F1 – GP do Canadá: Análise às equipas

O circuito Gilles Villeneuve é um dos nossos circuitos preferidos dentro da F1, por nenhum motivo especial, no entanto por ser uma pista curta, existe a tendência para o pelotão estar mais próximo e existir mais probabilidades de lutas. Quem teve a oportunidade de assistir à prova canadiana, não viu a melhor corrida do ano, mas viu uma boa corrida, repleta de táctica, boas ultrapassagens e duas gaivotas a atrapalhar Sebastian Vettel.

Mercedes: “Float like a butterfly and sting like a bee”

Lewis Hamilton, que afirmou que não costuma dedicar vitórias a ninguém em particular, decidiu dedicar a vitória conseguida no Canadá a Muhammad Ali. Deve ter sido mesmo inspiração, porque a corrida foi, na sua maioria, tranquila para o britânico, mas no final o ferrão atingiu Nico Rosberg e Sebastian Vettel. Atingiu Rosberg, porque o alemão ficou com apenas 9 pontos de vantagem e com a moral ainda mais em baixo do que já estava; a Vettel, o adversário da corrida, porque perdeu a oportunidade de vencer, ou no mínimo, lutar roda a roda pela vitória.
Se já gostamos da forma como Hamilton “acariciou” os pneus no Mónaco, no Canadá, onde é muito mais difícil, adoramos. O campeão mostrou o porquê de ser mais completo que o colega de equipa. Por muito bom que possa ser Rosberg, Hamilton é melhor e isso vê-se nos pormenores. Para além disso, n+os defendemos que a relação entre o piloto britânico e a restante equipa é muito mais chegada do que com Rosberg. Hamilton salta para os mecânicos e vai para o meio deles sem problemas e quando vence, a equipa parece mais risonha… isso é importante quando existem dois colegas de equipa a lutar directamente pelo campeonato!

foto: Steve Etherington

Rosberg tem normalmente uma melhor largada da grelha de partida, que Hamilton e no Canadá, não foi diferente. Os alemães parecem não ter gostado muito do chega para lá de Hamilton na primeira curva, mas não nos parece (e aos comissários também) que tivesse sido intencional, nem que mereça sequer ser discutido. O alemão teve azar em ter ficado no meio do pelotão e de ter à sua frente carros rápidos, mas ficou mais uma vez visível que por muito bom que seja o Mercedes, o ponto fraco do monolugar é aquecer muito quando tem de estar algum tempo atrás de outros carros. Já se sabia isso, desde que Hamilton também o teve de passar, mas para Rosberg foi uma corrida tramada muito devido a isso.

Lewis Hamilton: Nota 9,50 (faltou ter largado melhor)
Nico Rosberg: Nota 6

Mercedes: nota 9

Ferrari: Correr atrás do prejuízo

Como evidenciamos acima, o ponto fraco da Mercedes é ter de fazer uma corrida no meio do tráfego, facto que a Ferrari não aproveitou. Normalmente, a Scuderia é quem tenta parar menos, o chamado undercut, ou seja, tentar parar menos que os adversários e ultrapassar nos pit stop. Ontem provaram o seu veneno, já que a Mercedes (através de Hamilton) tinha programado duas paragens, como todas as outras equipas, mas mudaram de estratégia quando viram Vettel a parar pela primeira vez. O alemão não conseguiu assim manter Hamilton atrás, onde o Mercedes tem uma performance mais fraca. Depois de dois ou três erros não forçados de Vettel, não havia mais nada que os italianos pudessem ter feito para chegar à liderança. As palavras de Vettel pelo rádio, onde pediu desculpas à equipa foram sentidas e deveu-se principalmente aos erros do piloto, o 2º lugar. Aproveita-se o facto de terem batido a Red Bull (mais ou menos).
Em relação a Kimi Räikkönen, não há muito a acrescentar. A equipa poderia ter pensado noutra estratégia de pneus para Iceman, como por exemplo fez a Red Bull a Max Verstappen, mas não sabemos se os ultra macios responderiam da mesma forma no Ferrari.

foto: Scuderia Ferrari

Um outro destaque em relação à Ferrari: os novos desenvolvimentos, que culminaram num dos melhores fins de semana da equipa este ano, onde falharam a pole por apenas um décimo e a vitória por outros condicionantes que não o carro, foram dirigidos pelo director técnico da Scuderia, James Allison. O engenheiro britânico perdeu a esposa, e mãe de 3 filhos, este Março e muito se tem falado da “reforma” de Alisson, devido a esse facto. Maurizio Arrivabene depois da corrida de ontem, afirmou que isso não vai acontecer e nós, como fãs, esperamos isso. Alisson é um dos génios da nova geração do “Grande Circo” e deve estar no topo, porque o merece… é uma situação difícil.

Sebastian Vettel: nota 8 (merece, porque não magoou nenhuma gaivota)
Kimi Räikkönen: nota 6

Ferrari: nota 7

Williams: Uma corrida agridoce

Se a equipa festejou bastante o pódio de Valtteri Bottas, deve agora fazer uma análise cuidada ao que se passou. O finlandês conseguiu subir ao pódio muito à custa do motor Mercedes, mas já o seu colega de equipa teve de desistir devido ao sobreaquecimento do motor. O pódio pode mascarar os problemas que a equipa britânica está a passar, mas foi também “boost” para a moral.
Bottas é um dos melhores pilotos do paddock da F1, isso nem se levanta, mas ainda não compreendemos como é possível que a Williams tenha passado de adversária directa da Mercedes à 2 anos, para ser agora a 4ª ou 5ª equipa do grid deste ano, quando o projecto da equipa tem muito potencial. É preciso não desistir e olhar pelo lado positivo… estão melhores que a McLaren e são dirigidos pela Claire Williams!

