F1 – GP da Rússia: Análise às equipas

Sochi é um caso estranho no calendário da F1. A pista é aborrecida, não tem um ponto que faça os fãs vibrar a sério e toda a envolvência de um país que não tem tradição na F1 faz torcer o nariz. Mas a verdade é que a corrida em solo russo voltou a ter motivos de interesse e emoção. Rosberg voltou a dominar como quis e até imitou Vettel, ao fazer a melhor volta da corrida só para mostrar que a liderança não é fruto do acaso. Foi a primeira vez que o alemão fez o “grand slam” na F1 (pole, vitória e melhor volta) e conseguiu igualar os nomes de Ascari, Schumacher e Vettel numa série de 7 vitórias seguidas.

 

Mercedes: Afinal não são à prova de bala

Lembram-se daquela equipa que fazia 800Km por dia na pré-época? Pois, aquela equipa que trabalhou a fiabilidade até à exaustão? É a mesma que agora sofre de problemas de fiabilidade do motor. E infelizmente essa falta de fiabilidade apenas afecta Hamilton. Largou de 10, pois não teve motor para lutar pela pole, não saindo na Q3, recuperou até ao 2º de forma brilhante e não pôde ir atrás de Rosberg pois um problema na pressão da água obrigou o tri-campeão a manter o ritmo em vez de atacar. Tem sido uma constante desde inicio do ano… Os azares multiplicam-se e a fiabilidade tem deixado a desejar. Rosberg por seu lado tem estado imune a problemas e está a construir uma liderança bem confortável e todos os pilotos que conseguiram 4 vitórias seguidas numa época foram campeões.  A Mercedes afirmou que teve problemas em ambos os carros e que foi “muito bom os dois carros terem acabado”. O que vai fazer os fãs da teoria da conspiração ficar eufóricos é que a equipa de mecânicos de Rosberg trabalha agora para Hamilton e a equipa que no ano passado era de Lewis está com Nico, numa troca sem motivo aparente para Lewis. Mais ainda, para um carro que também está em dificuldades, sacar a melhor volta da corrida nas últimas voltas vai originar falatório. Eu só estou a ser venenoso e a dar vos motivos para pensar, pois acredito que as equipas trabalham de forma séria e profissional e não haverá favorecidos. Mas já era tempo de Hamilton ter mais sorte.

 

Ferrair: F*da-se!

Foi a palavra mais ouvida nos primeiros minutos da corrida e Vettel mostrou que quando chateado, não poupa no vocabulário. O alemão não está habituado a desistir das corridas mas este ano já lhe aconteceu 2 vezes e logo no ano em que queria lutar pelo titulo. Vettel foi refém de erros alheios mais uma vez e ficou a ver a corrida do lado onde menos queria… da box. Tal como Hamilton, está a enfrentar um caminho recheado de obstáculos o que facilita sobremaneira a tarefa de Rosberg que até agora não teve de lutar directamente com nenhum dos 2 maiores candidatos ao titulo. Não há nada para analisar hoje sobre Vettel. Apenas lamentar a sorte que teve e esperar que a Ferrari lhe dê ferramentas para atrapalhar o compatriota. A Ferrari não está ao nível da Mercedes e a poupança de combustível a que foram obrigados atrasou Kimi na luta por um lugar melhor. O Iceman esteve bem e está aos poucos a regressar à forma que todos apreciamos, embora não tenha sido tão contundente a defender a sua zona como no passado. Mas está agora melhor colocado para tentar o titulo , algo que não se esperava nesta altura do campeonato. Mas a Ferrari precisa de mostrar mais e Arrivabene já avisou que não vão desistir.

 

Williams: Melhorias em todos os aspectos…menos no carro

A Williams tem dado passos importantes na consolidação da equipa e para o futuro. No entanto as melhorias no carro têm demorado a chegar. Rectificaram o problema das paragens nas Boxes, sendo agora a equipa mais eficiente neste aspecto de toda a F1, mas em corrida voltaram a ficar aquém das expectativas. O FW38 continua a ter problemas na aerodinâmica e isso reflectiu-se na exigência extra colocada nos pneus. Bottas e Massa estiveram num nível muito bom e deram à equipa muitos pontos, mas ficou no ar um sentimento de desilusão pois a equipa tem potencial para mais, mas por algum motivo, o carro não está no topo das suas capacidades e não permite que os pilotos lutem de igual para igual com os carros da frente.  Bottas lutou e teve a estratégia certa para tentar o pódio (outro aspecto rectificado na equipa com estratégias bem mais acertadas que anteriormente) e lutou como pôde para se manter no top3, sem hipóteses para que isso acontecesse. Massa teve uma tarde mais discreta mas nem por isso de menor qualidade. Esperemos que a chegada das melhorias em Espanha tragam boas notícias para a Williams.

