F1 – GP da Espanha: Análise às equipas

O GP da Espanha tinha os ingredientes todos para ser uma corrida memorável. A troca da Red Bull, as melhorias das equipas e a pressão da Ferrari, faziam com que a prova em solo catalão fosse uma das mais excitantes do ano antes do seu início. Mas a corrida deu ainda mais; a Mercedes meteu os pés pelas mãos, a Ferrari conseguiu safar-se, sem no entanto atingir os objectivos e a Red Bull saiu de Espanha com um sorriso rasgado. Max voltou a fazer história e poderá ter iniciado aqui um novo capitulo da F1.

 

 

Red Bull: O início de uma nova era

Não era uma questão de “se” mas sim de “quando”… E ninguém esperou que fosse tão cedo. Max cumpriu mais um passo na sua ascenção meteórica e venceu o seu primeiro GP, pulverizando o recorde do piloto mais jovem a vencer o primeiro GP…que era de Vettel com 20 anos. Max, de 18 anos, chegou viu e venceu, e na sua primeira corrida pela Red Bull foi magistral. Na qualificação foi  4º, puxando por Ricciardo e na corrida foi capaz de gerir o seu andamento e a estratégia arrojada (e arriscada) dos Bull´s.  2 paragens foram suficientes para que o holandês cumprisse os 300Km de prova, deixando os Ferrari sempre atrás de si. Uma gestão perfeita! Foi pena ter chegado à equipa da forma que chegou, mas manteve-se sempre frio no meio da agitação dos media e levou a melhor. Estamos perante aquele que será a maior força da F1 nos próximos anos e se a Red Bull tiver um motor condizente com a qualidade do seu chassis, Max irá fazer certamente bom uso dele e a hegemonia da Red Bull pode voltar ser uma realidade. Porque do outro lado da boxe está um excelente piloto também. Ricciardo tem um talento proporcional ao sorriso que faz questão de mostrar mas a estratégia escolhida pela equipa não o beneficiou. A escolha dos macios na segunda paragem vinculou de forma irremediável o piloto a uma estratégia de 3 paragens e o australiano ficou com uma tarefa árdua… Ultrapassar na Catalunha é complicado e ultrapassar Vettel num carro com melhor motor é ainda mais. Ricciardo tentou mas não conseguiu e ficou injustamente fora do pódio. Mas esta dupla é de facto uma das melhores da F1 tanto a nível de marketing com ao nível da qualidade. Detestamos a maneira como Max foi chamado e foi mais um golpe baixo por parte da Red Bull a um dos seus pilotos, mas quando as mudanças dão resultado… não há argumento que resista e quem quiser brincar às corridas não pode andar na F1. É um mundo duro e por muito que nos custe a forma como foi feita a mudança, foi a decisão certa. Será que Max vai conseguir lidar com as expectativas que criou em seu redor com este inicio fenomenal? Já não temos coragem para duvidar dele.

Max Verstappen: Nota 10

Daniel Ricciardo: Nota 9

Red Bull: Nota 9

Ferrari: com o patrão na loja o rendimento tinha de ser o melhor

A pressão na Scuderia é sempre muito grande e com as expectativas que foram criadas em 2016 (não condizentes com os resultados), a pressão estava no limite. Marchionne foi visitar a equipa a Espanha e Arrivabene esteve todo o fim de semana com a “corda ao pescoço”. A Ferrari não se apresentou como devia mas conseguiu minorar os estragos. Deveria ser um carro vermelho no primeiro lugar do pódio mas tiveram de se contentar com o 2º e o 3º e o que valeu foi a Mercedes ter facilitado a tarefa senão poderia ter sido um dia muito mau em Maranello. Raikkonen usou a mesma estratégia de Verstappen e conseguiu segurar o 2º lugar, enquanto que Vettel ainda tentou a mesma estratégia, mas passou a para as 3 paragens levando a melhor sobre Ricciardo que foi sempre o seu alvo durante a tarde. Foi bom que este resultado chegasse pois Arrivabene estava pressionado e já se falava na hipótese da sua substituição, mas achamos que é o homem certo para o cargo. Conseguiu unir uma equipa completamente desmembrada, deu um novo rumo e um novo ânimo à Scuderia e tem um estilo de liderança que nos agrada. A sua saída seria um retrocesso para a Ferrari e neste momento não há margem para retrocessos. O motor precisa de melhorar e mesmo a aerodinâmica do carro parece ter um feitio especial. Mas neste momento a Ferrari tem as peças ideiais para voltar a vencer. Só precisa de dar tempo e espaço a quem tem.

