Verizon IndyCar Series – 100th Indianapolis 500 presented by PennGrade Motor Oil: Resumo da corrida

Depois do Grande Prémio do Mónaco, seguiu-se mais uma das corridas mais importantes do desporto. O grande dia na IndyCar chegou. Esta foi a 100ª edição das 500 Milhas de Indianápolis, numa edição que foi histórica. Mais do que nunca, todos os pilotos estavam determinados em deixar o seu nome na História. Esta edição centenária prometia ser extremamente interessante.

Um ano antes, James Hinchcliffe (#5) lutava pela vida depois de um grave acidente nos treinos nesta oval no ano passado. Um ano depois, Hinchcliffe pegou no seu Dallara Honda e fez uma volta fantástica, assinando a pole position muito emocional. O canadiano iria começar no lado interior da pista, tendo ao seu lado, no meio, Josef Newgarden (#21) e, por fora, Ryan Hunter-Reay (#28), vencedor em 2014.
Na segunda linha ficaram Townsend Bell (#29), por dentro, a realizar uma bela qualificação, Carlos Muñoz (#26), no meio, e Will Power (#12), por fora.
Outros resultados: o líder do campeonato, Simon Pagenaud (#22), era 8º, Hélio Castroneves, três vezes vencedor, era 9º, Scott Dixon (#9), vencedor em 2008, não foi além do 13º lugar, Juan Pablo Montoya (#2), duas vezes vencedor e que defendia o seu título do ano anterior, era apenas 17º, na frente do vencedor de 2013, Tony Kanaan (#10).
O melhor “rookie” à partida da corrida era Alexander Rossi (#98), no 11º lugar.

Depois de todas as cerimónias protocolares, os 33 carros foram para as voltas de aquecimento e, pouco depois, foi dada a ordem de partida para esta edição histórica. Infelizmente para o vencedor de 1996, Buddy Lazier (#4), o seu carro teve problemas e só voltou à pista com mais de 40 voltas de atraso.

Na partida para 200 voltas a alta velocidade, Hinchcliffe fez o arranque que precisava para se manter na frente, com Newgarden em 2º. Hunter-Reay, na reta oposta, usou o cone de aspiração para passar Newgarden e colocou-se no interior de Hinchcliffe para a curva 3, e liderou na primeira volta.
Na volta seguinte, Hinchcliffe contra-atacou e passou Hunter-Reay na reta da meta, mas na volta 3 devolveu a ultrapassagem. O início de corrida estava interessante, com Hunter-Reay e Hinchcliffe a trocarem várias vezes de liderança.

Tony Kanaan começou a corrida ao ataque e em 10 voltas subiu de 18º para 7º.
Com o carro mais leve, Simon Pagenaud pareceu ganhar mais confiança e intrometeu-se na luta pelos primeiros lugares, chegando ao 5º lugar na volta 24.

Hunter-Reay acabou por ficar na frente mas, na volta 25, era seguido por Newgarden, que tinha passado Hinchcliffe.

Hunter-Reay e Hinchcliffe foram os primeiros a parar, na volta 28. A paragem de Hinchcliffe não foi tão boa porque a mangueira de combustível não quis entrar, e o canadiano caiu para o 6º lugar.
Duas voltas depois, Newgarden parou, juntamente com Pagenaud e Townsend Bell, que se mantinha entre os líderes.
Depois de todos os pilotos terem efetuado as suas paragens, Ryan Hunter-Reay continuava na frente da corrida, mas agora tinha dois segundos de vantagem para Simon Pagenaud, que ascendeu ao 2º lugar, e Josef Newgarden era 3º.

Townsend Bell começou bem este segundo turno de condução e, depois de passar por Newgarden e Pagenaud, apanhou Hunter-Reay na volta 42 e passou para a liderança na curva 3.

A primeira bandeira amarela apareceu na volta 47, por detritos na reta oposta.
Todos os pilotos pararam e Hunter-Reay saiu na liderança, com Pagenaud em 2º e Bell a cair para 3º lugar, numa rodna de paragens nas boxes que foi algo apertada para alguns, como Kanaan, que bateu de raspão no muro das boxes depois de ser tocado por Will Power, que parou novamente e caiu para 32º.

