F1 – O adeus do último Gentleman

Jenson Alexander Lyons Button ou apenas Jenson Button no mundo da F1, nascido a 19 de Janeiro de 1980 em Frome, Inglaterra.

A história de Button nas corridas motorizadas começa em 1988 quando o pai lhe comprou um kart (normalmente é sempre assim que começa). No ano seguinte ficou em primeiro no British Super Prix. 91 foi o ano  do seu primeiro titulo de campeão no British Cadet Kart Championship vencendo todas as 34 corridas. O sucesso seria uma constante havendo como nota de destaque, ter sido o piloto mais novo a conquistar a European Super A Championship.

 

Aos 18 anos mudou–se para os carros, onde ganhou a British Formula Ford Championship. Em 1998 ganhou o McLaren Autosport BRDC Young Driver Award, tendo como prémio um teste num F1 McLaren. Participou também no British Formula Three Championship onde terminou em 3º, como o melhor rookie. Fez 5º lugar no Marlboro Masters e 2º no GP de Macau ficando a 0.035 seg. de Darren Manning.

1999 marca a sua entrada na F1. Depois de fazer testes pela McLaren e pela Prost Team, assegurou um lugar na Williams devido a saída de Zanardi da equipa, tornando-se no mais jovem piloto britânico a fazer entrada na F1. Gerhard Berger descreveu-o como um “fenómeno”.

2001 entrou na Benetton fazendo dupla com Fisichella, mas as fracas prestações, aliadas ao pobre rendimento do carro, fizeram crescer o tom das críticas, especialmente por parte do director da equipa (Briatore) que o apelidou de “playboy” (fala o roto para o esfarrapado pensarão alguns).

Em 2002 a Benetton passou a ser designada Renault e Button passou a contar com um novo companheiro de equipa (Jarno Trulli). Mudou a sua postura, começando a trabalhar mais afincadamente com os engenheiros, aparentando estar mais dedicado e com vontade de mostrar as suas reais capacidades. Mas os seus dias na equipa estavam contados pois nesse ano iria ser substituído por um tal de Fernando Alonso que tinha feito testes e impressionado Briatore.

De 2003 a 2005 pertenceu aos quadros da BAR. O início foi complicado, com o companheiro de equipa Villeneuve a ser muito crítico em relação ao britânico, acusando de ter sido contratado apenas para fins publicitários. A relação entre os dois pilotos começou a degradar-se cada vez mais mas Button continuava a ser melhor que Villenueve em pista, conseguindo melhores resultados consecutivamente. O canadiano acabaria por ser substituído por Takuma Sato, devido aos fracos resultados. Nota de destaque em 2003 o grave acidente em Mónaco que o deixou inconsciente, sendo impedido de correr o resto do fim de semana por precaução e contra a sua vontade.

2004 trazia consigo o seu primeiro pódio no GP da Malásia, seguindo-se mais pódios, num total de 10 em 18 corridas. Um ano notável para Jenson que conquistou o 3º lugar no campeonato.

2005 começava mal com a performance do carro a não ser a melhor, mas evoluindo até ao final da época onde nas últimas corridas fez mais pontos do que qualquer outro piloto, não sendo no entanto suficiente para chegar aos lugares de topo como pretendia.

Em 2006 a equipa BAR passava a ser controlada a 100% pela Honda. Embora essa época tenha sido de altos e baixos (mais baixos que altos) foi com a Honda que Button ganhou o seu 1º GP (Hungria) começando do 14º e acabando por vencer numa corrida muito atribulada.

2007 e 2008 foram anos para esquecer. O carro muito fraco, não permitiu boas prestações e as críticas voltaram a surgir.

