F1 – Antevisão 2016

 

Vai começar! Finalmente a F1 está de volta! A conversa fiada vai acabar e vamos ver o que realmente interessa…acção na pista. Tentamos antever o que se irá passar em 2016. Depois da análise aos pilotos, falamos no actual momento das equipas e o que elas poderão fazer este ano.

 

Mercedes – De pedra e cal no trono

12794499_10153352738122411_3878501421439513952_nNão há como dizer isto de outra forma… Era preciso que o Maldonado não batesse tanto, que Haryanto se tornasse num piloto de topo e que o Hamilton deixasse o seu estilo mais alternativo para que a Mercedes deixasse de ir ao pódio. É possível que tudo isto aconteça claro mas é uma possibilidade muito remota. E o Maldonado agora não conduz como tal, essa possibilidade não é de todo descabida. Para isso é necessário que a Ferrari se afirme (já lá iremos). Os germânicos mostraram uma fiabilidade a toda a prova na pré-temporada. Com um único motor conseguiram fazer o equivalente a 21 GP e só ao 8º dia é que o carro deu de si com uma falha na transmissão. Notável, para peças de tão elevada complexidade. A equipa está já na fase da afinação dos pormenores e mostrou conceitos muito interessantes ao longo das 2 semanas de testes sendo um dos mais falados o S-Duct. São claramente a maior força da F1 e a forma como se apresentaram nos testes oscilou entre o espantoso e o presunçoso. Não testarem os compostos mais macios foi algo que fez pouco sentido, mas eles saberão melhor que nós. Para este ano há uma dúvida em relação à Mercedes. Como irão gerir a relação tensa entre pilotos e que tipo de estratégia será usada para tal. Se começarem a usar ordens de equipa, bem podem começar a procurar um patrocínio de uma marca de anti-ácidos. Se mantiverem a filosofia do ano passado é o melhor para o espectáculo mas vai haver problemas cardíacos na Pit Wall. Certo é que será nesta box que iremos ter um dos pontos mais interessantes de 2016. São os grandes candidatos ao primeiro lugar.

Carro: Mercedes W07

Lewis Hamilton: 167 GP, 43 vitórias, 87 pódios, 49 poles

Nico Rosberg: 185 GP, 14 vitórias, 41 pódios, 22 poles

 

Ferrari – O ataque ao primeiro lugar.

foto: Ferrari
foto: Ferrari

Os fãs da Scuderia encaram esta nova época com optimismo renovado e esperança que a nova estrutura comesse a dar frutos. Se no ano passado as expectativas eram baixas e a Ferrari surpreendeu, este ano a conversa é outra e o ataque ao título trará uma pressão que não existiu em 2015. Logo aí reside o 1º desafio que a equipa terá de enfrentar. O 2º é perceber se o SF16-H tem condições para de facto dar luta aos Mercedes. A Ferrari fez uma mudança radical na filosofia para a construção do carro. Ao contrário do que fez em anos anteriores, que preferiu seguir um caminho só seu, este ano a Scuderia adoptou muitos dos conceitos usados por outras equipas. Deixou de lado a suspensão “pull rod” para passar a usar a opção mais convencional “push rod” mais fácil de afinar (opção tomada para favorecer os pilotos, que preferem ter um carro muito responsivo no eixo dianteiro e os modelos anteriores sofriam de alguma sub-viragem), a aerodinâmica foi também revista e com isso o carro ganhou as características visuais dos outros adversários. O carro tem semelhanças com os McLaren, Red Bull e Toro Rosso, com um nariz curto e uma silhueta em forma de garrafa de Coca Cola na traseira. James Allison teve a completa responsabilidade no desenvolvimento deste carro, não ficando sujeito aos restos que os antigos responsáveis deixaram. Este sim é um “filho seu” e será em 2016 que o seu trabalho será posto à prova. Para isso, Allison espera que o novo motor Ferrari corresponda. A unidade motriz foi completamente revista e está agora muito mais perto da potência debitada pela unidade germânica. No entanto, a fiabilidade é um ponto de interrogação. Os testes tiveram bons e maus momentos e neste momento não se sabe se a Ferrari poderá ter capacidade para desafiar os Mercedes. Mas espera-se uma luta muito mais renhida. Parecem-nos os melhores a seguir à Mercedes e deverão ter pouca concorrência pelo vice- campeonato. Mas a Scuderia vai tentar o assalto ao campeonato. Será que consegue?