No recomeço, na volta 55, Hunter-Reay manteve-se na frente. Pagenaud foi atacado por dentro e por fora por Bell e Newgarden, e o francês perdeu ritmo e posições, caindo para o 7º lugar.
Bell recomeçou muito bem e livrou-se de Newgarden. Depois, na volta 57 passou para a liderança, cedendo-a uma volta depois a Hunter-Reay.
Hinchcliffe tinha também um carro muito rápido e passou de 5º para 2º. Na volta 59, o canadiano passou Hunter-Reay, recuperou o comando e a corrida voltava à mesma situação que se verificava no primeiro turno de condução.

A bandeira amarela voltou a surgir na volta 64, que surgiu depois de um acidente na curva 2. Juan Pablo Montoya, que estava com algumas dificuldades e que estava a lutar para se manter nos 20 primeiros, perdeu a traseira do seu Dallara Chevrolet na saída da curva 2 e bateu no muro. O seu carro atravessou a pista mas felizmente não envolveu mais pilotos. Montoya ficou fisicamente bem, mas o vencedor do ano passado não iria repetir a vitória este ano.
Exceto Will Power, todos pararam e Hinchcliffe conseguiu bater Hunter-Reay nas boxes, mas tal como anteriormente houve mais uma colisão, com Pagenaud a sair das boxes e a tocar em Mikhail Aleshin (#7). Felizmente ambos prosseguiram sem problemas, mas Pagenaud foi penalizado e recomeçou do final do pelotão.

Recomeço na volta 76. Logo em aceleração Power foi incapaz de se manter na frente de Hinchcliffe. Hunter-Reay também seguiu no encalço do piloto da equipa de Sam Schmidt. Rapidamente as trocas de posição entre Hunter-Reay e Hinchcliffe voltavam a acontecer.
Prestes a juntar-se a esta dupla estava Hélio Castroneves, que estava a subir posições rapidamente, e ascendeu ao 3º lugar na volta 85.
Na volta 89, na reta da meta, Hunter-Reay perdeu a liderança para Hinchcliffe, e foi surpreendido por Castroneves, que imediatamente se colocou por dentro, chegando ao 2º posto. Uma volta depois, o brasileiro chegou pela primeira vez à liderança da corrida, na entrada para a curva 1.

Sage Karam estava por fora na curva 1, com Townsend Bell por dentro. Demasiado agressivo, Karam foi para a parte suja da pista, perdeu o controlo do seu carro e embateu com violência no muro. Karam ficou bem. Era mais uma bandeira amarela.
Todos os pilotos pararam nas boxes. Castroneves fez uma paragem muito rápida e saiu na frente de Hunter-Reay e Hinchcliffe.

A bandeira verde voltou a ser agitada na volta 105, já na segunda metade da corrida. Hunter-Reat passou Castroneves e, por fora, Kanaan passou de 5º para 3º.
A corrida estava muito interessante nos primeiros lugares, com Hunter-Reay e Kanaan a passarem por Castroneves na volta 107, e Townsend Bell passou Newgarden e Hinchcliffe na reta da meta, e ainda deixou Castroneves no 4º lugar.
Kanaan também queria passar para a liderança e foi isso mesmo que fez na volta 109, mas quem quer que fosse o líder não ficava nessa posição por muito tempo. Um exemplo disto foi a ascensão rápida de Townsend Bell, que chegou à liderança na volta 111, e Kanaan acabou por poupar um pouco de combustível, caindo para 7º.