 

McLaren: Finalmente muitos pontos!

Custou mas foi! A Mclaren conseguiu marcar pontos com ambos os carros. Alonso aproveitou da melhor forma o Safety Car do início da corrida e desta vez teve um motor capaz de o aguentar no top 10. A unidade motriz da Honda tem um apetite voraz no que diz respeito a combustível e tanto o espanhol como Button foram obrigados a ter cuidado com os consumos, tendo de levantar o pé para acabar a corrida sem problemas. Mas Alonso mostrou um pouco mais do que é capaz (só não o faz mais vezes porque o carro ainda não o permite) e Button atrasou-se em demasia na luta com Sainz pelo 10º lugar, perdendo hipótese de lutar por mais. Mas foi um fim de semana onde por fim se viram alguns sorrisos na McLaren. Para Espanha espera-se uma revisão profunda do carro e quem sabe as melhorias trazem mais ritmo. É que a nosso ver este resultado é enganador e a McLaren ainda está longe do top5 e para isso basta ver a forma como Hamilton passou por Alonso.

 

 

Renault: Da miséria à “euforia”

Ok, um sétimo lugar não deverá provocar ondas de euforia na equipa, mas certamente uma boa dose de optimismo será agora mais visível. Depois de dois GP horríveis, os homens de amarelo encontraram um antídoto temporário para o mau andamento e conseguiram na Rússia mostrar mais. Palmer teve direito a um fundo plano novo e o resultado está à vista, com um andamento muito mais positivo (continuamos a afirmar que o britânico tem qualidade). E Magnussen ofereceu os primeiros pontos à Renault neste regresso, numa corrida excelente por parte do dinamarquês (daquelas corridas que confirmam todo o talento de KevMag). Aquela luta com Ricciardo foi dos melhores momentos da corrida e o 7º lugar, com um carro que tem ainda tanto para evoluir é muito bom. Claro que a Renault olha mais para 2017 do que para 2016 e as evoluções para este ano terão certamente mais interesse para o ano que vem mas a equipa ainda poderá arranjar forma de pontuar mais algumas vezes. E os pilotos merecem um carro que lhes permita mostrar um pouco mais, pois quando têm os resultados aparecem.

 

 

Haas: de regresso aos pontos

Grosjean aproveitou da melhor maneira a confusão que se instalou em pista nas primeiras voltas e conseguiu arrecadar mais uns valentes  pontos para a Haas. O francês voltou a mostrar o porquê de ser um dos melhores da actual F1 e conseguiu mais um excelente resultado. O carro precisa de melhorias, as quais serão introduzidas no próximo GP em Barcelona mas a equipa tem conseguido maximizar as suas hipóteses de pontuar e sempre graças a Grosjean. Já Gutierrez… é outro com quem a sorte nada quer. Foi apanhado na carnificina da curva 2 e ficou sem hipóteses de lutar por algo mais terminando em 17º sem glórias e sem culpas. Não somos apreciadores das capacidades do mexicano mas temos de admitir que ainda não teve oportunidade de mostrar o que pode fazer.

 

Force India: Pérez está a dominar de novo

Hulkenberg está a entrar numa fase complicada da sua carreira. Não temos dúvida em afirmar que é um dos melhores do grid mas desde o ano passado que acumula azares com exibições menos conseguidas. Mais uma vez o azar bateu-lhe à porta e não conseguiu terminar a corrida enquanto Pérez fez o que tem feito desde o ano passado… Mostrar um nível muito bom e ajudar a equipa com pontos preciosos.  O mexicano está numa forma excelente e volta  a pensar-se como poderia ser a sua carreira se não fosse tão cedo para a McLaren. Se calhar em vez de Grosjean ser falado para a Ferrari, talvez pudesse ser o mexicano a ser cogitado para o lugar. A Force India está a voltar aos poucos mas esperava-se, mais este ano . E como os novos regulamentos à vista, o top 5 começa a parecer um objectivo complicado, dado o que a equipa pode gastar e o que as outras equipas vão investir.

