F1 – GP da Alemanha: Análise das equipas

 

Há quem tenha achado o GP da Alemanha aborrecido, na mesma onda do que aconteceu na Hungria. De facto não teve a emoção que todos pretendem mas pessoalmente, penso que foi uma prova com muitos pontos de interesse, boas lutas e com alguns pilotos a destacarem-se.

 

 

Mercedes: O campeão voltou a tramar o alemão

O que disse Toto Wolff no final da corrida resume bem o que se tem passado nas últimas 7 corridas… Quando está num dia bom, Hamilton é imbatível. Pode não ser a verdade pois há pilotos que têm capacidade de lhe fazer frente, mas com Rosberg esta máxima é completamente verdade. O homem que esteve com 43 pontos de atraso está agora com 19 de vantagem face ao seu colega de equipa. Uma reviravolta que não surpreende mas que não será ainda definitiva uma vez que o seu motor está a dar as últimas e as próximas corridas são as mais exigentes ao nível das motorizações, o que irá levar a uma inevitável penalização que Rosberg poderá  aproveitar. Quanto à corrida, Hamilton voltou a largar bem e Rosberg errou na segunda fase da largada, perdendo terreno para o seu colega de equipa e para os Red Bull. Depois de cair para 4º nunca mais encontrou argumentos para ameaçar os Bull´s enquanto Hamilton controlava como queria. A penalização de Rosberg devido ao incidente com Verstappen parece-nos coerente tendo em conta  o que aconteceu na Áustria e os comissários fizeram bem em manter o mesmo critério. Haverá quem diga que isso pode inibir os pilotos de tentar ultrapassar mas para nós é uma falsa questão. O que deve ser realçado é que tem de haver agressividade mas não se devem ultrapassar os limites do razoável, pese embora que as circunstâncias são diferentes e não nos chocaria que não houvesse penalização. Alonso e Pérez mostraram como se faz a manobra de Rosberg sem exagerar. Rosberg voltou a mostrar que é bom piloto mas não passa disso. Falta-lhe aquele extra de talento para ir buscar aquele décimo que faz a diferença.

 

Lewis Hamilton: nota 9

Nico Rosberg: nota 7

Mercedes: Nota 9

 

Red Bull:  Ricciardo é a alma da F1

Hamilton é o mais mediático, Vettel é o que mais campeonatos tem, Alonso é o que tem mais talento mas Ricciardo é para nós o piloto do momento na F1. Tem carácter, tem talento e velocidade, tem uma postura genuína não encara as conferencias de imprensa com um ar sedado. É um gosto ver Ricciardo dentro e fora de pista. O australiano teve uma fase de menor fulgor culminando com os azares de Mónaco e Espanha. Mas regressou gradualmente e está agora a mostrar a Verstappen que para ser estrela ainda tem de mostrar algo mais. Ricciardo tem sido constantemente mais rápido que Verstappen em qualificação e não fossem as borradas da equipa, teria mais vitórias que do que o jovem holandês. Mas num mundo de falsidade, representações e caras fechadas, o sorriso de Dani é uma lufada de ar fresco. Basta ver como festejou no pódio na Alemanha. Na corrida não deu hipótese a Verstappen, que não se deu bem na gestão dos pneus não mostrando o mesmo andamento do colega de equipa. Se Ricciardo tivesse um motor melhor, Hamilton tinha suado muito mais para vencer.

Daniel Ricciardo: nota 9

Max Verstappen: nota 8

Red Bull: nota 9

 

Ferrari – A crise já se fez sentir nas palavras de Vettel

Tínhamos elogiado a postura de Vettel na corrida passada mas o alemão mostrou sinais de insatisfação em pista. A nega que deu à pit Wall quando foi chamado a vir as boxes mostra a falta de confiança que o alemão sente e a necessidade que ele tem de tentar mexer com a situação. A Ferrari promete sempre muito nos treinos e apresenta um ritmo de corrida muito bom mas aos domingos as promessas nunca se cumprem, o que adensa a crise na Scuderia. A equipa parece perdida e precisa desta pausa para redefinir objectivos e estratégias. Vettel fez o que pôde e o 4º lugar foi o melhor que conseguiu tal como Raikkonen, que esteve um furo abaixo do que fez na Hungria e passou despercebido na transmissão da corrida. Arrivabene está com um grave problema para resolver e tem de encontrar soluções depressa.