Foto: Dana Garrett

Mais um acidente na volta 114, que agora envolveu dois carros. Conor Daly (#18) e Mikhail Aleshin colidiram entre as curvas 1 e 2. Tudo começou quando Aleshin perdeu a traseira na curva 1. O russo fez um pião, bateu no muro e Daly, que o tentava evitar, perde a traseira, faz um pião e bate tanto em Aleshin como no muro. Aleshin ficou fora logo ali, Daly ainda foi para as boxes com alguns danos no seu carro.
Esta foi mais uma oportunidade para todos pararem nas boxes, mas agora houve mesmo um acidente. Castroneves já tinha saído das boxes quando Bell, ao sair das boxes, tinha Hunter-Reay ao seu lado, também a sair das boxes. Bell tocou em Castroneves e fez um pião contra Hunter-Reay. Ambos ficaram com os carros danificados. Depois de efetuarem reparações, Hunter-Reay caiu para 25º com uma volta de atraso, Bell foi penalizado e caiu para 26º, com duas voltas de atraso.
Alex Tagliani (#35), Alexander Rossi e Simon Pagenaud não pararam, mas este último acabou por fazer uma paragem adicional. Assim, Castroneves, que foi o primeiro a sair das boxes, e que tinha marcas na parte lateral do seu carro, era 3º.

Recomeço na volta 122. Rossi foi agressivo com Tagliani e chegou à liderança, mas uma volta depois Tagliani devolveu a ultrapassagem.
Rossi voltou ao comando da corrida e aproveitou bem o carro de Townsend Bell à sua frente, que estava rápido e que se tinha desdobrado, para descolar de Tagliani.
Rossi ficou ali até à volta 139, quando fez a sua paragem, e cedeu a liderança para Castroneves, que era seguido por Kanaan.

Castroneves e Kanaan pararam na volta 150. Ambos estavam já na via das boxes quando Buddy Lazier perdeu o pneu dianteiro esquerdo depois de uma paragem nas boxes. Buddy acabou por parar o seu carro fora da pista. Isto provocou uma bandeira amarela que calhou na melhor altura para Castroneves e Kanaan.
Carlos Muñoz, Takuma Sato (#14) e Scott Dixon ficaram em pista e depois pararam na bandeira amarela. Com estas paragens, Castroneves regressou à liderança, Kanaan era 2º, Newgarden em 3º, Hinchcliffe em 4º e Sébastien Bourdais (#11) em 5º.

foto: Dana Garrett

Após uma bandeira amarela longa, a ordem de recomeço foi dada na volta 159. Kanaan passou Castroneves por dentro e Newgarden passou por fora, e este último ainda tentou passar Kanaan por fora nas curvas 1 e 2. Não conseguindo nas curvas, foi na reta oposta que chegou à frente, só que o brasileiro respondeu na volta seguinte na reta da meta.
Hinchcliffe tinha subido ao 3º lugar, por troca com Castroneves, que depois ficou com danos no seu carro, mais concretamente nas extensões da asa traseira, que se partiram depois de um toque com J. R. Hildebrand (#6).
Felizmente para o brasileiro, Takuma Sato bateu no muro na curva 4 na volta 162, danificando a sua suspensão e causando mais uma bandeira amarela, que daria tempo a Castroneves para tentar reparar o seu carro sem perder muito tempo.
J. R. Hildebrand não parou e, nas paragens nas boxes, Hinchcliffe foi o melhor, saindo na frente de Kanaan e Newgarden. Castroneves, esse, desceu até ao 21º lugar.

Com 35 voltas para o final era possível aos pilotos que poupassem muito combustível chegar até ao final sem parar nas boxes.

Recomeço na volta 168. Hildebrand saiu na frente mas teve que deixar passar Hunter-Reay e Bell, que voltavam à volta do líder. Mais atrás, Hinchcliffe não arrancou tão bem e perdeu posição para Kanaan Newgarden.
Kanaan apanhou rapidamente Hildebrand e recuperou a liderança da corrida, com Newgarden a subir ao 2º lugar. Hildebrand cedeu depois o 3º lugar a Hinchcliffe.

Kanaan estava atrás do carro de Bell, que lutava para se manter na mesma volta do líder, aproveitando assim para poupar algum combustível. Newgarden vinha mesmo atrás de Kanaan e ambos tinham uma vantagem de um segundo para Hinchcliffe, em 3º.

