WRC – Rally de Portugal: Análises finais

Volkswagen: tudo o que não seja ver a equipa alemã vencer é sempre uma surpresa… Neste caso só foi surpresa para quem não assistiu ou acompanhou à etapa portuguesa do WRC.

A Volkswagen teve pela frente um adversário imbatível, Kris Meeke da Citroen.

De antemão o líder do campeonato, Sebastien Ogier, sabia que iria ter uma tarefa bem complicada para vencer pela 5ª vez a prova portuguesa, o que o tornaria o recordista de vitórias na história do rally de Portugal. A sua posição na estrada, fruto da liderança no campeonato era um handicap importante para tornar essa tarefa ainda mais complicada, mas ainda assim o francês tudo estava disposto a fazer para atingir esse fim.

A verdade é que Ogier enfrentou uma forte concorrência e se nas primeiras passagens teve de limitar as perdas por ser ele a abrir os troços, nas segundas passagens teve ainda de lidar com um Mikkelsen muito rápido, que sempre acompanhou o ritmo do seu colega, gerando-se aqui uma bela luta pela segunda posição, pois a liderança, essa já estava entregue a K. Meeke desde a segunda especial do rally.

Os dois pilotos “travaram-se de razões” de forma positiva e bem disputada como gostamos, sem ordens de equipa e tudo a ser trabalhado no braço. Mikkselsen levou a melhor sobre o seu colega de equipa conquistando o 2º lugar, deixando o francês com o 3º lugar do pódio final, numa prova onde nos pareceu haver um aproximar de forças entre Ogier e o resto da concorrência mais forte, o que promete ser algo a repetir  nas próximas provas com lutas mais renhidas pelas vitórias.

Quanto a Latvala, nunca conseguiu imprimir o ritmo que se esperava dele. Sabendo da sua melhor posição de saída de estrada e depois da vitória em 2015, era aguardado um Jari mais aguerrido e cheio de vontade de vencer. Mas desde cedo se percebeu que este não era o fim de semana do finlandês, que sempre afirmou nunca ter sentido confiança para atacar a fundo e que o carro nunca esteve do seu agrado, nunca acertando com o “set-up” do mesmo. Os tempos raramente “estiveram lá” e o pior veio mesmo na segunda secção de sexta feira, quando depois de bater numa pedra, ficou sem direcção assistida no seu Polo R WRC, perdendo muito tempo e caindo na geral de forma irremediável, terminando em 6º na geral a apenas 5´s de Camilli.

Destaque para a Volkswagen que fez o “Hattrick” na power stage com Ogier a ser o mais rápido, Mikkselsen segundo e Latvala terceiro.

 

Hyundai: Foi o desastre total a participação da marca coreana no rally de Portugal. Com a grande novidade da inscrição de Abbring, eram quatro no total os carros inscritos pela Hyundai, que vinha de uma grande vitória na Argentina por A. Paddon, chegando a Portugal cheio de vontade de repetir a dose.

Mas na segunda passagem por Ponte de Lima o piloto Neozelandês teve uma forte saída de estrada, caindo o carro numa ribanceira, onde viria a provocar um incêndio, com o seu I20 WRC a arder por completo. Felizmente piloto e navegador saíram rapidamente e ilesos da viatura que ficou consumida pelas chamas.

Neuville voltou a dar uma pálida imagem do que já o vimos fazer e de novo não entrou bem em prova, sem o piloto ter uma explicação para isso…Simplesmente os tempos não estavam a sair. Mas como um azar nunca vem só, uma fuga no depósito da gasolina do seu carro, fê-lo ficar parado sem combustível em pleno troço do Marão. Fim de linha para o piloto belga que começa a ter a vida bem complicada no seio da equipa.

Abbring abandonou duas vezes ao longo da prova, depois de ter regressado em super rally motivado pelo seu primeiro abandono ainda na sexta-feira.

Que salvou a honra da casa acabou por ser Dani Sordo, que foi embalado por uma grande multidão de aficionados espanhóis que se deslocaram ao norte do país para apoiar o seu compatriota. Andou na luta pelos lugares do pódio, chegando inclusive ao final do terceiro dia em 3º na geral, mas o ritmo de competição no domingo foi muito elevado e aí o espanhol deixou de ter argumentos para ombrear com Ogier e Mikkelsen, quedando-se pelo 4º posto final.

Foi um fim-de-semana bem complicado para a equipa Hyundai em Portugal.

 

M-Sport: Sem “alma”! Mais um rally onde ficou evidente que este Ford Fiesta está muito longe da concorrência… Cada vez mais longe. Para piorar, os seus pilotos que não encontram argumentos para entrar nas contas dos ralis. Ostberg queixou-se ao longo de toda a prova de problemas na passagem de caixa de velocidades, que o fizeram perder tempo e mais tempo para toda a concorrência, inclusive para o seu colega de equipa Eric Camilli. Fecha o rally em 7º na geral, resultado que mostra bem a fase menos boa da equipa e também do piloto.

