é um desporto que vive de pormenores. Isso implica que neste momento a eficiência de um motor ronda os 45%. Teoricamente cada depósito cheio de um carro de F1 tem 1240Kw de energia disponível. Neste momento, a melhor tecnologia apenas permite utilizar pouco menos de metade da potência disponível. Outro número que merecem reflexão. Em 2013, o sistema KERS (recuperação de energia na travagem) pesava 107Kg e tinha uma eficiência de…39%. Hoje em dia, o ERS (recuperação de energia térmica e cinética) pesa 20Kg e tem uma eficiência de 95%. E há uns anos atrás alguém sonhou dizer que um 1.6L V6 seria capaz de debitar 900Cv? Não me parece.

foto: Ferrari
foto: Ferrari

Resumindo, deu-se um passo de gigante na tecnologia. A F1 é neste momento um laboratório onde se testam soluções para o futuro. A F1 não tem de escolher se quer ser apenas entretenimento ou desenvolvimento da tecnologia. Pode facilmente ser ambas desde que as regras sejam bem feitas. Ou seja podemos ter o Hamilton em grande luta contra o Rosberg e o Vettel pelo campeonato e ao mesmo tempo, ver evoluir a tecnologia que nos permitirá ter carros melhores no futuro. Se em 3 anos a tecnologia deu um salto tão grande imaginem o que se conseguirá fazer se obrigarmos os engenheiros da F1 a pensar mais sobre o assunto. E podemos ter excelentes corridas a juntar a isso.

“Ah, mas eu gosto é de carros e não me interesso pela eficiência dos motores!” Se calhar interessa que o seu deposito com que agora faz 800Km, possa fazer o triplo no futuro. É bom para o ambiente e para o seu bolso. Um motor de um carro tem uma eficiência à volta dos 30% (e há peças de engenharia fantásticas como é o caso dos Ecoboost da Ford), o que ainda está longe do que a F1 é capaz neste momento. Se conseguirmos ter carros com 50% de eficiência façam as contas.

“Mas eu sou rico e não me importo com o ambiente, o que quero é ver corridas a sério!”. Nada contra, mas este ano o rali da Suécia sem neve está a ser um mimo não está? Isto do aquecimento global afinal não dá jeito a ninguém! E não é por termos motores mais eficientes que temos corridas más. Estamos assim porque as regras foram feitas para tentar cortar custos mas ao mesmo tempo castraram as equipas com demasiadas restrições. Estamos assim porque as equipas grandes se recusam a ceder nos prémios de forma  a que as pequenas consigam crescer. Estamos assim por uma série de factores e os motores deverão ser os últimos responsáveis pela situação.

 

foto: Mercedes AMG Petronas
foto: Mercedes AMG Petronas

Eu adoro competição automóvel. Adoro ver os carros a passarem a alta velocidade. Mas gosto de pensar que o que estamos a fazer é mais do que um desporto em que os mimados ricos conduzem e os malucos pobres aplaudem. Gosto de pensar que todo este aparato no fundo tem um objectivo interessante e útil. Gosto de pensar que o mundo do motores não é fútil e efémero como o fumo que sai dos escapes. E tanto a F1 como o WEC estão a dar-nos ferramentas fantásticas para que no futuro possamos ter carros melhores, sem que o urso polar tenha de sofrer ainda mais. Bem sei que não é só por causa dos carros, das competições motorizadas e do que sai dos escapes que o clima mudou. Não sou ingénuo a esse ponto. Mas não posso ser obtuso e dizer que os motores não têm também tem a sua cota de responsabilidade nesta equação cada vez mais complicada que é o meio ambiente.

O homem é um ser muito inteligente e temos já as soluções para o futuro. Podemos ter o mesmo prazer das corridas e com isso podemos também evoluir. Basta que as regras sejam bem feitas. A F1 já fez a parte pior, que foi a evolução técnica. Agora resta afinar a competição para voltarmos a vibrar. Quanto aos V6? Não são o demónio que se fala. Não cantam tão bem é certo, mas podem ainda fazer sorrir. São complexos, caros, exigentes mas são peças de engenharia fascinantes que bem aproveitadas, podem dar mais potência que os motores antigos, usando menos combustivel e que podem permitir corridas tão boas ou melhores que no passado.  A F1 não corre o risco de ficar sem a sua coroa por causa dos V6. Se calhar serão os V6 a salvar o reinado.

 

 

 

Fábio Mendes

6 pensamentos sobre “F1 – Os motores que nos podem dar jeito no futuro

  1. Tanto a F1 como o WEC estão cada vez mais eficientes…
    Para o WEC não deixar de ficar representado… Este carro TS040 é de 6MJ, este ano o TS050 é (ou dizem que é) de 8Mj, tal como o Porsche.

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