WTCC – Corrida da Hungria: Análise

Depois de um fim de semana em grande passamos agora em revista de forma breve os acontecimentos da Hungria, no campeonato FIA WTCC. E quem fosse apanhado desprevenido poderia pensar que tinha caído numa dimensão paralela tal foi a confusão que se instalou em pista.

 

 

Citroën: Lopez sempre a facturar e Muller a dar se mal no molhado

 

Mais uma pole e mais uma vitória para Lopez, que desta vez terá agradecido pelo novo formato do WTCC. O facto da primeira corrida ter o grid invertido serviu para testar o asfalto encharcado de Hungaroring que foi um completo desastre para ambos os Citroën. As equipas confiaram que o piso ia secar e que os slicks iriam render a partir do meio da corrida mas isso nunca aconteceu e o que era suposto ser uma corrida tornou-se um passeio para os pilotos que não arriscaram e colocaram pneus de chuva. Para quem escolheu slicks, foi uma mistura entre patinagem e um episódio de Fast and Furious“Hungaroring drift”, mas sem a parte do “Fast”pois os Citroën chegaram a rodar 10 segundos mais lentos que os primeiros. Já na parte final (inexplicavelmente as equipas teimaram com os slicks até ao fim mesmo com a chuva a não dar tréguas) trocaram para os pneus de chuva e o ritmo melhorou consideravelmente, mas já não havia hipóteses de chegarem aos lugares pontuáveis. Na segunda corrida Lopez fez o costume e não largou o primeiro lugar mesmo com a pressão forte de Muller, que depois se envolveu com Huff. O francês levou um toque e perdeu o 2º lugar com isso,  o que levou a um chorrilho de queixas com vernáculo à mistura que resultou num Drive Through para Huff. Mais uma vez Lopez foi melhor e mais uma vez Muller lidou mal com o tratamento mais agressivo dos adversários, algo que ele costumava fazer sempre que podia. Não está bem e estes episódios só servem para desestabilizar ainda mais o piloto que procura um bom resultado há muito tempo e que está muito longe do primeiro lugar.

 

2016 EVENT: Race of Hungary TRACK: Hungaroring Race Track TEAM: Castrol Honda World Touring Car Team CAR: Honda Civic wtcc DRIVER: Rob Huff

Honda: Não tão longe da Citroen como se pensava

Pensava-se que a Honda iria sofrer mais com o aumento do peso dos Civic, mas a verdade é que não estiveram assim tão longe dos franceses, embora as condições tenham sido especiais.  Huff foi o piloto que se mostrou em melhor forma no fim de semana. Michelisz teve muito azar com uma falha no turbo na primeira corrida e uma suspensão partida na segunda, depois de uma recuperação espectacular. Já Monteiro foi o que mais discreto esteve, mas ainda assim conseguiu o melhor resultado, subindo novamente ao pódio. Será a “estrelinha de campeão”? Pela primeira vez desde 2014 que se vêem melhorias consideráveis nos Honda. Depois do aumento de peso passaram o primeiro teste e falta só ver o comportamento do carro em piso seco para confirmar se têm mesmo estofo para dar luta até ao fim à Citroen. Mas para já parece tudo bem encaminhado.

 

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Lada – Catsburg está a habituar-se ao pódio

O holandês voltou a subir ao pódio, confirmando as nossas apostas de início de ano. Está numa forma excelente e a mostrar que é o melhor piloto da Lada neste momento. Tarquini ainda mostrou do que é capaz na corrida um, desfazendo a aposta nos pneus slicks na volta de lançamento, largando assim das boxes mas conseguindo recuperar até ao 5º lugar (mostrou experiência). Já Valente…andou, como é habitual, aos empurrões mas não mostrou o nível dos seus companheiros de equipa. E está a ser um início de época desapontante para o francês que não está a aproveitar a oportunidade de mostrar serviço numa equipa de fábrica. Não consegue evitar os problemas e arrisca sempre em demasia. Se Catsburg  nos está a encher as medidas, Valente está a ser um ponto de interrogação cada vez maior

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Volvo – um 4º lugar para cada piloto.

Não se pode dizer que foi um mau fim de semana para a Volvo. Pensávamos que o traçado sinuoso e o peso a menos poderia dar alguma vantagem aos suecos mas a chuva tratou de baralhar tudo. Ekblom jogou pelo seguro e foi recompensado na primeira corrida, usando pneus de chuva, e Bjork tratou de igualar o seu colega de equipa na corrida dois, onde mais uma vez cheirou o pódio. Nota-se que ainda há trabalho a fazer na parte do motor, principalmente porque a equipa terá de perceber o porquê do sobreaquecimento do turbo na Eslováquia.  Parece cada vez mais claro que 2016 será mesmo um ano de aprendizagem, mas a hipótese de pódio não parece nada descabida.

 

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Os privados – Bennani muito forte mas Chilton ameaça

Bennani conseguiu a vitória na corrida 1. Depois do 10º lugar na qualificação e da escolha acertada de pneus, bastou ao marroquino gerir o andamento e vencer. Está muito forte este ano e a mostrar um andamento bem positivo, mas Chilton começa a mostrar-se. Conseguiu o 2º lugar na corrida 1 e o 5º na corrida 2 e foi o mais regular da Loeb racing, evidenciando cada vez maior à vontade com o C-Elysée. Bennani que se cuide. Demoustier não mostrou nada de mais, Coronel errou na estratégia na corrida 1 e na 2 não aproveitou o facto de ter brilhado na qualificação conseguindo o 2º lugar do grid…uma oportunidade de ouro perdida. Filippi podia ter ameaçado o pódio na corrida 1 mas enganou-se no lugar na grelha de partida e levou com um Drive Through. Outro piloto que podia ter mostrado mais e não aproveitou.  Ferenc Ficza marcou os primeiros pontos no WTCC, e logo em casa (a Zengo voltou a alinhar apenas com um carro), e Munnich também “molhou a sopa” conquistando um ponto na corrida 1.

Comissários com um critério descabido

Foi mau o que se viu na Hungria. Penalizações dadas sem critério nenhum, especialmente na corrida 2. Huff não merecia o Drive Through no toque com Muller Bennani também não no toque com Monteiro. Se os turismos são para haver contacto, este é mais provável com piso molhado e os comissários não tiveram o mesmo critério e erraram muito. Huff pediu que se voltasse a colocar um piloto no painel de comissários para que haja pelo menos alguem que conheça o que é andar em pista e que coloque algum critério nas penalizações. Nós apoiamos a ideia.

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Fábio Mendes

Chicane Motores para o CIVR

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