WRC – Rally da Sardenha: Análises finais:

 

A prova italiana foi muito dura para pilotos e máquinas e no final premiou o belga Neuville. Depois de uma fase de indefinição, o piloto da Hyundai voltou aos pódios, com a companhia de Latvala e do inevitável Ogier. Ficam as análises finais do Rally da Sardenha.

 

Neuville: grande prova do piloto Belga! Simplesmente fantástico o rally realizado pelo jovem da Hyundai, que regressa assim, mais do que às vitórias, às boas exibições e a um ganho de confiança que pode ser decisivo para o resto da temporada, ou mesmo para a sua carreira, que vivia uma fase conturbada, pela clara falta de estabilidade emocional. Andou grande parte da prova em luta pela liderança com Jari Matti Latvala, sem nunca ceder, nem cometer um erro que o deitaria fora da luta pela vitória, mostrando grande maturidade. Bateu toda a concorrência, inclusive o tri-campeão do mundo S. Ogier, que mesmo nas segundas passagens pelos troços, não conseguiu acompanhar o ritmo endiabrado que Neuville imprimiu ao volante do seu I20 WRC. Um ano depois, volta a vencer e desta vez com grande mérito. Foi sem dúvida o melhor e o mais rápido. Uma excelente exibição que esperemos ser a catapulta para o que resta da temporada para T. Neuville.

 

M. Latvala: regresso aos lugares do pódio. O piloto finlandês tem tido uma temporada (mais uma) de grande instabilidade ao nível de resultados, com várias saídas de estrada a marcar a temporada do piloto da Volkswagen. Tentou contrariar a velocidade de T. Neuville, mas o ritmo do belga era quase inatingível e Latvala preferiu não correr riscos desnecessários, conservando o seu 2º lugar final, que lhe daria mais alguns pontos para o campeonato. Forçou quando achou que devia forçar, mas sem grandes resultados pois na frente ia “um foguete” a controlar a concorrência. Ai, Latvala jogou com a cabeça e bem… Ogier já vinha longe e desta forma foi preferível salvaguardar o segundo final, que acaba por ser um resultado positivo dado a época que está a realizar. Nota positiva no segundo pódio da temporada.

Ogier: o tricampeão voltou a não vencer e segue numa série de quatro ralis sem ganhar, algo quase inédito. A verdade é que a nível de campeonato tem uma margem de pontos bem confortável. Não venceu mas pela sexta vez em seis ralis sobe ao pódio, provando que a consistência e regularidade são factores decisivos neste conjunto de regras que penaliza quem lidera o campeonato, por ter de abrir a estrada nos dois primeiros dias de prova. O que se destaca mais nesta prova é um outro factor interessante. Se nas primeiras passagens Ogier sai prejudicado por “limpar” a estrada, nas segundas passagens as coisas ficam mais equilibradas, mas mesmo assim Ogier foi batido diversas vezes pela concorrência, expondo talvez um aproximar de forças entre ele e os seus adversários, apenas com um senão…Ogier leva 64 pontos de vantagem para o segundo classificado no campeonato! Para terminar venceu a Power Satge…mais uma!

 

Sordo: o piloto espanhol nunca conseguiu andar entre os mais rápidos e por isso mesmo fez um rally inteligente. Salvou pontos importantes para o campeonato, que o fizeram subir ao 2º lugar na classificação após o rally da Sardenha. Um 4º lugar é aquela posição ingrata de estar a um “passinho” de subir ao pódio final, mas desta vez até acaba por saber bem, sendo o segundo melhor piloto da Hyundai. É a quarta vez consecutiva que fecha um rally em 4º! Sem nenhum pódio em seu nome este ano, segue para já no “primeiro dos últimos” que é como quem diz, atrás de Ogier! Nada mau!

Tanak: foi uma prova de altos e baixos para o piloto estónio. Sofreu muito com o desgaste dos pneus durante o primeiro dia, terminado especiais com autênticos slicks montados no seu Fiesta RS WRC, que o fizeram perder algum tempo. Ainda assim tudo o que seja terminar um rally sem grandes problemas tem de ser um bom resultado para Tanak. Aqui e ali realizou bons registos, mostrando toda a sua aptidão e rapidez, por isso o 5º posto final é um bom resultado para ele.vMais uns pontinhos e sobe a 8º no campeonato.

 

Camilli: Grande exibição! Este foi sem dúvida o melhor rally realizado pelo francês contratado pela M-Sport no início da temporada, que deixou muita gente a perguntar, porquê? Não venceu, não fez pódio nem sequer fez top5 na geral final, mas desta vez Camilli andou para a frente. Bom rally, excelentes tempos, rodando no segundo e terceiro dia de prova constantemente entre os mais rápidos, tendo vencido já no derradeiro dia uma especial. Não fosse o problema que teve com o diferencial logo no primeiro dia de rally, seria certamente melhor o resultado alcançado. Boa evolução, excelente andamento e que seja para continuar. Finaliza em 6º lugar na geral.

 

Solberg: Sempre discreto, o mano mais velho de Petter soube aproveitar os azares alheios para ir subindo na geral e com isso terminar em 7º lugar. Sem andamento para muito mais, faz o que pode e sabe e a mais não é obrigado! Quem pode, pode!

 

Paddon: Desde que venceu na Argentina nunca mais encontrou o caminho certo. Em Portugal, um saída forte de estrada fez o seu I20 WRC arder por completo. Desta vez mais uma saída de estrada, destruiu grande parte do seu carro, com danos elevadíssimos logo no primeiro dia de prova. Fase atribulada para o piloto neozelandês. Tanak e Latvala parecem ter concorrência apertada na arte de “partir” carros.

Ostberg: estava a realizar uma boa prova até um problema com o seu Fiesta RS WRC o fazer parar a poucos quilómetros do final do segundo dia, quando lutava com Ogier pela 3ª posição. Mostrou que o Fiesta ainda pode ser um carro competitivo, naquela que foi provavelmente a melhor exibição na equipa, embora os resultados não exprimam o andamento obtido pelo norueguês que desta vez não teve a sorte do seu lado.

 

Mikkelsen: também o piloto da Volkswagen teve um final de prova precoce. Uma saída de estrada com direito a quebra de um braço da direcção pôs fim à prova de Mikkelsen, quando estava envolvido num bela luta com Ogier e Ostberg pela 3ª posição. Antes disso, o mesmo de sempre… Um piloto de qualidade, rápido e sempre à espreita para “sacar” um lugar no pódio, mas desta vez o azar bateu na porta do jovem norueguês. Perde também o segundo lugar do campeonato, caindo para 3º.

 

 

Carlos Mota

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