Carro: Ferrari SF16-H

Sebastian Vettel: 158 GP, 42 vitórias, 79 pódios, 46 poles

Kimi Raikkonen: 231 GP, 20 vitórias, 80 pódios, 16 poles

 

 

Williams – Evoluir ficando para trás

massaA Williams surpreendeu em 2014 com um carro muito bom e com isso conseguiu o 3º lugar final. Em 2015 esperava-se um passo em frente mas o resultado foi o mesmo do ano anterior, o que não deixou de ser uma desilusão. A Williams não evoluiu o suficiente para tentar alcançar algo mais e 2016 corre o risco de ser um ano semelhante a 2015. O carro é bom e foi melhorado nos aspectos que tinham de ser revistos, nomeadamente o apoio aerodinâmico nas curvas lentas (o rendimento do carro em chuva já melhorou também). Mas ainda assim, pode não ser o suficiente para tentar o 2º posto uma vez que a distância para a Ferrari vai aumentando. A Williams terá sim de defender o 3º posto da Red Bull, Toro Rosso e Force India, equipas que mostraram que têm andamento para chegar a essa posição (duvidamos no entanto que tenham capacidade para lutar durante toda a época). 2016 pode voltar a ser morno para a Williams. Não aproveitaram a oportunidade que tiveram em 2014/2015 e este ano, com uma mudança de regulamentos à porta, o investimento neste carro deverá ser calculado ao milímetro para que não se gastem preciosos recursos de forma desnecessária. O 3º posto deverá ser o lugar mais provável da equipa, uma vez que a Red Bull só deverá ameaçar os pódios a meio da época, que a Force India vai depender muito de quanto dinheiro tem para investir e a Toro Rosso deverá perder fulgor ao longo do ano.

Carro: Williams FW38

Valtteri Bottas: 56 GP, 8 pódios, 

Felipe Massa: 229 GP, 11 vitórias, 41 pódios, 16 poles

 

Red Bull – À espera de um motor melhor

red-bull-f1_3419719A Red Bull entra em 2016 com expectativas baixas. A equipa sabe como fazer chassis e tem feito os melhores da F1 nos anos recentes. Mas a falta de um motor verdadeiramente competitivo tem complicado as aspirações da equipa. A parceria com a Renault, disfarçada com o nome Tag Heuer, continua e embora os franceses tenham melhorado a potência e a fiabilidade de forma significativa, não têm ainda argumentos para lutar com os homens da frente. E com isso a Red Bull tem de se contentar a ficar com as migalhas que possam ser desperdiçadas, como aconteceu em 2014. Mas a equipa é gerida de uma forma que não nos agrada. Helmut Marko, bem ao seu estilo, já colocou pressão (desnecessária) nos pilotos e disse que “quem não render sai”… Até porque Verstappen está na calha e como tal é preciso arranjar uma vaga. Marko tem muita tendência a fazer isto e só com o “seu menino” Vettel não usou este tipo de artimanhas. Além disso, Dietrich Mateschitz dono do império das bebidas energéticas já pegou no velho discurso do “ se não temos motores, saímos”. As queixas do costume. No que diz respeito ao novo carro, Newey não sabe trabalhar mal e fez um carro com a qualidade que nos habituou. O seu antecessor não foi a melhor criação do génio mas evoluiu bem, e este parece ter capacidade para fazer coisas boas. São candidatos a ameaçar o 3º lugar da Williams, embora dependam muito do desenvolvimento do motor francês, algo que deverá ser mais visível no meio da época. Mas ainda vamos ouvir muitas mais queixas da equipa. O 4º lugar parece ser o lugar mais provável para a Red Bull. Mas nunca se sabe se conseguem surpreender.

Carro: Red Bull RB12

Daniel Ricciardo : 88 GP, 3 vitórias, 10 pódios, 

Daniil Kvyat: 37 GP, 1 pódio

 

Force India – Era tão bom mais um passo em frente

foto: Sahara Force India
foto: Sahara Force India

Mas é provável que não aconteça. A Force India é provavelmente a equipa que melhor aproveita os seus recursos e que consegue os melhores resultados com pouco dinheiro. Já no ano passado foi assim e graças a isso conseguiram o 5º lugar. Este ano o carro parece ser rápido, fiável e tem tudo para poder ser um caso sério… tudo menos o dinheiro necessário para o desenvolver. O problema de sempre… Para a Force ser uma equipa de topo só lhe falta um pouco mais de orçamento. Achamos que a equipa tem capacidade para desafiar a Red Bull e até a Williams mas só terá essa capacidade até fechar a torneira do dinheiro. É que para o ano há um carro novo para fazer e tudo isso implica muitos gastos. E como se isso não bastasse Vijjay Mallya tem uma divida gigantesca em seu nome e o seu futuro na equipa fica de novo em cheque. Só precisávamos de ver mais uns milhões na Force para que esta pudesse crescer. Assim o mais provável é contentarem-se com a luta pelo 5º que deverá ser renhida com a Toro Rosso. Se a Aston Martin tem investido na equipa a história poderia ser bem diferente.

