F1 – GP da Hungria: Análise às equipas (parte II)

Depois da Parte I, continuamos a análise e ainda vamos a tempo de nos queixarmos da FIA.

 

Toro Rosso – Sainz OK, Kvyat KO

 

Esperávamos uma boa prestação da Toro Rosso e Sainz não nos deixou ficar mal na nossa previsão. Foi 8º atrás do seu compatriota e acusou a falta de motor que a Toro Rosso enfrenta neste momento. O “moinho” da Ferrari que equipa os STR está muito desactualizado e não permite grandes surpresas mas o espanhol conseguiu um bom resultado para a equipa. Já Kvyat começa a ser preocupante… o russo não consegue ser competitivo na equipa e tem levado “porrada” do companheiro de equipa. Kvyat parece estar a escrever a sua saída inglória da F1. Diz que não sente confiança no carro (passar de um Red Bull para um Toro Rosso é o mesmo de passar de um BMW para um Opel). A manter este rendimento não justificará o investimento de uma equipa. Precisa de férias e de limpar a cabeça. Esta fase com corridas não é a melhor. Tem meia época para mostrar que tem lugar no grande circo.

Carlos Sainz: Nota8

Daniil Kvyat: Nota 4

Toro Rosso: Nota 7

 

 

Williams – Não se esperava muito mais

 

Quando as pistas não tem rectas longas e apresentam traçados muito sinuosos os Williams não gostam muito pois não conseguem criar o apoio aerodinâmico ideal em baixas velocidades, o que leva invariavelmente a exibições menos conseguidas. Bottas tirou o que conseguiu do carro, acabando em 9º sem nada que se lhe pudesse apontar. Já Massa teve uma corrida para esquecer, com problemas na sua direcção e sem andamento para fazer mais que o francamente mau 18º lugar. A desilusão tem sido a palavra de ordem esta época na Williams. O carro recebeu um fundo plano novo e um novo difusor que foi instalado no carro de Bottas e que pelos vistos até surtiu algum efeito. Mas a época da equipa está virtualmente afastada da luta pelo 3º e terá de ter cuidado com a Force India. Esperávamos muito mais. Até Bottas perdeu aquela aura de piloto de top que poderia entrar em qualquer equipa. A falta de andamento do carro tem mascarado o andamento do finlandês e se calhar prejudicado mentalmente o piloto.

 

Valtteri Bottas: Nota 8

Felipe Massa: Nota 5

Williams: Nota 4

 

 

 

Force India – Podia ter sido melhor

 

Não era uma pista que favorecesse os Force mas a qualidade dos pilotos levava-nos a pensar que poderiam ser uma surpresa… esquecemo-nos que Perez dá-se muito mal com os ares da Hungria e mesmo Hulkenberg não foi capaz de contrariar essa tendência. Na qualificação o alemão foi muito melhor que o companheiro, mas a falta de andamento em corrida levou a que ficasse em 10º, à frente do mexicano. O Pérez teve uma tarde para esquecer e até teve direito a entrar nas boxes sem que os mecânicos estivessem preparados.  Um dia mau, mas haverá pistas melhores para os homens da Force India.

Nico Hulkenberg: Nota 6

Sergio Perez: Nota 5

Force India: Nota 5

 

 

Renault – Palmer ainda sonhou com os pontos

Ficamos com boa impressão do britânico desde a primeira corrida. No entanto Palmer não tem conseguido mostrar o que vale, estando inclusive na porta de saída da equipa, segundo alguns rumores. Mas não obstante algumas exibições menos conseguidas, não conseguimos deixar de achar que o piloto merecia uma hipótese num carro melhor. A corrida da Hungria foi a melhor de Palmer e segundo ele “uma das melhores da carreira”, até aquele maldito pião na curva 4 que o atirou para fora de pista e para longe dos pontos. Inglório para quem fez por merecer mais. Mas esse erro poderá marcar ainda mais a posição do piloto. Na única oportunidade que teve para brilhar falhou e a F1 não é conhecida por perdoar muito os erros (Kvyat que o diga). Magnussen esteve a milhas do que pode e deve fazer. Ele que tem estado consecutivamente melhor que Palmer não se evidenciou e foi o elo mais fraco.