Sebastian Vettel: Nota 8

Kimi Raikkonen: Nota 9

Ferrari: Nota 8

 

Williams: Mais do mesmo… e o mesmo sabe a pouco

Houve mudanças no Williams mas  não houve mudanças no que realmente interessava… o ritmo de corrida. Mais uma vez Bottas teve uma tarde discreta e Massa depois do desastre na qualificação, também passou despercebido no asfalto espanhol, embora tenha feito uma recuperação excelente. Massa tem estado em grande forma e tem rendido exactamente o que se quer dele, enquanto Bottas parece estar algo estagnado. Parece agora claro que a Williams perdeu o comboio para a frente do pelotão. Não vai a tempo de ameaçar a Mercedes e ficou para trás em relação à Ferrari e agora à Red Bull. A equipa não soube capitalizar o bom arranque em 2014 / 2015, e aquela que chegou a ser a 2ª força da F1 é agora a 4ª. As melhorias não chegaram para dar um novo ânimo e o que se viu em Espanha foi uma repetição do que tem sido 2016… nem muito bom nem muito mau. A equipa está muito melhor e as paragens nas boxes agora são feitas com uma rapidez e precisão assinalável e as estratégias da equipa parecem agora mais objectivas e acertadas. Mas quando o carro não tem andamento, não há paragens e estratégias que valham. A Williams tem de começar a olhar para 2017 para tentar regressar às vitórias. E se calhar uma mudança no line up não seja má de todo. Mas 2016 será um ano mediando para a equipa. E de mediania não se faz história.

Felipe Massa: Nota 8

Valtteri Bottas: Nota 7

Williams: Nota 7

 

Toro Rosso: Em Espanha Carlitos mostra o todo o seu potencial

Já tinha sido assim em 2015 e em 2016 aconteceu de novo. Sainz esteve em grande no seu pais natal e fez uma exibição para Marko ver. Depois da novela Verstappen, Sainz mostrou que também tem qualidade para ser um piloto a ter em conta para o futuro da Red Bull… ou fora da equipa até uma vez que a equipa principal parece ter encontrado a dupla para os próximos anos. O piloto tem muita qualidade e tem passado despercebido porque o seu colega de equipa tem tido os holofotes sempre virados para si. Mas é injusto esquecer Sainz e do que é capaz e a prova está no 6º lugar. Já Kvyat teve um fim de semana para esquecer. A pressão dos media, a despromoção, o ter de arranjar força para enfrentar este novo desafio, exigiu demasiado do russo que não teve a prestação  do seu colega de equipa. Conseguiu conquistar um ponto e assinou a volta mais rápida da corrida mas esteve longe da excelência de Sainz…o que é normal dadas as circunstâncias.

Carlos Sainz: Nota 9

Daniil Kvyat: Nota 7

Toro Rosso: Nota 8

Force India: Pérez confirma o estatuto de nº1

É com pena que constatamos que Pérez é o piloto que se evidencia na Force. Não porque não sejamos apreciadores do mexicano (muito pelo contrário) mas porque significa que Hulkenberg está a perder terreno. O alemão é bom mas alterna azares com corridas mais discretas e não se vê o verdadeiro Hulk há muito tempo. Mais uma vez um azar no carro atirou-o para fora da corrida enquanto Pérez voltou a brilhar. Checo mostrou-se agradado com as alterações ao carro, com uma nova asa dianteira mais eficiente e com isso produziu uma corrida eficiente e produtiva. 7º lugar e a promessa que irá lutar por muitos mais pontos… Pérez é o exemplo claro que às vezes um passo em frente demasiado rápido estraga uma carreira. Pérez tem qualidade para uma equipa de topo? Não temos qualquer dúvida e agora é está facilmente no top 5 dos melhores pilotos do grid. Será que alguma vez voltará a ter essa hipótese? Dificilmente.

Sérgio Pérez: Nota 8

Nico Hulkenberg: sem nota

Force India: Nota 8

 

McLaren: desilusão nas melhorias…

Esperava-se um passo mais vincado para a equipa. As melhorias foram muitas e há potencial, mas em Espanha isso não se viu. É que as melhorias no motor essas ainda não apareceram e só no Canadá deverão ser introduzidas … se foram introduzidas. Os japoneses dizem que tem melhorias para colocar no carro mas que ainda não decidiu como irá usar os Tokens disponíveis para este ano. E está tudo à espera das alterações do motor pois ao nível do chassis, parece que a McLaren tem evoluções suficientes para dar luta pelo top 5. Conseguiram ir à Q3 na qualificação pela primeira vez desde que a Honda começou a fornecer motores, mas Alonso ficou sem potência a meio da corrida. A caminhada continua e ainda está a ser penosa… até quando?

 

Fernando Alonso: Nota 7

Jenson Button: Nota 7

McLaren: Nota 5

Haas: Gutierrez a ganhar ânimo

O mexicano tem estado numa maré de azar mas em Espanha deu um pontapé na crise e mostrou alguma da sua qualidade. Não deu para os pontos é certo mas ninguém esperava que a senda dos pontos continuasse numa equipa que tem ainda tanto para crescer. Mas deu para ver um Gutierrez mais afoito e mais agressivo conseguindo um par de boas ultrapassagens e um resultado positivo. Grosjean  foi obrigado a desistir com problemas nos travões mas o andamento da Haas foi positivo para uma equipa estreante e continua a mostrar grande potencial.