Carro: VJM09

Sérgio Pérez: 93 GP, 5 pódios

Nico Hulkenberg: 94 GP, 1 pole

 

Toro Rosso –  O excelente trabalho de 2015 continua

foto: Toro Rosso
foto: Toro Rosso

A “equipa B” da Red Bull tem feito um excelente trabalho. Em 2015 fizeram um carro muito bom e não fossem os constantes problemas mecânicos do motor, a luta pelo 5º lugar teria sido um luxo de se assistir. Este ano, já com a unidade do ano passado da Ferrari, a equipa tem hipóteses de surpreender. Pelo menos no início do ano. A unidade motriz pode ser do ano passado mas é potente e fiável, algo que não acontecia no ano passado com o motor Renault. Assim, a Toro Rosso é candidata ao 5º lugar. O carro de 2016 foi feito em cima do joelho, pois o acordo com os italianos foi conseguido muito tarde mas para quem teve de fazer muito em pouco tempo, o monolugar está bom e recomenda-se. Tal como no ano passado, o Toro Rosso tem pormenores ao nível do chassis muito interessantes e que poderão dar alguma vantagem à equipa. Estamos bastante optimistas em relação a possível performance da equipa. E que ninguém caia do sofá se fizerem melhor que a Red Bull nas primeiras corridas. Se tivessem um motor de última geração apostávamos neles para o 5º lugar mas  o motor Ferrari 2015 poderá não ser suficiente ao longo da época para fazer frente ao motor Mercedes da Force India. Uma boa luta em perspectiva.

Carro: Toro Rosso STR 11

Max Verstappen: 19 GP,melhor resultado – 4º

Carlos Sainz: 19 GP, melhor resultado – 7º

 

McLaren – Crescer lentamente, ao ritmo da Honda

foto: McLaren
foto: McLaren

É outra das grandes dúvidas para 2016. Depois de um 2015 horrível a todos os níveis, a equipa procura recuperar a confiança, o prestigio e o respeito. Os resultados dos últimos anos não têm sido os melhores e Ron Dennis quererá colocar um ponto final o mais rapidamente possível nesta fase negra. E para isso depende mais uma vez da Honda. Os nipónicos melhoraram a sua unidade motriz, aumentando o tamanho do turbo, tentando no entanto manter tudo o mais compacto possível, para além de terem melhorado o sistema híbrido, uma das grandes lacunas do ano passado. As melhorias são notórias mas não são ainda o suficiente. O antigo responsável da Honda foi substituído por Yusuke Hasegawa, que apresenta uma maior abertura a soluções exteriores à Honda, algo que foi desde sempre pedido pela McLaren e recusado pelos japoneses. Espera-se que a McLaren lute pelo meio da tabela, mas ainda longe dos lugares cimeiros. Os testes mostraram isso mesmo. Um andamento ligeiramente melhor que a Renault mas ainda inferior à Toro Rosso, Red Bull e Force India. As melhorias a nível aerodinâmico são muitas e o chassis apresentado foi bastante elogiado mas sem motor não há milagres. Será um ano ainda difícil para a equipa, mas quem sabe a Honda encontra uma solução milagrosa que permita lutar por pódio na fase final do campeonato (muito pouco provável). 7º lugar é a nossa aposta para 2016. Ainda é longe do lugar que é da McLaren. E queremos muito estar enganados.

Carro: McLaren MP4/31

Fernando Alonso: 253 GP, 32 vitórias, 97 pódios, 22 poles

Jenson Button: 284 GP, 15 vitórias, 50 pódios, 8 poles

 

Sauber – O canto do cisne para a equipa?

