F1 – GP da Hungria: Análise às equipas (parte I)

 

Depois de uma ligeira interrupção, voltamos à habitual análise do desempenho das equipas nos GP de F1. Desta vez o palco foi Hungaroring e ao contrário do que tem acontecido nos últimos anos, a pista húngara não nos serviu um espectáculo emocionante. A corrida foi algo monótona, ficando resolvida logo na primeira volta para os actores principais deste campeonato. O que continua emocionante é a inconsistência da FIA na atribuição de castigos… já lá vamos!

 

 

Mercedes – E à 11ª prova, Hamilton regressou à liderança

 

O ano começou de forma periclitante para o piloto britânico, com muitos problemas de fiabilidade no seu monolugar e alguns azares à mistura. Hamilton nunca perdeu a compostura e a mentalidade positiva. E na Hungria, uma pista  onde é tradicionalmente forte, venceu e ultrapassou o seu colega de equipa no campeonato. O fim de semana até começou melhor para Rosberg, que foi superior nos treinos e que na qualificação fez a pole, enquanto todos os outros se preocupavam com as bandeiras amarelas. Não teve culpa e fez o que qualquer um faria… aproveitou e conquistou a pole mas nem isso lhe valeu. Hamilton fez o melhor arranque do ano (um dos pontos fracos que tem melhorado), ficando por dentro na curva 1. E quando o carro do #44 fugiu de traseira, o coração de Wolff deve ter parado por instantes mas ambos evitaram os toques, para alivio das chefias. A partir daí Hamilton geriu como quis… tanto que até recebeu um aviso para aumentar o andamento. Lewis sabia que tinha ritmo para fazer frente ao alemão e que a pista não proporciona oportunidades de ultrapassagem. Assumiu uma postura cautelosa não puxando muito pela máquina, que tem de aguentar o máximo possível pois é o último motor a que tem direito antes das inevitáveis penalizações.  tínhamos dito desde início que em 2014 o ano também tinha começado mal e Hamilton deu a volta ao texto e proporcionou  um excelente campeonato com Rosberg. A luta está ao rubro. Game on!

Lewis Hamilton: Nota 9

Nico Rosberg: Nota7

Mercedes: Nota 9

 

 

Red Bull – O sorriso voltou

 

Não era preciso ser um grande expert de F1 para entender que Hungria seria um dos palcos de eleição para o RB12. E as suspeitas confirmaram-se pois os Bull´s estiveram mais fortes e foram a equipa que mais tentou ameaçar os Mercedes, deixando a Ferrari para trás. Ricciardo, que já tinha sido feliz em Hungaroring no passado, queria colocar um ponto final na “falta de respeito” do jovem colega de equipa que chegou e começou a vencer corridas e a subir aos pódios, deixando o australiano com um amargo de boca (também afectado com o vírus Webber…aquele que provoca uma dose de azar a um piloto que seja australiano e que pertença à Red Bull). Na Hungria tudo foi diferente e “Dani Ric” foi sempre melhor que o seu colega de equipa, merecendo o pódio que conquistou. Verstappen também esteve ao seu nível mas um erro na paragem para troca de pneus (o holandês não travou o carro convenientemente, o que atrasou o processo) estragou a estratégia da equipa, ficando Max atrás de Raikkonen durante quase metade da corrida. Na segunda ronda de paragens os papeis inverteram-se e Max viu-se obrigado a defender-se do IceMan que não gostou  (com razão) da forma como o jovem se defendeu. Já não é a primeira vez que Verstappen se defende na margem da lei. Nós gostamos disso mas tem de estar preparado para tratamento semelhante no futuro pois a fama já começa a ganhar algum peso. Horner afirmou recentemente que esta é provavelmente uma das melhores duplas que a equipa já teve. Tendo em conta a qualidade e o potencial… talvez não seja errado de todo. Há qualidade, há muito potencial, tanto a nível de pilotagem como ao nível de marketing. Mas a dupla Vettel / Ricciardo se tem ficado por mais uns tempos poderia ter sido ainda mais picante. Ainda assim o futuro está garantido.

 

Daniel Ricciardo: Nota 9

Max Verstappen: Nota 8

Red Bull: Nota 9

 

 

 

 

Ferrari – Crise indisfarçável

 

Para quem se assumiu como candidato a quebrar a hegemonia germânica, os resultados que a Scuderia tem obtido são claramente um fracasso. É a 3ª vez que os homens de vermelho conseguem menos pontos num fim de semana em relação aos Bull´s, equipa que começou o ano com expectativas bem mais baixas. Vettel não perde a compostura e tem sido fundamental na imagem da Ferrari. Não se tem queixado muito e tem passado uma mensagem de determinação, que se nota em pista. O piloto tenta com as armas que tem, mas a maquina não o deixa fazer mais. Não que seja um carro mau, pois em ritmo de corrida tem-se mostrado em óptimas condições mas os azares e a falta de andamento em qualificação tem dificultado sobremaneira a vida ao alemão. Do outro lado da garagem esteve provavelmente o melhor Kimi de 2016. A qualificação foi muito má e a chuva tramou o piloto. Largou de 14º mas com uma estratégia bem delineada, subiu até ao 6º final. Uma excelente prestação de Kimi, a fazer lembrar os tempos da Lotus. Tem subido de rendimento ao longo do ano mas o que fez na Hungria foi do melhor que nos lembramos nos últimos tempos. Está a mostrar que a Scuderia fez bem em renovar com ele. Mas a equipa precisa de um rumo. Sem Allison no comando da parte técnica a tempo inteiro, a equipa ressente-se e não tem apresentado as melhorias que gostaria (também porque mais uma vez a Ferrari criou um carro demasiadamente complexo ao nível aerodinâmico que não responde tão bem a mudanças quanto outros carros). É claramente tempo de começar a olhar 2017 como uma nova oportunidade mas a Ferrari está a demorar na definição do seu futuro.  Precisa de arranjar um director técnico com qualidade indiscutível e que pegue já no projecto e que o leve a bom porto, caso sinta que Allison não tem condições para tal.

 

Sebastian Vettel: Nota 8

Kimi Raikkonen: Nota 9

Ferrari: Nota 8

 

 

 

McLaren – O homem do nº7

 

Não estamos a falar de Ronaldo mas sim de Fernando Alonso. O espanhol já no ano passado tinha conquistado o melhor resultado da época na Hungria e este ano voltou a ter motivos para ficar satisfeito com a sua prestação.  O fim de semana resume-se com o nº7: foi 7º em todas as sessões de treino, qualificação e corrida e num carro como o McLaren não é nada fácil. Que o diga Button, que voltou a ter problemas técnicos. Uma traseira demasiado solta retiraram confiança ao piloto e um problema hidráulico atirou o britânico para o último lugar. Jenson já não consegue disfarçar o descontentamento e essa falta de capacidade para disfarçar veio na mesma altura que os boatos da saída para a Williams se tornaram mais fortes. Não deixam de ser boatos mas o tempo começa a exigir que Vandoorne suba à equipa principal e Alonso tem contrato até 2017. Qual será o futuro de JB? Não se sabe a médio prazo, mas a curto prazo terá de aguentar um carro que tem falta de potência e cujo chassis não consegue criar o apoio aerodinâmico desejado. Exige-se mais a uma equipa desta dimensão.

Fernando Alonso: Nota 9

Jenson Button: Sem nota 

McLaren: Nota 6

 

 

 

Parte 2 aqui

 

 

Fábio Mendes

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