Já o francês, mesmo a perder muito tempo para a concorrência mais forte, ficou satisfeito com o seu resultado e com os seus tempos. Apesar de o andamento ser claramente abaixo do que estamos habituados a este nível, nota-se alguma evolução por parte do piloto que ainda fez alguns “cronos” interessantes, como exemplo o 3º registo na primeira passagem por Baião. Fecha o rally em 5º na geral, a sua melhor classificação da temporada, depois de ter feito um pião na descida do Confurco em plena Power Stage, sentido dificuldades em retomar a estrada por problema no travão de mão, que simplesmente não funcionava.

Muito trabalho para Malcolm Wilson para levar este Fiesta RS WRC ao topo das classificações.

 

Citroën: A marca francesa regressou ao mundial de ralis, estando eles num ano de transição, mais preocupados em evoluir o seu novo C3 WRC de 2017, do que propriamente em mostrar grandes resultados neste ano.

Ainda assim irão marcar presença nas provas europeias para também desta forma dar ritmo competitivo aos seus pilotos. Trouxeram até Portugal três Ds3 WRC, mas apenas dois contavam para o “placard”, Meeke e Lefebvre, enquanto Al-Qassimi fazia nova aparição no WRC mas sem objectivos práticos, pelas razões que todos sabem.

Meeke acaba por fazer uma prova simplesmente perfeita, dominando praticamente de ponta a ponta, depois de assumir a liderança na SS2, que nunca mais a largaria até à chegada a Fafe pela segunda vez.

O irlandês mostrou uma maturidade incrível, um andamento fantástico e um controlo total da prova, tirando o máximo proveito da sua posição de saída para a estrada. Geriu bem o andamento da sua concorrência, fazendo o último dia de prova apenas a controlar, para não cometer qualquer erro que comprometesse o seu lugar.

Louros para quem ganha e estes são inteiramente merecidos para o piloto da Citroën, que veio mostrar que este Ds3 WRC é ainda muito competitivo, assim seja bem conduzido.

Quanto ao francês S. Lefebvre, jovem piloto da escola da Citroën, teve uma prova difícil, embora tenha também deixado bons apontamentos antes e depois de ter batido. Ele que até chegou ao final do segundo dia de prova em 6º na geral, logo na primeira especial do Sábado (Baião 1) bateu, danificando a direcção do seu Citroën, regressando apenas domingo para terminar o rally. Deixa boas notas de registo, bons tempos e um bom andamento, deixando no ar que pode estar aqui o futuro da Citroën nos ralis.

 

Pontus Tidemand: Deu para tudo! Que prova incrível do piloto sueco, dominando a toda a linha, vencendo o rally no WRC2, depois de uma demonstração de classe, batendo tudo e todos.

Tudo ficou ainda mais fácil depois o abandono de E. Evans. Embora o piloto britânico não estivesse a ameaçar o homem da Skoda , deixou de ser um preocupação para Tidemand.

Teve ainda tempo de furar, na segunda passagem pelo Marão e manter a liderança da prova sobre N. Fuchs em mais de um minuto e meio.

Grande piloto e grande carro… Muito bom!

 

Bernardo Sousa: A participar na DMack Cup o português deitou tudo a perder na última passagem por Fafe. Capotou o seu Fiesta R2T num troço que tão bem conhece, quando era líder da competição com 45´s de vantagem para o segundo classificado.

Nem é nosso timbre criticar os nossos portugueses, que sempre os apoiamos e sempre vibramos com as suas vitórias, e ficamos desiludidos com as suas derrotas ou azares. Mas neste caso é difícil ficar indiferente a este erro. Hugo Magalhães o seu navegador é de Fafe, Bernardo conhece bem esta especial, corre há anos aqui, era líder com uma margem muito grande e vai travar tarde de mais numa curva? Simplesmente não pode acontecer! Esperemos que este erro não custe o campeonato e o tão desejado prémio final que seria o regresso da dupla ao WRC2 na temporada de 2017. É levantar a cabeça e esperar que ainda não seja tarde para isso.

 

 

Miguel Campos:  é aquele rally que todos querem ser os melhores. Miguel Campos leva para casa o prémio de ter sido o melhor português em prova, fechando num honroso 14º da geral, sendo 5 no WRC2, a menos de um minuto do pódio. Fica o registo de um piloto de outra geração, que ainda dá cartas nesta nova época dos ralis.

Os nossos parabéns ao Miguel Campos e ao Carlos Magalhães pela brilhante prova realizada, e pelo estatuto de melhores portugueses em prova.

 

Carlos Mota

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