12791012_963665953680871_571852295980761234_nA Sauber é a equipa que mais evidencia dificuldades nesta altura. É sabido que há muitas equipas com dificuldades financeiras mas a equipa suíça é aquela que menos as consegue disfarçar. A falta de pagamentos aos funcionários da equipa foi anunciada na semana passada e há poucos dias o director técnico bateu com a porta. A equipa apresentou em 2015 um carro com algum potencial mas  não teve melhorias ao longo do ano por falta de dinheiro. Este ano a equipa apenas apresentou o seu novo carro na segunda bateria de testes em Espanha e, embora com com resultados minimamente positivos, está visto que será um ano difícil para uma equipa que vive com a corda ao pescoço desde 2014 (senão antes). A Sauber terá de lutar para não ficar no último lugar do campeonato, algo que será difícil com equipas como a Manor e a Haas que apresentam estruturas mais estáveis e com vontade de mostrar serviço, embora menos experientes. Poderá ser uma das equipas a acabar em breve. Esperemos que não. É a nossa aposta para o último lugar e se for assim, más noticias vêm a caminho.

Carro: Sauber C35

Felipe Nasr: 18 GP, melhor resultado – 5º

Marcus Ericsson: 35 GP, melhor resultado 8º

 

Manor – Baralhar e voltar a dar

foto: Manor
foto: Manor

Uma nova fase na equipa que teima em não desaparecer. Só pela perseverança merecem um prémio. A equipa começa agora uma nova etapa com o apoio da Mercedes e da Williams. Pelo apoio da Mercedes tiveram de ceder o lugar a Wehrlein, o que dificilmente será algo mau pois tem muito potencial. Do outro lado Haryanto entrou apenas devido ao seu talento com as notas. A equipa tem este ano a hipótese de voltar a tentar não ficar no último lugar, tal como fez em 2014 e este ano tem capacidade para isso e acima de tudo material. Só o motor Mercedes é garantia de mais rendimento e com as transmissões da Williams a equipa teve apenas de se focar mais no chassis, que embora não seja de top, apresenta soluções eficientes. Poderá ser uma boa luta no trio do fundo da tabela. Uma coisa é certa. A Manor não desiste. E é a nossa favorita para o campeonato do últimos. 9º lugar é a nossa aposta.

Carro: Manor MRT05

Pascal Wehrlein: rookie, campeão DTM

Rio Haryanto: rookie, 4º no GP2 em 2015

 

Renault – Passo a passo rumo à glória.

12108772_1021358651264335_3073132455362964597_nDepois de ficar com as orelhas a arder com tanta crítica da Red Bull, a Renault resolveu mostrar como se calam os críticos… Tentando fazer melhor que eles. As indefinições foram muitas até ao final da época mas finalmente tivemos a noticia que todos queríamos. A equipa do losango voltou ao grande circo e voltou para vencer. Mas o caminho é longo e há muito para aprender. No entanto ver mais uma equipa é excelente. Perspectivas para 2016? Luta pelo meio da tabela, com um provável 8º lugar no final da época. Mas daqui por uns anos poderemos ter motivos para sorrir mais. Por enquanto toca a aprender com os erros. Os pilotos são bons, a equipa é boa e a Renault tem o orgulho ferido. Vão dar que falar.

Carro: Renault RS16

Kevin Magnussen: 19 GP, 1 pódio, 

Joylon Palmer: rookie, campeão GP2 em 2014

 

Haas – Das ovais para o Grande Circo

12742416_595471910616074_528274370505174994_nGene Haas não teve medo da F1 e apostou forte. Recorreu a Ferrari para aprender com os melhor como se faz. Quando lhe perguntavam o que ele fazia na F1 ele respondeu “não faço nada compro tudo feito”. Na verdade teve de fazer algumas peças de suspensão mas o motor e grande parte da electrónica é da Ferrari, o chassis e Dallara (que tem ligações com a Ferrari). Se seguissem a filosofia dos nomes da Red Bull a Haas poderia chamar-se “Cavalino Rampante”. Mas ao contrario da Toro Rosso, a Haas está aqui para fazer o seu caminho mas começou com a humildade que se exige. Ou seja, inteligentemente, os americanos não tentaram descobrir a pólvora e trataram de aproveitar o máximo de tecnologia já existente e testada. Uma forma muito realista mas positiva de ver as coisas. Não se espera que a Haas ataque já em força e mostre que pode ameaçar equipas já estabelecidas mas pode muito bem incomodar as equipas de meio da tabela de tempos a tempos. E a Manor que se cuide pois a luta pelo melhores do últimos vai ser renhida. 10º no final seria muito bom para eles.

Carro: Haas VF-16

Romain Grosjean: 83 GP,10 pódios, 

Esteban Gutierrez: 38 GP, melhor resultado – 7º

 

 

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Fábio Mendes

Um pensamento sobre “F1 – Antevisão 2016

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