Em 2009 a Honda sai da F1 por motivos financeiros. Button e Barrichello ficam sem equipa e correndo o risco de não competir nesse ano. Mas Ross Brawn comprou a equipa e criou a Brawn GP. Aproveitando a vantagem do novo difusor que a equipa criou, Button vence 6 das 7 primeiras corridas. Quando as outras equipas começaram a usar os mesmos difusores, a vantagem esfumou-se.  Até ao final da época Button geriu a vantagem e acabaria mesmo por se sagrar campeão do mundo.

Com a Mercedes a comprar a Brawn GP, Button saiu para a McLaren em 2010. Nessa altura muitos pensaram que seria um passo em falso, pois o nº1 da equipa era Hamilton e nunca teria hipóteses contra ele. Mas Jenson, fruto da sua dedicação, trabalho e experiência, conquistou aos poucos a equipa conseguindo, no geral, desempenhos equivalentes e muitas vezes superiores aos de Hamilton, que atravessava uma fase mais difícil da sua carreira.

Em 2013 teve como colega de equipa o ainda imaturo Pérez, um jovem cheio de talento mas com demasiado sangue na guelra que errou em demasia e granjeou uma fama de ser um piloto de trato difícil. Ambos tiveram várias lutas mais azedas em pista que poderiam ter corrido muito mal.

Em 2014 Pérez foi subistuiudo por Magnussen mas a fraca prestação da McLaren em 2013 repetiu-se nesse ano. A dupla funcionou melhor mas os resultados foram escassos, valendo Button que garantiu estabilidade e pontos.

Em 2015, Button viu partir Magnussen e chegar Alonso, uma dupla de sonho para qualquer equipa. Mas o fraco motor Honda impediu que ambos mostrassem o seu valor nesse ano e em 2016 a história está a repetir-se.

Fora da luta pelos títulos desde 2013, Button perdeu a motivação e anunciou um ano sabático em 2017 deixando de lado as corridas mas mantendo um papel activo dentro da McLaren. Não acreditamos que Button volte aos comandos de um F1 no futuro e a sua permanência é um seguro para a McLaren que não sabe se poderá contar com Alonso para depois de 2017. Mas são raros os pilotos que saíram e regressaram para serem competitivos.

 

Button é a meu ver um dos pilotos mais subvalorizados do grid. Sou suspeito por ser fã do piloto, mas acredito que a sua postura de Gentleman Driver o prejudique e que leve as pessoas a pensar que não dá 100% e que não arrisca. É o piloto com mais classe ao volante de um F1 (a mesma classe que mostra fora de pista), com uma condução elegante e suave, que o favorece em piso molhado sendo um dos melhores, senão o melhor nesse tipo de condições. É também dos mais inteligentes em pista e sabe gerir como poucos uma corrida, para além de ser um piloto que normalmente se dá muito bem com os colegas de equipa, proporcionando um bom ambiente na box.

Por um lado é com pena que vejo Button sair da F1 mas sei que há muitos jovens com muita qualidade para entrarem e que o tempo de Button já passou. Merecia ter tido um carro que lhe permitisse lutar pelo título novamente. Os únicos anos em que teve carros realmente competitivos mostrou resultados positivos. Entrou na Mclaren numa fase em que a equipa caía no abismo e foi ele um dos responsáveis pelo tombo não ser maior e merece todo o crédito por isso. Tinha qualidade para ser novamente campeão, mas não teve possibilidade de lutar por isso com as armas ideais.  Não faltarão convites para outras modalidades, sendo que o WEC parece encaixar como uma luva nas características de JB, embora a sua paixão por rallycorss (onde o seu pai brilhou) possa trazer surpresas. Button é provavelmente o último de uma espécie rara de pilotos que andam de “pantufas” pela pista mas cujos tempos não enganam.

 

Jenson Button em números:

298 GP

17 épocas

15 vitórias

8 poles

50 pódios

 

 

Campeão do mundo em 2009 e vice-campeão em 2011

 

 

 

 

 

 

 

 

Fábio Mendes

 

 

 

Um pensamento sobre “F1 – O adeus do último Gentleman

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.