Sebastian Vettel: nota 8

Kimi Raikkonen: nota 7

Ferrari: nota 7

 

Force India –  A Williams está mesmo ali à frente

Mais uma prestação positiva da Force India. A equipa redimiu-se do que fez na Hungria e conquistou mais pontos nesta luta com a Williams. Hulkenberg esteve muito bem e Pérez  falhou na largada, o que comprometeu as aspirações de um bom resultado, tendo de lutar para chegar ao 10º, o que conseguiu depois de uma boa luta com Alonso. A Force India está a apenas 15 pontos da Williams e estarão motivadíssimos para tentar o assalto ao 4º lugar. Se tivéssemos dinheiro para investir numa equipa de F1 seria certamente na Force India. Mais uma vez a fazerem um excelente trabalho com os recursos que têm à disposição.

Nico Hulkenberg: nota 8

Sergio Perez: nota 7

Force India: nota 8

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McLaren – um motor insaciável

A McLaren tem provavelmente o motor menos potente do grid e o que mais consome… uma combinação francamente negativa. Mas os avanços da equipa são por demais evidentes. Os carros já conseguem dar luta a máquinas mais competitivas e permitem que os pilotos tenham mais confiança em pista. Os consumos estragaram a estratégia e Alonso foi o mais prejudicado enquanto Button tratou de levar alguns pontos para Woking. Mas no geral nota-se uma evolução positiva, a equipa já tem o dobro dos pontos do ano passado e ameaça fortemente a Toro Rosso. Assim que a Honda fizer um motor decente… a McLaren promete ser um caso sério. Há quem diga que é o 3º melhor chassis do grid. Não acreditamos pois a falta de estabilidade traseira é ainda um problema… Mas não temos dúvidas em dizer que é o chassis que tem mais potencial.

Jenson Button: nota 8

Fernando Alonso: nota 7

McLaren: nota 7

 

Williams – Só as paragens ultra-rápidas não chega

A Willimas continua com as lacunas do passado. Resolveu o problema dos pit stops de forma brilhante mas falta tudo o resto. Falta apoio aerodinâmico nas curvas lentas, falta uma melhor estratégia e foi por aí que a equipa falhou na Alemanha. Obrigaram Bottas a fazer apenas 2 paragens quando todos reconsideraram e passaram para 3 e esse erro revelou-se no final da corrida em que Bottas não foi capaz de se defender dos ataques de Button por exemplo. Massa, depois de um toque no início da corrida perdeu gradualmente ritmo e foi caindo como uma pedra na tabela. A equipa não entendeu bem o que se passou mas o brasileiro deixou de ter argumentos para lutar por pontos e por isso desistiu da corrida. Parece não haver forma da Williams encontrar ritmo para chegar ao top5 no final das corridas. Nem Bottas nem Massa parecem encontrar soluções para a falta de andamento e a equipa tarda em rectificar a situação. Há rumores que apontam para a saída de Massa mas nada está confirmado. Uma coisa é certa, a Williams precisa de baralhar e voltar a dar em 2017 e a entrada de sangue novo é fundamental para dar um pontapé neste marasmo.

 

Valtteri Bottas: nota 7

Felipe Massa: sem nota

Williams: nota 6

 

Haas – Gutierrez continua a saga do 11º

Está difícil… muito difícil para Gutierrez conseguir marcar o primeiro ponto pela Haas. O homem não consegue passar do 11º lugar. O mexicano tem feito melhor que Gorsjean e na Alemanha voltou a acontecer, com Gutierrez a ser o melhor colocado da equipa. Não ficou longe dos pontos mas não foi o suficiente. Gutierrez está a ganhar a fama de dificultar a vida aos adversários quando vê bandeiras azuis e isso pode virar-se contra ele no futuro. A equipa está segura no 8º  lugar do campeonato e tem ameaçado os pontos. Com umas melhorias no carro será possível ver um dos pilotos a fazer um top10 em breve. Não nos podemos esquecer que é o ano de estreia da equipa e que têm ainda muito a aprender.