Esteban Gutierrez: Nota 7

Romain Grosjean: Nota 6 

Haas: Nota 7

 

Sauber: Na luta cada vez mais azeda entre companheiros de equipa… Ericsson voltou a ser melhor

Ericsson está cada vez mais sólido na equipa e Nasr está perdido.  O brasileiro está numa luta bem azeda com o sueco e não fosse o caso da Sauber ser uma equipa do fundo da tabela, a história daria bem mais que falar. Os dois pilotos não convivem bem dentro e fora de pista mas Nasr está a ter problemas em mostrar a sua qualidade. 12º para Ericsson e 15º para Nasr é o reflexo da época da Sauber até agora. O que é mau para Nasr que pode estar a perder uma oportunidade de ouro de se manter na F1. Precisa de se acalmar e esquecer dos problemas e dar o máximo que pode dar. Se continuar envolvido em problemas com o seu colega… a coisa pode piorar. Já Ericsson mostra que pode continuar na equipa se mantiver o nível.

Marcus Ericsson: Nota 7

Felipe Nasr: Nota 5

Sauber: Nota 5

Renault: Palmer na frente de Magnussen.

A primeira impressão conta muito e Palmer ficou nos na memória pelos melhores motivos na Austrália. No entanto os resultados que vinha produzindo não reflectiam o que achamos naquela altura e estávamos a começar a reconsiderar. Mas o britânico mostrou mais serviço este fim de semana. Embora o carro não permita grandes resultados (basta ver como os pilotos lutam com o volante nas curvas), Palmer mostrou-se em melhor forma do que tem vindo a fazer. Já Magnussen teve um toque com o companheiro de equipa e isso valeu-lhe 10 segundos de penalização e dois pontos na licença. Com o ânimo que a Red Bull tem no novo motor da Renault, parece que vem lá algo bom e pode ser que a equipa lucre também com isso, sabendo que é preciso ainda melhorar muito no chassis.

Jolyon Palmer: Nota 7

Kevin Magnussen; Nota 6

Renault: Nota 6

Manor: O habitual fechar do baile

É costume que as corridas acabem com os Manor a fecharem a pista. E desta vez não foi diferente. Wehrlein foi o melhor sem surpresa mas Haryanto não está a errar muito e tem passado discreto, o que significa que não tem comprometido em demasia. O ritmo pode não ser o melhor mas ao menos poupa na fibra de carbono. Já Wehrlein olha para a situação da Mercedes com um sorriso pois um daqueles lugares pode ser seu.

Pascal Wehrkein: Nota 6

Rio Haryanto: Nota 5

Manor: Nota 5

Mercedes:  Uma pista demasiado pequena para os dois

O acidente de Rosberg e Hamilton será o ponto de interesse nos próximos dias. De quem foi a culpa, o que a equipa fará, como será a relação entre os dois… Tudo será tema de conversa. Quanto ao acidente… a nós parece-nos um acidente de corrida. Se tivéssemos de atribuir a culpa a um deles, seria a Rosberg que fechou em demasia a trajectória, não dando espaço a Hamilton, que estava claramente mais rápido ( aparentemente o alemão estava num modo de potência incorrecto, o que motivou a diferença clara de velocidades). Claro que Hamilton também tem culpa e poderia ter levantado o pé e a decisão dos comissários (não atribuir culpas a ninguém) foi a correcta. Quem lucrou foi Rosberg, que manteve a sua liderança intacta enquanto Hamilton desperdiçou uma oportunidade de encurtar distâncias. Mais uma vez o britânico largou mal, o que começa a ser um fraco habito e ficou em 2º o que levou depois ao acidente cuja reacção dos pilotos ao choque foi sintomática. Nenhum retirou o capacete enquanto não foram para o debriefing (até desconfiamos que ainda estejam com eles metidos dada a situação constrangedora para ambos) e este acidente trará consequências para os pilotos. Qual deles? Essa é a dúvida pois no incidente de Spa foi Hamilton que saiu por cima. Mas desta vez, Lauda atribuiu a culpa a Hamilton (injustamente a nosso ver) e isso poderá ter um peso na forma como a equipa reage. Mas está a ser um inicio horrível para Hamilton que está a demorar muito a mostra que pode discutir o campeonato até ao final. Até se fala na hipótese de ele tirar um ano de sabática em 2017 (não acreditamos nisso mas se o fizer é uma péssima decisão). Para já está tudo a correr de feição a Rosberg e nem esta desistência o coloca sob pressão no campeonato. Será que esta dupla se mantém para 2017. Depois deste incididente… dificilmente.

Lewis Hamilton & Nico Rosberg & Mercedes: sem nota

 

Fábio Mendes

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