 

Red Bull: Como se diz problemas em russo?

Uma prova em casa é sempre especial e a pressão do público e dos media podem fazer que um piloto se supere… ou ceda à pressão. No caso de Kvyat tudo correu mal, pois para além de ter ficado mal na fotografia, estragou a corrida de um candidato ao titulo e do colega de equipa. A travagem mal calculada na curva 2 fez lembrar os tempos do saudoso Maldonado e o toque seguinte, outra vez em Vettel, fez com que até o venezuelano dissesse “eh pá isso já é demais”! Kvyat não teve a sorte do seu lado mas fez pouco para evitar os acidentes e com isso ficou com as “orelhas de burro” e irá receber uma reprimenda da equipa (como se não bastasse a pressão dos media e o facto de ter feito borrada em casa). Vai ser um grande teste ao carácter do russo e regressar depois deste incidente será complicado. Helmut Marko já disse que ia falar com Kvyat mas parece-nos que é mesmo este ambiente de pressão constante que prejudica os pilotos. Marko é uma figura que não nos agrada nada e o facto de estar a tentar empurrar à força Verstappen para a Red Bull está a fazer mal a todos.  Mas depois deste incidente, não devem restar dúvidas que é mesmo o russo que vai saltar fora. Quanto a corrida.. depois do desastre da curva 2, a equipa tentou colocar os médios para não voltar à box mas o tempo que perderam em pista fez com que a equipa ser arrependesse, pois as borrachas mais duras nunca funcionaram como o desejado. Um erro que também ajudou a que a equipa saísse da Rússia sem pontos. Até Ricciardo perdeu o sorriso e não ficou nada satisfeito com o erro do colega. Para esquecer!

 

Toro Rosso: Talento e azar de sobra

Hoje falamos muito em azar é verdade. Mas uma equipa que tem dois excelentes pilotos, um chassis excelente e um motor que supostamente é fiável, acabar fora dos pontos só pode ser atribuido a um conjunto de factores menos positivos. Verstappen viu o seu motor disfarçar-se de locomotiva tal era o fumo que saiu do seu escape e Sainz levou uma reguada valente dos comissários por ter forçado a passagem a Palmer, depois de ter sido apanhado nos toques da primeira volta. Não foi o melhor dia para a equipa que voltou a não capitalizar o potencial que tem.  Há muita qualidade e muito trabalho bem feito mas há dias em que nem sendo muito bom ajuda.

 

 

Sauber: outra vez Ericsson na frente

Foi mais um fim de semana para a Sauber onde tiveram de lutar contra as evidências de serem a equipa com os piores meios do grid. E foi mais um fim de semana em que Ericsson ficou na frente de Nasr. O talento do brasileiro é inegável mas tem estado a milhas do que pode fazer e Ercisson surpreendentemente aparece numa forma assinalável, estando a fazer muito melhor que o seu colega de equipa.  O ambiente na equipa continua tenso e as acusações entre os pilotos continuam. Tudo complica a vida da Sauber que continua longe dos pontos. Muito Longe.

 

 

Manor: Wehrlein promete

Será que Wehrlein fez uma corrida assim tão boa? Nem por isso, pois acabou no último lugar, mas a qualidade do alemão é visível nas manobras que faz e na forma como se impõe a adversários mais fortes. Pascal tem mesmo pinta daquele campeão que ganha muito e poucos gostam dele pela forma fria e pouco faladora de falar, numa forma de estar vincadamente germânica. Mas está claro que a Mercedes tem piloto para o futuro. E Haryanto? Teve azar e não acabou a corrida, ele que tem melhorado ao longo do tempo. Não tem o calibre de Wehrlein isso é mais que certo.

 

 

Segue-se a primeira prova “verdadeiramente europeia”, em Espanha de 13 a 15 de Maio onde são esperadas as verdadeiras melhorias em todas as equipas.

 

 

Geral dos pilotos:

 

Geral por equipas:

 

 

 

Fábio Mendes

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