Esteban Gutierrez: nota 7

Romain Grosjean: nota 6

Haas: nota 7

 

Toro Rosso – sem capacidade para segurar a McLaren

Kvyat é o centro das atenções da equipa neste momento. O russo admitiu o que já todos tinha percebido… a saída da Red Bull abalou a sua confiança e embora tenha feito uma corrida um pouco melhor que as anteriores, está longe do rendimento de Sainz que voltou a estar bem, dentro das limitações da equipa. Kvyat parece estar mesmo de saída da Red Bull com a renovação do contrato a não avançar. O russo tem agora que mostrar que merece um lugar no grande circo mas pouco tem feito para isso. Alemanha foi uma corrida com menos problemas mas o ritmo está longe do ideal. Precisa de férias e fazer reset, havendo no entanto rumores que o russo pode ser subsituido já a meio da época (parece-nos um cenário pouco provável). Já Sainz continua a provar que é um grande talento e que merece um carro melhor. As suas exibições não tem sido espantosas mas tem uma regularidade e capacidade que merece claramente uma máquina à altura.

Carlos Sainz: nota 7

Daniil Kvyat: nota 5

Toro Rosso: nota 6

 

Renault – Este Magnussen é que gostamos

Magnussen fez uma corrida do outro mundo?Não! Mas mostrou um pouco mais do que é capaz e teve um par de ultrapassagem para a posteridade que nos deixaram a sorrir e algo aliviados… o dinamarquês não perdeu o jeito… o carro é que não ajuda. Mas nota-se uma melhoria na performance do monolugar que começou em Silverstone e vai sendo clara a cada corrida que passa. Não é uma mudança brutal é certo mas há pormenores positivos que podem motivar a equipa. Já Palmer não manteve o bom andamento da Hungria e teve um toque que condicionou a sua corrida, obrigando a uma troca de asa dianteira. Não é assim que vai convencer a Renault a ficar na equipa.

Kevin Magnussen: nota 7

Jolyon Palmer: nota 5

Renault: nota 6

Manor – Wherlein em casa é ainda mais forte

Não é que houvesse dúvidas em relação à qualidade do alemão mas nota-se claramente que em pistas que já conhece, o seu rendimento melhora. Pascal fez mais uma excelente corrida, acabando na frente dos Sauber e do Renault de Palmer. Só isso é motivo para ficar satisfeito. Wehrlein começa a dispensar o rotulo de promessa e começa a ser um piloto que apenas precisa de um carro mais competitivo. Já Haryanto pode ter feito a última corrida na F1, pois precisa de dinheiro para ficar na equipa, dinheiro esse que ainda não chegou às mãos da Manor. E sem dinheiro não há F1. Não se pode dizer que esta meia época tenha sido um desastre para o indonésio. O rapaz até tem surpreendido pela positiva e aquele que parecia o digno sucessor de Maldonado acabou por se revelar um piloto consistente, ciente das sua limitações e do seu carro, tentando sempre o melhor possível sem arriscar em demasia. Mas só isso não chega para a F1.

Pascal Wehrlein: nota 8

Rio Haryanto: nota 6

Manor: nota 6

 

Sauber – À espera de melhorias

Ok os investidores já entraram mas os efeitos práticos estão longe de serem visíveis. Segunda corrida miserável da Sauber, com Ericsson a não fazer o melhor e Nasr a ter de desistir com problemas de motor. São necessárias melhorias urgentes para que a equipa saia do ultimo lugar da tabela de construtores. Agora que há dinheiro, que a relação entre pilotos estabilizou e que o futuro não parece tão sombrio é preciso trabalhar para que o carro consiga ser melhor.

Marcus Ericsson: nota 5

Felipe Nasr: sem nota

Sauber: nota 4

 

 

Fábio Mendes

 

 



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