A 20 voltas do fim, Newgarden trocou posição com Kanaan na reta da meta e era o novo líder.
Duas voltas depois, Kanaan voltava à liderança. Nesta altura, muitos pilotos poupavam combustível, mas os primeiros classificados não tinham outra opção a não ser andar ao máximo e fazer um “splash and dash” no final.
Vindo do nada, Carlos Muñoz também estava a dar o máximo e apareceu no 2º lugar na volta 186, passando Kanaan que poupava algum combustível e que tinha perdido tempo atrás de carros mais lentos. Nesta fase, Newgarden liderava com um segundo de vantagem para Muñoz.

Muñoz queria chegar à liderança e arriscou tudo para apanhar Newgarden, e o colombiano subiu à liderança na volta 191.

Tony Kanaan foi o primeiro dos líderes a parar, na volta 192, e também trocou de pneus. O brasileiro caiu para 13º.
Newgarden voltou a passar Muñoz, mas o americano não foi além da volta 195. Este só colocou combustível e voltou à pista na 7ª posição.
Muñoz só ficou mais uma volta em pista, e agora o líder era Alex Rossi, que poderia ter uma estratégia de poupança de combustível para evitar uma paragem no final. Conseguiria Rossi vencer no Brickyard?

Rossi começou a poupar ao máximo a última volta, e com todos os outros a pararem nas boxes, Muñoz acabou por ficar em 2º, com Newgarden em 3º, mas ainda estavam a 15 segundos de Rossi!

Rossi poupou, ficou bastante lento e, incrivelmente, ficou praticamente sem combustível já na reta da meta. O americano deixou que a gravidade levasse o seu carro. Muñoz e Newgarden estavam demasiado longe. Quando o Dallara Honda #98 da Andretti Herta Autosport cruzou a linha de meta, todos ficaram incrédulos!

Num final absolutamente inacreditável, Alexander Rossi, na sua primeira temporada na IndyCar e na sua primeira participação nas 500 Milhas de Indianápolis, foi um vencedor surpresa. Foi uma vitória improvável e incrível para o jovem americano, que ficou para a história como o vencedor da 100ª edição desta grande corrida. Um momento que o jovem americano nunca se irá esquecer.
Esta foi uma vitória de uma estratégia muito boa de poupança de combustível, que foi levada ao limite. Rossi ainda ficou parado na pista na volta de consagração, necessitando a ajuda de um reboque para chegar às boxes.
Rossi tornou-se no primeiro piloto desde Hélio Castroneves em 2001 a vencer as 500 Milhas de Indianápolis na primeira participação nesta corrida.

Carlos Muñoz repetiu o feito de 2013 e ficou no 2º lugar, visivelmente triste por não ter conseguido a vitória com a estratégia arriscada de Rossi, companheiro de equipa na estrutura na Andretti.
Josef Newgarden terminou no 3º lugar, que foi o seu melhor resultado de sempre nesta corrida.

Tony Kanaan terminou no 4º lugar, Charlie Kimball (#83) chegou num bom 5º posto, J. R. Hildebrand, um dos primeiros a fazer a última paragem, acabou no 6º lugar.
James Hiinchcliffe esteve forte durante a corrida mas cedeu algum tempo no último turno, não indo além do 7º lugar, com Scott Dixon, bastante discreto, diga-se, no 8º lugar. Sébastien Bourdais foi 9º e Will Power foi apenas 10º.

Outros resultados: Hélio Castroneves perdeu muitas posições nas últimas voltas, e não foi além do 11º lugar.
Simon Pagenaud pareceu ter problemas no motor no último quarto da corrida, e o líder do campeonato terminou num distante 19º lugar.
Townsend Bell e Ryan Hunter-Reay, que foram grandes candidatos à vitória e que ficaram com as corridas completamente arruinadas nas boxes, foram 21º e 24º, respetivamente.

A próxima prova da IndyCar Series está marcada para as ruas de Detroit, no circuito citadino de Belle Isle. Serão duas corridas, uma no sábado, dia 4 de junho, e outra no dia seguinte, dia 5. A IndyCar não dá descanso.
Para a história fica esta vitória surpresa de Alexander Rossi, que ficará para sempre marcado por ter vencido a 100ª edição desta grande corrida.

Classificação final

Jorge Covas

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