Top Gear DC – O primeiro episódio

Era uma data importante para todos os fãs de Top Gear. Começou ontem a nova era “pós-Clarksoniana” do Top Gear. Ao contrário do que normalmente acontecia quando uma nova serie começava, não notei um grande buzz nos dias anteriores a emissão do programa. Nem teasers de apresentação vi no Facebook e acreditem que o meu feed de notícias tem tanto carro que com certeza algum deveria ter aparecido.

 

E  como o buzz foi tão diminuto ia me esquecendo que o programam começava ontem. Mas lá apareceu um tópico que me lembrou e fui então ver. Devo realçar que estava mal disposto… muito mal disposto e que normalmente nessas alturas ver ou rever um Top Gear ajuda sempre a mitigar o humor de cão. Nada melhor então para testar esta nova era.

 

Antes de mais o cenário do programa mudou radicalmente. Já não temos as recordações do passado, a Hilux toda escavacada desapareceu e o ar de armazém desarrumado deixou existir. O cenário é muito igual ao usado no Top Gear América, muito limpinho, muito virado para mostrar o público… e eu pessoalmente não gosto tanto assim. Faltou dar destaque aos carros e não a quem foi lá ver.

Depois há a cara principal do programa; Chris Evans é agora o novo chefe da companhia e esteve sob fogo porque o seu comportamento de diva pelos vistos ainda é pior que o de Jezza. Até houve relatos que o homem se passou com o público presente, o que não caiu bem junto de alguns membros da plateia… a verdade é que os grandes planos sobre a plateia foram mais que muitos (desnecessariamente) e a boa disposição cheirava a falso… bastava não terem focado tanto o público e isso não se notava. Voltando ao apresentador, achei que esteve sempre a fazer demais. A forma como falava e agia notava que queria ser ele o centro das atenções e fazia-o com demasiado aparato. A piada sobre o catering foi de facto boa mas foi o único apontamento de destaque. De resto o homem chega a tornar-se irritante pela maneira como está sempre a falar aos berros e como exagera em todos os movimentos.

 

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Não houve notícias. Uma das melhores partes do antigo programa ( que funcionava por causa dos outros cromos) deixou de existir e bem porque era marca registada do antigo TG. Mas senti falta da conversa sem sentido sobre carros, que fazia sempre rir.

O Star in a Rallycross car deixou-me dividido. A ideia de colocar malta no carro de rallycross é boa até mas ver a pista do TG ser profanada com terra fez-me confusão. Uma  pista criada pela Lotus para testar carros e onde a McLaren desenvolveu o P1 ser desvirtuada desta forma não me agradou. Ao nível da entrevista se achavam que Clarkson não sabe entrevistar os convidados, Evans muito menos. A conversa foi totalmente focada em carros e isso tirou alguma espontaneidade aos convidados, que se notavam estavam ali a representar e não a serem entrevistados. Neste formato assim, convidados como James Blunt, de quem pouco se esperava mas que nos fez rir muito não teria hipóteses de o fazer. Se já antes era aquela parte em que saltávamos  para a frente e só víamos no fim se tivéssemos algum tempo livre, agora parece que vai ser ainda mais.

Os segmentos foram interessantes e embora os primeiros carros não me interessassem muito, a ideia do Dog Fight foi à TG e gostei (mas lá está, isto é uma ideia tipicamente Clarksoniana….misturar carros e armamento de guerra é marca registada do Jezza).  Acho que faltou alguma qualidade na edição. No antigo TG os planos eram mais dramáticos, mais apelativos e a banda sonora era muito melhor. Era muitas vezes graças ao TG que descobríamos boa música mas neste novo episódio nada disso.

 

Fiquei positivamente surpreendido com o Matt LeBlanc. Foi o elo mais forte do programa, o segmento que fez com o Ariel Nomad funcionou bem e no desafio com Evans, as partes em que ele apareciam era mais agradáveis. A experiência de actor também ajuda, mas foi o único ponto claramente a favor no programa.

Sem Título

Pelos vistos Chirs Harris ficou com um papel secundário, onde apresenta com o outro tipo que ninguém conhecia de lado nenhum, os bastidores e as cenas não mostradas do programa principal, no site da BBC 3 que obviamente não está disponível para nós. Espero que seja temporário pois Harris a fazer revisão de carros é tão bom quanto Clarkson. A Sabine teve um papel secundário para já mas vamos esperar para ver. No que fez esteve igual a si própria.

 

Nota final? 2 em 5. Notou-se que era Top Gear, e há potencial para mais, mas a inevitável comparação com a versão anterior leva-me a crer que a qualidade baixou. No final da série voltamos a falar mas fiquei mal disposto na mesma e isso é mau sinal.

O melhor? Os segmentos com os carros que se mantêm ao estilo TG e o “Friend Matt”.

O pior? Evans sem dúvida. Se ponderarem arranjar outra pessoa para o lugar dele, o TG ainda tem futuro. Assim vai ser complicado.

O que saltou mais à vista é o cheiro a falso e apenas a Sabine foi genuinamente igual a si própria. Foi entretido mas assim a expectativa do Grand Tour é cada vez maior. A BBC terá de trabalhar melhor senão o Top Gear passará a Flopp Gear.

 

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Fábio Mendes

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