Entrevista CIVR a Rob Huff

Rob Huff dispensa qualquer tipo de apresentação. O britânico é um dos melhores pilotos de turismos da actualidade. Com 28 vitórias e 73 pódios em seu nome, Huffy quer agora começar a lutar novamente por títulos, algo que lhe escapa desde 2012. A mudança para a Honda em 2016 foi a grande surpresa e a sua entrada na JAS permitiu que o nível competitivo da equipa subisse ainda mais, fazendo com Michelisz e Monteiro a melhor tripla do campeonato. O britânico aceitou responder a algumas perguntas e ficamos a saber um pouco mais sobre o piloto e as suas aspirações a curto prazo.

 

A sua mudança para a Honda foi a grande surpresa do último inverno. O que o fez tomar essa decisão? Sente que na Honda tem mais hipóteses de ganhar outro campeonato ?

Sempre fui obcecado por carros de turismo desde tenra idade e cresci a ver o British Touring Car Championship na TV e nos circuitos.  Lembro-me bem de ir a Brands Hatch e ficar no Paddock Hill Bend com meu pai a ver os carros a passar  e os Super Touring  Honda Accord, vermelho e branco, com Gabriele Tarquini e Tom Kristensen ao volante naquela época, eram os meus favoritos. Desde então quis correr num carro de turismo da Honda.  Também queria voltar a ter um carro que me permitisse andar na frente e quando foi anunciado que o Gabriele Tarquini não iria ficar na Honda para 2016, deixei claro à Honda que eu gostaria de entrar na equipa e faria o que fosse preciso para que isso acontecesse. Eles também estavam dispostos, de modo que o negócio foi resolvido num curto espaço de tempo. Alessandro Mariani, o chefe da equipa, tem um grupo maravilhoso de pessoas e depois de ter vencido com um Civic que a JAS tinha construído para a Série TCR em Macau no ano passado e ter sentido o quão bom o carro era, realmente não tive dúvidas que queria pilotar na Honda.

 

O Rob já ganhou com o Civic. A adaptação ao carro foi fácil ?

Quando já se pilotou vários tipos diferentes de carros, aprendemos a adaptar-nos razoavelmente rápido. Eu corri nos monolugares e GTs, bem com em vários carros de turismo e no final , todos eles têm um volante e alguns pedais e a adaptação não demora muito tempo . A JAS Motorsport  teve uma grande reformulação da estrutura técnica durante o período do defeso, com Duncan Laycock – o meu engenheiro de corrida quando ganhei o WTCC em 2012 – a entrar como novo director técnico da equipa. Como sou novo na equipa, não posso dizer se funciona melhor do que antes , mas o facto é que eu ganhei uma corrida e entre mim, o Tiago e o Norbi , temos quatro dos seis possíveis pódios, por isso é realmente um bom começo.

 

 

Qual é a pista do calendário WTCC que mais gosta?

Costumava ser uma resposta fácil: Macau. Mas desde que saiu do calendário, a minha pista preferida passou a ser Nurburgring Nordschleife. Não tenho dificuldade em lembrar-me do layout da pista uma vez que tenho um simulador em casa e participei na corrida de 24 horas algumas vezes. Pilotar um carro de turismo lá é algo que exige muito, pois está-se no limite a maior parte do tempo, enquanto numa máquina GT é um pouco mais calmo e não é preciso puxar tanto para alcançar um bom tempo por volta.

 

 

Gostou do Circuito Vila Real? Qual foi a parte mais desafiante para si?

Os circuitos citadinos sempre estiveram entre meus favoritos. São um desafio e punem os erros. Tendencialmente sempre me dei bem em citadinos, especialmente em Macau. Em Vila Real há uma curva à esquerda muito rápida já no último terço da pista, que se pode fazer em flat-out com pneus novos na fase de qualificação, mas onde é preciso levantar o pé nas primeiras passagens do fim de semana, enquanto a pista não fica mais aderente. É provavelmente a curva mais gratificante de se fazer bem.

 

Quais são os seus objectivos para 2016 ?

Quero terminar no top3 do campeonato e acho que é uma meta muito realista, pelo menos para um dos pilotos da Honda. O campeonato seria um sonho tornado realidade, mas temos de ser realistas e se olharmos para onde a Honda estava no final de 2015 em comparação com a posição em que estamos agora, é uma melhoria significativa e mostra o incrível trabalho que foi feito durante o inverno. O ritmo que mostramos no início da temporada foi fantástico, mas obviamente quando os lastros forem recalculados de corrida para corrida as coisas vão misturar-se um pouco e por isso é importante para maximizar os pontos enquanto podemos.

 

Pensa competir noutro campeonato ou está feliz no WTCC?

Adoro correr no WTCC. É um Campeonato do Mundo, de modo que o nível é extremamente elevado e como são carros de turismo, proporciona muitas lutas, o que é óptimo para os fãs e para quem está dentro do carro, porque podemos competir de perto com os adversários. Para pilotar um carro de turismo rapidamente tem que estar sempre no limite, por isso é bom também tentar outras formas de automobilismo. Eu costumava correr o meu próprio MGB em corridas de carros históricos e venci o campeonato em 2001 e também venci corridas no Goodwood Revival e na clássica de Silverstone. Em termos de carros modernos, faço as 24 Horas Nurburgring a maioria dos anos em  GT3 – será um Mercedes este ano – e já subi ao pódio nas 24 horas de Daytona e nas 24 horas do Dubai, por isso já tenho variedade suficiente. Quem sabe o que o futuro trará; a Honda está envolvida em muitos tipos diferentes de competições além dos carros de turismo, por isso nunca se sabe o que pode estar ao virar da esquina.

 

 

Após as primeiras rondas do campeonato, a equipa está feliz com a evolução do carro? Acha que podem bater a Citroën regularmente, ou o C- Elysée ainda é o carro mais forte do grid? E se assim for, que melhorias estão previstas  para os próximos eventos ?

O pessoal da Honda e da JAS Motorsport trabalhou muito duro durante o inverno para melhorar o carro. Não foi uma grande melhoria, mas numerosas pequenas melhorias no motor, chassis e suspensão em particular, que todas juntas se tornaram num grande passo em frente. O ritmo nas rondas iniciais foi excelente, mas também temos em mente que os Citroën estavam com 80 kg a mais. Mas na Hungria com mais 70Kg, continuamos a ser muito competitivos e como tal foi encorajador para nós e sabemos que só podemos melhorar a partir daqui.

 

 

Agradecemos ao Rob Huff ( e ao Jamie O’Leary) pelo tempo que nos dispensaram e desejamos a maior sorte para Huff neste campeonato. Thank You Rob. See you in June!

 

 

Chicane Motores para o CIVR

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