 

Jolyon Palmer: Nota 7

Kevin Magnussen: Nota 4

Renault: Nota 6

 

Haas – Não foi desta Gutierrez

O mexicano anda a ameaçar mas não foi desta que chegou aos pontos. Andou lá perto mas não foi o suficiente para o conseguir. A meio da corrida viu Hamilton passar por ele e dizer-lhe que “ia ficar em primeiro” com o dedo em riste. Não foi  bonito mas foi merecido, pois “Guti” demorou muito a sair da frente do 44 que viu a distância para Rosberg passar de quase 2 seg, para 0.6. Já Grosjean deve andar a pensar se realmente o plano para entrar na Ferrari via Haas não está a compensar. Desde aquelas primeiras corridas fantásticas que não se vê o francês e aquele que era “um dos melhores carros” que conduziu passou a ser o que todos esperavam… um carro a precisar de crescer e muito tal como a equipa. Ainda assim mantêm-se a frente de Sauber e Manor o que é bom para quem se estreia nesta andanças.

Esteban Gutierrez: Nota 6

Romain Grosjean: Nota 5

Haas: Nota 5

 

 

Sauber – Nasr mais forte..obviamente

Não é todos os dias que se pode dizer que Nasr ficou à frente de Massa e não será tão depressa que voltará a acontecer mas o brasileiro fez uma boa corrida e mais importante ficou à frente de Ericsson (deu uma volta de avanço ao companheiro!). O brasileiro tem vindo a melhorar e confirma-se que o problema estava mesmo no chassis, pois desde essa troca que Nasr voltou a mostrar argumentos que já tinham sido visíveis em 2015. Já Ericsson não aproveitou a compra da Sauber por parceiros que estarão associados aos seus patrocinadores para marcar a sua posição e fraquejou.

 

Felipe Nasr: Nota 8

Marcus Ericsson: Nota 6

Sauber: Nota 6

 

 

Manor  – Sempre Wehrlein

O alemão tem sido o abono da equipa e a qualidade está à vista. Consegue ficar consecutivamente à frente do companheiro de equipa (o que não surpreende) e na Hungria não foi excepção. Confirma cada vez mais que é um talento a ter em conta no futuro. Por falar em conta, o dinheiro de Haryanto parece ter acabado e são muitos os rumores que dizem que  pode estar de saída da equipa. Estava mais que visto que não era pelo talento que se mantinha na F1 e agora, sem dinheiro o piloto vê-se na eminencia de ficar sem assento. A confirmar-se vai fazer falta à F1? Não!

Pascal Wehrlein: nota 7

Rio Haryanto: Nota 4

Manor: Nota 5

 

 

FIA – Só podem fazer de propósito!

 

Já não é a primeira vez que não concordamos com as decisões da FIA. E admitimos que é muito mais fácil estar na nossa posição do que na posição de quem manda. No entanto o que se passou na Hungria voltou a roçar o ridículo. Primeiro, a nova regra das comunicações rádio é péssima para o espectáculo. Button, que já tinha caído para último, ainda teve direito a um Drive Through… foi como esfregar sal numa ferida. Nos corredores da FIA diz-se que esta regra visa obrigar as equipas a fazerem motores mais simples de gerir e como tal mais baratos. Mas cabe na cabeça de alguém que uma tecnologia híbrida se torne simples do dia para a noite? Os motores são caros é certo mas tem de ser tomadas outras opções para diminuir os custos ( e já agora se não queriam os custos demasiado altos teriam de ter pensado nisso em 2014). A regra da radio é uma aberração nestes moldes e aquilo que era uma medida desejada (estávamos fartos das dicas dos engenheiros aos pilotos) passou a ser uma anedota de mau gosto.

Mas não ficou por aqui… O episódio das bandeiras amarelas e a não penalização de Rosberg deu que falar. A nosso ver, o piloto diminuiu a velocidade sim mas não o suficiente para uma situação de bandeiras amarelas… basta ver que conseguiu a pole nessa volta. Outros não tiveram a mesma sorte no passado. Mesmo a situação de Verstappen com Raikkonen merecia no mínimo ser investigada… não porque nos mete confusão a manobra, pois a F1 é para ser dura mas pela  consistência. A FIA penalizou pilotos por pormenores tão insignificantes e este fim de semana fez vista grossa em vários casos onde não podia. Fazem lembrar aqueles árbitros portugueses de antigamente com bigode que ajuizavam dois lances praticamente iguais de forma completamente diferente,  o que claro levanta suspeitas. As regras são para ser cumpridas e a FIA tem tendência a esquecer isso em certos casos (principalmente quando alguma equipa grande é afectada) e usar castigos pesados noutros (com equipas pequenas). Nem estamos a discutir as regras… apenas a falta de consistência da entidade máxima que regula a F1. E nem vamos falar da regra dos 107% que não foi cumprida na qualificação pois essa já não é usada há muitos anos. Assim a F1 perde credibilidade e não se pode dar a esse luxo!

 

Geral do campeonato:

 

Fábio Mendes

 

 

2 pensamentos sobre “F1 – GP da Hungria: Análise às equipas (parte II)

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