Valtteri Bottas: nota 8
Felipe Massa: sem nota

Williams: nota 7

foto: Andy Hone/LAT

Red Bull: Mad Max veio ao de cima

O que de melhor que nos ficou na memória no Canadá, foi a fantástica defesa pela 4ª posição de Max Verstappen. Não gostamos da forma como o miúdo foi colocado na equipa, mas não há como não apreciar a condução do holandês. O menino parece que olhou para trás e disse “passa por cima, porque por aqui não passas!”. Que abuso! O rapaz mexeu com a classe e trouxe mais qualidade para uma grelha que já a tinha, mas parece que o futuro de Mad Max é mesmo o estrelato e cada vez mais, vamos ouvir falar dele.
Daniel Ricciardo teve uma corrida complicada, em que terminou atrás do seu colega de equipa. O australiano parece cada vez mais farto da equipa, que pelos exemplos das declarações proferidas ultimamente, o estão a atrasar pela luta de um título. No Canadá, na nossa opinião, tanto a equipa como o piloto tiveram culpa ao terminar em 7º: Ricciardo bloqueou a travagem na última chicane e obrigou a nova paragem mais cedo e a equipa mostrou novamente deficiências no pit stop.

Max Verstappen: nota 8
Daniel Ricciardo: nota 6

Red Bull: nota 7

foto: Red Bull Racing

Force India: Depois do Mónaco, uns pontinhos

Nico Hulkenberg terminou na 8ª posição, enquanto Sérgio Pérez teve de lutar pelo último ponto do GP. Na Force India, que tem um chassis aceitável, o ponto forte são os pilotos e a corrida de ontem confirma isso. “Hulk” recuperou algumas posições com uma boa primeira volta e depois, como o piloto afirma na sua página pessoal, “foi uma simples gestão dos pneus”. Não deu para mais. O circuito Gilles Villeneuve não é uma pista onde se esperasse muito dos Force e com a baixa temperatura e o vento, não foi fácil para o alemão conduzir o carro.
O mexicano foi mais prejudicado pela fraca estratégia que a equipa planeou. A baixa temperatura do asfalto fez com que os pneus macios montados para o inicio da prova, tentando apenas uma paragem, fez com que não produzissem o esperado. Pérez ainda conseguiu recuperar até ao 10º lugar, saindo do Canadá com um ponto na bagagem.

Nico Hulkenberg: nota 7
Sérgio Pérez: nota 6

Force India: nota 6

Sahara Force India

Toro Rosso: Sainz o melhor piloto do dia!

Claro que não venceu a prova, mas recuperou 11 posições durante o GP do Canadá, parando 2 vezes e parece que ninguém deu por ele durante a corrida. No Sábado bateu num certo muro mítico no mundo da Fórmula 1, que dizem que é dos campeões… talvez! Melhor ambientado ao carro que o seu colega de equipa, está a responder à troca de Verstappen com Kvyat da melhor maneira. Na altura discutíamos entre nós, se o espanhol conseguiria defender a sua posição dentro da equipa e até na Red Bull. Para já, escrevemos que sim.
Daniil Kvyat, está a entrar numa espiral descendente. Não é da exclusiva responsabilidade do piloto, mas mesmo antes da mudança para a Toro Rosso já o russo mostrava-se nervoso. Mesmo quando conseguiu o pódio. A penalização sofrida devido ao acidente no Mónaco, fez com que a corrida de Kvyat começasse mal para terminar atrás de Fernando Alonso.

Carlos Sainz: nota 1o
Daniil Kvyat: nota 5

Toro Rosso: nota 7

McLaren: Onde estão os desenvolvimentos?

Questionamos onde está a McLaren? Aquela que conhecemos, que era uma das nossas equipas preferidas? Se no ano passado aceitamos que era o ano 1, o de testar, o de planear uma nova Era, este ano não percebemos o que se passa… Jenson Button perdeu o motor no início da corrida, sendo um novo motor. O piloto ficou quase sem palavras quando foi interpelado pelos jornalistas presentes no GP. Para piorar, Fernando Alonso perguntou à equipa se já podia parar, depois de ter sido ultrapassado por Pérez. No final o espanhol afirmou que era a perguntar se podia parar na box para mudar de pneus… até pode ser, mas nós perguntamos: Quando é que param de brincar e fazem um carro que possa vencer?

Fernando Alonso: nota 5
Jenson Button: sem nota

McLaren: nota 3

foto: Manor Racing

Haas: Quase nem demos por eles

Os dois pilotos da Haas andaram quase sempre os dois juntos no fundo do pelotão. Sabe-se que Haas está um passinho à frente da Renault e um passo à frente da Sauber e da Manor. Foi uma corrida sem muito para contar ficando apenas a ideia que Romain Grosjean tem de fazer melhor que o seu companheiro de equipa e que Estaban Gutierrez tem já 30 corridas sem pontuar.

Esteban Gutierrez: nota 4
Romain Grosjean: nota 4

Haas: nota 4

Renault, Sauber e Manor

Na Renault, Palmer não terminou mais uma corrida, o que pode é desanimador para o piloto que vinha rotulado como uma estrela em ascensão. Magnussen defendeu a honra dos franceses e terminou a prova à frente de Nasr, mas ficou atrás de Ericsson, o que não é um argumento a colocar no Curriculum.
Na Sauber, mais uma vez, Ericsson foi melhor que Nasr e pelo menos não se atrapalharam durante a corrida. Conseguir terminar uma corrida com os dois carros intactos, tem sido difícil mas ontem conseguiram.
Na Manor, Werhlein voltou a ser melhor que Haryanto e fez melhor na qualificação que os dois Sauber. Até ao momento, é o melhor rookie do ano.

Classificação Campeonato

Pedro Mendes

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